quinta-feira, 29 de abril de 2010

Computação Paralela

Lessons from the Brain: Toward an Intelligent Molecular Computer
April 25, 2010 By Marcia Goodrich

PhysOrg.com Os circuitos de processamento de informações de computadores digitais são estáticos. Em nossos cérebros, os circuitos de processamento de informações - os neurônios - evoluem continuamente para resolver problemas complexos. Agora, uma equipe internacional do Japão e da Michigan Technological University criou um processo similar de evolução de circuito em uma camada molecular orgânica que pode resolver problemas complexos. Esta é a primeira vez que um 'circuito evolutivo' do tipo do cérebro foi feito.

O físico Ranjit Pati, da Michigan Tech, forneceu as bases teóricas desse pequeno computador, que é composto não de silício, mas de moléculas orgânicas em um substrato de ouro. "Esse computador molecular é uma idéia do meu colega Anirban Bandyopadhyay, do National Institute for Materials Science", diz Pati. O trabalho deles está detalhado em “Massively Parallel Computing on an Organic Molecule Layer", publicado online em 25 de abril na revista Nature Physics.

"Os computadores modernos são bastante rápidos, capazes de executar trilhões de instruções por segundo, mas não podem igualar o desempenho inteligente do nosso cérebro", diz Pati. "Nossos neurônios só disparam umas mil vezes por segundo, mas eu posso vê-lo, reconhecê-lo, falar com você, e ouvir alguém andando no corredor quase instantaneamente, uma tarefa hercúlea mesmo para o mais rápico computador".

Isso ocorre porque o processamento das informações é feito sequencialmente em computadors digitais. Uma vez que se estabeleça uma via corrente ao longo de um circuito, ele não se modifica. Em contraste com isso, os impulsos eléttricos que trafegam em nosso cérebro seguem redes enormes, dinâmicas e evolutivas de neurônios que operam coletivamente.

Os pesquisadores fizeram seu tipo diferente de computador com a DDQ, uma molécula hexagonal feita de nitrogênio, oxigênio, cloro e carbono que tem auto-montagem em duas camadas num substrato de ouro.

A molécula DDQ pode se modificar em quatro estados de condutividade - 0, 1, 2 e 3 - o que é diferente dos dos interruptores binários - 0 e 1 - usados por computadores digitais.

"A parte interessante é que aproximadamente 300 moléculas conversam entre si por um certo tempo, durante o processamento das informações", diz Pati. "Nós imitamos como os neurônios se comportam no cérebro".

"A rede de circuitos assemelhados a neurônios e evolutiva nos permite tratar de muitos problemas na mesma grade, o que nos fornece a inteligência do dispositivo", diz Pati. Como resultado, seu pequeno processador pode resolver problemas para os quais os algoritmos de computador são desconhecidos, especialmente problemas da interação mente-corpo tais como predições de calamidades naturais e surgimento de doenças. Para ilustrar essa característica, eles imitaram dois fenômenos naturais na camada molecular: difusão de calor e evolução de células cancerígenas. Além disso, seu processador molecular recupera-se por si próprio se houver um defeito. Esta propriedade vem da capacidade de auto-organização da unicamada molecular. "Nenhum computador existente feito pelo homem tem essa propriedade, mas o nosso cérebro tem", diz Bandyopadhyay. "Se um neurônio morre, outro neurônio assume sua função".

"Isto é muito animador, é uma conquista conceitual", diz Pati. "Isso pode mudar a maneira como as pessoas pensam sobre computação molecular".

Um abstract de “Massively Parallel Computing on an Organic Molecule Layer”
is available at Nature Physics.

Provided by Michigan Technological University

Leia também:

A Perspective on the Future of Massively Parallel Computing: FineGrain
vs. CoarseGrain Parallel Models Comparison & Contrast
Predrag T. Tosic 2004
Open Systems Laboratory, Department of Computer Science,
University of Illinois at Urbana Champaign (UIUC)

Brain-Inspired Computing
Insights 2009

A research agenda for physiological computing
Jennifer Allansona & Stephen H. Faircloughb 2004
Liverpool John Moores University

Brain Computation (cap. 1)
Dana H. Ballard
University of Texas - Austin

Computation and Nanotechnology: Toward the Fabrication of Complex Hierarchical Structures
Bruce J. MacLennan 2008
University of Tennessee, Knoxville

Attack of the Cyberspider (curtinho; bem legal)
(O ataque da aranha cibernética)
Mark Buchanan 2009

Imperdível: documentário sobre o cérebro (em inglês, com legendas)
David Suzuki (2003?)
The Brain - Our Universe Within (4 partes)
http://v.youku.com/v_show/id_XMTYwNTQ3Nzky.html
http://v.youku.com/v_show/id_XMTYwNzE3MDEy.html
http://v.youku.com/v_show/id_XMTYwODY2NjM2.html
Parece que a parte 4 ainda não está disponível

terça-feira, 27 de abril de 2010

Universo - Guia do Usuário


With a large measure of humor and a minimum of math (one equation), physics professor Goldberg and engineer Blomquist delve into the fascinating physics topics that rarely make it into introductory classes, including time travel, extraterrestrials, and "quantum weirdness" to prove that physics' "reputation for being hard, impractical, and boring" is wrong by at least two-thirds: "Hard? Perhaps. Impractical? Definitely not... But boring? That's where we really take issue." Breaking up each topic into common sense questions ("How many habitable planets are there?" "What is Dark Matter?" "If the universe is expanding, what's it expanding into?"), the duo provides explanations in everyday language with helpful examples, analogies, and Blomquist's charmingly unpolished cartoons. Among other lessons, readers will learn about randomness through gambling; how a Star Trek-style transporter might function in the real world; and what may have existed before the Big Bang. Despite the absence of math, this nearly-painless guide is still involved and scientific, aimed at science hobbyists rather than science-phobes; it should also prove an ideal reference companion for more technical classroom texts.

A User's Guide to the Universe: Surviving the Perils of Black Holes, Time Paradoxes, and Quantum Uncertainty
Dave Goldberg, Jeff Blomquist

Os Padrões Quânticos do Caos


This by now classic text provides an excellent introduction and survey to the continuously expanding field of quantum chaos . The topics treated include a detailed exploration of the quantum aspects of nonlinear dynamics, quantum criteria to distinguish regular and irregular motion, antiunitary symmetries (generalized time reversal), random matrix theory and a thorough account of the quantum mechanics of dissipative systems. Each chapter is accompanied by a selection of problems which will help the newcomer to test and deepen his/her understanding and to acquire an active command of the methods presented.In addition to a significant number of smaller revisions and chapter updates, the third edition thoroughly expands on the understanding of universal spectral fluctuations, and – to subsequently make the presentation of all semi-classical developments self-contained - a new chapter on classical Hamiltonian chaos has been inserted.From the reviews of the 2nd edition: "In summary, this is definitely an essential reference book for the specialist. It will also ably serve someone entering the field for the first time who needs to learn the theoretical state of the art in detail."

Quantum Signatures of Chaos
Fritz Haake

A Filosofia da Biologia


This collection of specially commissioned essays puts top scholars head to head to debate the central issues in the lively and fast growing field of philosophy of biology•Brings together original essays on ten of the most hotly debated questions in philosophy of biology •Lively head-to-head debate format sharply defines the issues and paves the way for further discussion •Includes coverage of the new and vital area of evolutionary developmental biology, as well as the concept of a unified species, the role of genes in selection, the differences between micro- and macro-evolution, and much more •Each section features an introduction to the topic as well as suggestions for further reading •Offers an accessible overview of this fast-growing and dynamic field, whilst also capturing the imagination of professional philosophers and biologists

Contemporary Debates in Philosophy of Biology
Francisco J. Ayala & Robert Arp

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Computação em um único neurônio

Um artigo excelente, que valeria só pela introdução:

Em escalas temporais curtas, pode-se conceber o neurônio individual como um dispositivo computacional que mapeia os inputs de suas sinapses em uma sequência de potenciais evocados (action potentials) ou disparos (spikes). Para uma boa aproximação, a dinâmica desse mapeamento é determinada pelas propriedades cinéticas dos canais de íons da membrana do neurônio. Nesses cinquenta anos desde o trabalho pioneiro de Hodgkin e Huxley, presenciamos a evolução de uma descrição ainda mais detalhada da cinética dos canais, tornando plausível que a dinâmica de curto prazo de quase todos os neurônios que encontremos poderá ser compreendida em termos de interações entre uma mistura de tipos de canais diversos mas conhecidos. A existência da figura microscópica quase completa introduz uma questão bem diferente: O que o neurônio computa? Ainda que os modelos da tradição de Hodgkin e Huxley definam um sistema dinâmico que irá reproduzir o comportamento do neurônio, esta descrição em termos de equações diferenciais está longe do que intuimos sobre - ou da descrição formal de - computação.

O problema do que os neurônios computam é uma instância de um problema mais geral da moderna biologia e biofísica quantitativa: dada uma descrição microscópica progressivamente mais completa de proteínas e suas interações, como devemos entender a emergência da função? No caso dos neurônios, as proteínas são os canais de íons, e as interações são muito simples - a corrente flui através de canais abertos, carregando a capacitância da célula, e todos os canais experimentam a voltagem resultante. Sem dúvida, não há outra rede de interação de proteínas para a qual as equações relevantes sejam conhecidas com tantos detalhes; de fato, alguns esforços para entender a função e a computação de outras redes de proteínas utilizam analogias com sistemas neurais. A despeito da relativa completude de nossa figura microscópica dos neurônios, ainda há uma grande lacuna entre a descrição da cinética molecular e a compreensão função. Dado algum input dinâmico complexo em um neurônio, deveríamos ser capazes de simular a cadeia de disparos resultante, mas somos levados a olhar para as equações da cinética dos canais e dizer que essa transformação de inputs em disparos é equivalente a alguma computação simples (ou talvez não tão simples) como filtragem, ajuste de limite ou limiar (thresholding) , detecção de coincidência ou extração de característica.

Computation in a single neuron: Hodgkin and Huxley revisited
Blaise Agüera y Arcas, Adrienne L. Fairhall, & William Bialek
(Veja as afiliações dos autores no artigo)
Neural Computation 15, 1715–1749 (2003)

Se o seu interesse é codificação neural, nosso guru Cosma Shalizi (conheça-o na postagem de 16 de março de 2010) tem umas dicas em:
http://cscs.umich.edu/~crshalizi/notebooks/neural-coding.html

Estrutura da Matéria, Estrutura da Mente


Diz a editoria: Structure of Matter, Structure of Mind fornece uma teoria unificada completa e clara dos fundamentos da matemática, da linguagem e da mente humana. A mente, no sentido humano, não se distingue mais por alguns detalhes aleatórios de classificação zoológica, mas, como na física, baseia-se diretamente em primeiros princípios. Como as sentenças compartilham todos os mecanismos funcionais com as equações - um verbo principal, estrutura profunda linguística, recursão, discreção, produto linear, verdade e falsidade - a linguagem compartilha um fonte comum com a aritmética e a álgebra.

Mas na introdução do livro, Abler é bem mais específico:

(Esse livro) jamais fará uma pergunta direta do tipo 'Como se desenvolveu um sentido matemático?' ou 'Como a linguagem evoluiu?' Questões desse tipo estão muito carregadas de suposições para serem respondidas com segurança. Para abordá-las, primeiro lançaremos a questão de um sentido matemático em um contexto mais amplo, indagando como sabemos que um sentido matemático está presente, e como ocorre a evolução. A presença de um sentido matemático pode parecer óbvia por todas as maneiras. Afinal de contas, as pessoas podem fazer matemática. Mas são as inesperadas relações da matemática resultante com as leis básicas da evolução que acabarão sendo importantes. Acharemos um grupo controle para o estudo da linguagem, isto é, encontraremos um sistema paralelo para comparação com a linguagem. Procuraremos conexões naturais da mente com outros sistemas. Encontraremos definições de ser humano, mente e linguagem, isto é, insistiremos em saber o que evoluiu, antes de decidirmos como esta ou aquela propriedade evoluiu.

E vamos levar cada sistema até suas consequências lógicas completas, para vermos se contém contradições. A contradição na teoria sempre significa que alguma descoberta mais profunda está aguardando em sua resolução, porque, qualquer que sejam as evidências aparentesw, uma teoria que funciona ao supor a teoria, ou que se contradiz, deve ser deixada de lado. A compreensão em ciência só é possível com base na teoria; e melhores evidências surgirão logo surgirão. Eventualmente, trocaremos a unidade superficial da estatística pela formulação precisa da lei natural específica e obteremos uma compreensão melhor do que significa fundamento. Mesmo no início, é possível vislumbrar o final. Como escrever a equação que explica a existência da equação é circular, isto é, gera equações ao supor a existência de equações, os fundamentos da matemática não se parecerão com matemática. Espero que os matemáticos não fiquem desapontados.

Structure of Matter, Structure of Mind: Man's Place in Nature, Reconsidered
William L. Abler
Bainbridge Books 2006 PDF 221 pages 1,8 mb
http://depositfiles.com/files/8hm2njrcb ou
http://www.megaupload.com/?d=WM2A014D

Para uma discussão da ligação matemática/mente/matéria, além outros assuntos correlatos, veja:

On Math, Matter and Mind
Piet Hut, Mark Alford, and Max Tegmark 2006
Institute for Advanced Study, Princeton; Washington University, and MIT

Change the Rules!
Robert G. Jahn and Brenda J. Dunne 2007
Princeton University

The Mathematics of Matter and the Mathematics of Mind
David Berlinski

Capítulo do livro:
Hybrid Systems: Computation and Control
Rajeev Alur & George Pappas (edits)
Springer 2004 PDF 674 pages 12.3 MB
http://www.megaupload.com/?d=RZE2L1TC

So How Does the Mind Work?
Steven Pinker

Mind & Language, Vol. 20 No. 1 February 2005, pp. 1–24.

Origens do Pensamento Conceitual


The Foundations of Mind presents a new theory of cognitive development in infancy, focusing on the ways that perceptual information becomes transformed into conceptual thought. Mandler tackles issues such as how babies form concepts and begin to think before they have language, and how they can recall the past and make inductive inferences. Drawing on her extensive research, she illustrates how these processes form the conceptual basis for language and advanced thought, stressing the importance of distinguishing automatic perceptual processes from conceptualizations about what is perceived. She argues that these two kinds of learning, though sometimes confounded in psychological experimentation, follow different principles, and that it is crucial to specify the particular kind of learning required by a given task. Early preverbal concepts, although typically more general than infant perceptual categories, allow infants to make the inductive generalizations necessary for them to form theories about the world and organize their developing conceptual system into a recognizably adult form.

Mandler also addresses the neglected issue of how concepts such as animacy, inanimacy, agency, goal, containment, and support are represented in the mind. She suggests that image-schemas, used by cognitive linguists to represent underlying linguistic meanings, also format the basic concepts used by infants for inferential thought and language learning. She also shows how a mechanism that analyzes spatial displays leads to mini-theories about how various objects interact with one another.

The Foundations of Mind: Origins of Conceptual Thought
Jean Matter Mandler

domingo, 25 de abril de 2010

Fundamentos da Mente


Foundations of Mind collects the essays which established Tyler Burge as a leading philosopher of mind. This second volume of his papers offers nineteen pieces published between 1975 and 2003, including the influential series that develops anti-individualism. Burge contributes three essay-length postscripts, a substantial new paper on consciousness, and an introduction which surveys his work in this area. The foundations that Burge reflects on are conditions in the individual or the wider world that determine the natures of mental kinds. The conditions include causal, social, psychological conditions, and conditions of phenomenal consciousness. Some of these are basic conditions under which minds are possible. The book is essential reading for philosophers of mind, and should engage a wider public interested in basic philosophical issues.

Foundations of Mind (Philosophical Essays)
Tyler Burge

Fundamentos Matemáticos da Neurociência

Mathematical Foundations of Neuroscience
Filip Piekniewski
Faculty of Mathematics and Computer Science
Nicolaus Copernicus University, Torun, Poland
Winter 2009/2010

Esse arquivo, com 51 páginas, só tem umas quatro ou cinco puramente matemáticas, e elas são interessantes até para leigos que se dispuserem a fazer algum esforço. São slides de uma primeira palestra sobre "os fatos básicos sobre o cérebro e sua análise" , tão bem feitos e informativos individualmente que se pode ler como se fosse um artigo.

Outras leituras pertinentes:

How we ought to describe computation in the brain
Chris Eliasmith, University of Waterloo 2009
(To appear in Studies in the History and Philosophy of Science) Draft

Computational neuroscience
Chris Eliasmith 2004 (?)
(To appear in P. Thagard [edit.] Philosophy of Psychology and Cognitive Science) Draft

Cognitive Informatics, Cognitive Computing, and Their Denotational Mathematical Foundations
Fundamenta Informaticae 90 (2009) i–vii
Yingxu Wang
Visiting Professor, Dept. of Computer Science, Stanford University
Du Zhang
Dept. of Computer Science, California State University
Shusaku Tsumoto
Dept. of Medical Informatics, School of Medicine, Shimane University, Japan

Como os autores desse prefácio dizem no abstract/resumo (eu nunca tinha visto um prefácio com abstract...) que "A Informática Cognitiva é uma área de pesquisa multidisciplinar de ponta que investiga os problemas fundamentais compartilhados pela informática moderna, computação, engenharia de software, inteligência artificial, cibernética, ciência cognitiva, neuropsicologia, ciência médica, ciência de sistemas, filosofia, linguística, economia, ciência da administração e ciências biológicas", ufa! - a tabela 1 da p. 3 é particularmente útil para se visualizar as correspondências entre computação cognitiva, inteligência computacional e informática neural. O restante do texto é uma apresentação dos artigos constantes naquele número da revista.

Neuroscience through the looking glass
(Resenha do livro "M.R. Bennett & P.M.S. Hacker. (2003). Philosophical foundations of neuroscience". Oxford, UK: Blackwell. 461 pp.)
Boris Kotchoubey
Department of Medical Psychology and Behavioral
Neurobiology University of Tübingen, Germany

Esse artigo crítico é importante porque Kotchoubey acentua a principal característica do livro examinado:

"Bennett & Hacker sugerem que a neurociência moderna - talvez não toda ela, mas pelo menos grande parte - encontra-se num beco sem saída. Não porque não tenha desenvolvido tecnologias para responder questões cada vez mais intrigantes, mas porque não sabe formular as perguntas corretas. Não porque seja incapaz de alcançar seus objetivos, mas porque não faz idéia de que objetivos alcançar. Não por causa dos problemas experimentais sem solução, mas por causa dos conceituais. Aqueles que se dispuserem a ler as 450 páginas desse livro podem aceitar ou rejeitar uma ou mais idéias e conclusões de seus autores - mas serão incapazes de voltar à 'ciência de sempre', aceitando passivamente os dogmas sacudidos tão fortemente por Bennett & Hacker. Isto significa que o livro é matéria obrigatória de leitura".

Depois de registrar que nem sempre concorda com as opiniões de Bennett & Hacker, Kotchoubey encerra com:

"Esse livro chegou bem a tempo. Dois séculos depois de Kant, também está na hora da neurociência 'acordar de seu sono dogmático' e, retomando uma auto-consciência científica (isto é, crítica), perceber a grande quantidade de contra-sensos que vêm sendo pesquisados e publicados".

Pluralia tantum

Tenho certeza bissoluta que v. não sabe o que é 'pluralia tantum', com referência às coisas da linguística.

Morfologia: um termo tradicional usado para palavras que (a) terminam com um afixo plural, (b) têm um significado de plural, e (3) não têm uma contrapartida no singular.
Exemplo em manoelês: Os anais da academia de ciências.

Era só consultar o Lexicon of Linguistics, da Utrecht University.

sábado, 24 de abril de 2010

Chips, lesmas e matéria cinzenta

(na ilustração, um C. elegans)

Chips, worms and gray matter: More similar than you think
April 22, 2010
PhysOrg. Cientistas descobriram 'notáveis similaridades' entre cérebros humanos, o sistema nervoso da lesma nematódea Caenorhabditis elegans e os chips de computador.

A equipe de neurocientistas e especialistas em computação do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha comparou a maneira como esses sitemas são organizados e descobriu que os mesmos princípios de rede são básicos nos três.

Utilizando dados já de domínio público, em sua maior parte, incluido dados de imagem por ressonância magnética de cérebros humanos, um mapa do sistema nervoso dos nematódeos e um chip padrão de computador, os cientistas examinaram como os elementos de cada sistema formam uma rede.

Descobriram que todos os três compartilham duas propriedades básicas. Em primeiro lugar, o cérebro humano, o sistema nervoso do nematódeo e o chip de computador têm todos eles uma arquitetura semelhante à de bonecas russas, com o mesmo padrão repetindo-se continuamente em diferentes escalas. Em segundo lugar, todos os três apresentam o que é conhecido como escala rentiana - uma regra usada para descrever a relação entre o número de elementos de uma dada área e o número de elos entre eles.

De acordo com Edwrad Bullmore, Professor de Psiquiatria da University of Cambridge e um dos autores do estudo, "Estas notáveis similaridades provavelmente podem ser explicadas porque representam a maneira mais eficiente de integrar uma rede complexa em um espaço físico confinado - seja um cérebro humano tridimensional ou um chip de computador bidimensional".;

"Os humanos, as lesmas e os chips de computador provavelmente compartilham essas propriedades porque todos os três evoluiram sob as mesmas pressões seletivas - seja a seleção natural, no caso dos humanos e dos nematódeos, sejam as pressões da seleção comercial no caso do chip de computador".

Ao mesmo tempo em que aprofunda nossa compreensão de como o cérebro humano evoluiu, o experimento mostra que podemos aprender importantes lições sobre nossa própria evolução através do estudo da maneira como a tecnologia se desenvolveu, e observando organismos muito simples como os nematódeos.

"Isto desafia a crença bem difundida de que o cérebro humano é especial. Na verdade, ele tem muito em comum com organismos simples como a lesma e com outras espécies animais", disse o Prof. Bullmore.

"Efficient physical embedding of topologically complex information processing networks in brains and computer circuits" by Danielle S. Bassett, Daniel L. Green, Andreas Meyer-Lindenberg, Daniel R.Weinberger, Simon W. Moore and Edward T. Bullmore, PLoS Computational Biology on 22 April 2010.
Provided by University of Cambridge
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Leia também:

Cognitive fitness of cost-efficient brain functional networks
Danielle S. Bassett, Edward T. Bullmore, Andreas Meyer-Lindenberg, José A. Apud, Daniel R. Weinberger and Richard Coppola
PNAS July 14, 2009 vol. 106 no. 28 11747-11752

Complex brain networks: graph theoretical analysis of structural and functional systems
Edward Bullmore & Olaf Sporns
Nture Reviews Neuroscience March 2009

Age-related changes in modular organization of human brain functional networks
David Meunier, Sophie Achard, Alexa Morcom, Ed Bullmore
NeuroImage 44 (2009) 715–723
A parte da enciclopédia que trata de linguagem está aqui:

Language development and literacy
Table of content
(Last update: 02-25-2010)

Exemplos de artigos (que são mais 'pequenas exposições' - o interessante mesmo são as bibliografias)

Factors that Influence Language Development
Judith Johnson, PhD
University of British Columbia, CANADA

Literacy, Language and Emotional Development
Monique Sénéchal, PhD

Carleton University, CANADA

Language Development at an Early Age: Learning Mechanisms and Outcomes from Birth to Five Years
Erika Hoff, PhD
Florida Atlantic University, USA

Early Identification of Language Delay
Philip S. Dale, PhD & Janet L. Patterson, PhD

University of New Mexico, USA

Distúrbio Específico da Linguagem

What Causes Specific Language Impairment in Children?
Dorothy V.M. Bishop 2006
University of Oxford, Oxford, England

ABSTRACT - O distúrbio específico da linguagem (SLI) é diagnosticado quando o desenvolvimento linguístico da criança é deficiente sem ter qualquer razão óbvia. Por muitos anos, tem havbido uma tendência em supor que o SLI foi causado por fatores como cuidados insatisfatórios dos pais, dano cerebral imperceptível na época do nascimento ou perda auditiva temporária. Subsequentemente, ficou claro que esses fatores eram muito menos importantes do que os genes na determinação dos riscos de SLI. Foram feitas pesquisas para encontrar 'o gene do SLI', mas logo ficou claro que nenhuma causa isolada poderia explicar todos os casos. Além disso, ainda que casos fascinantes de SLI causados por uma mutação particular tenham sido descobertos, na maior parte das crianças esse distúrbio tem uma base mais complexa, com a interação de diversos fatores de risco genéticos e ambientais. As evidências mais claras referentes aos efeitos genéticos surgiram de estudos que diagnosticaram o SLI utilizando medições de motivação teórica de déficits cognitivos básicos, mais do que critérios clínicos convencionais.

E um outro parágrafo interessante:

Assim, ainda que os diferentes déficits tenham origens diferentes e possam ser dissociados, aparentemente a criança tem que ter distúrbios em mais de um domínio para que a linguagem seja seriamente danificada. Isto nos leva de volta à questão levantada no início desse artigo: A linguagem quase sempre é surpreendentemente robusta em face de circunstâncias adversas de desenvolvimento. Isto sugere que podem haver múltiplas rotas para a aquisição efetiva da linguagem, e se uma rota for bloqueada, quase sempre uma outra é encontrada. Entretanto, se duas ou mais rotas forem bloqueadas, o aprendizado da linguagem estará comprometido. Muitos pesquisadores ainda estão ocupados com a procura por uma teoria econômica do fator-único do SLI. Entretanto, estudos genéticos estão nos forçando a repensar essa perspectiva e a encarar o SLI como um caso no qual o desenvolvimento fica comprometido precisamente porque mais de um processo cognitivo está danificado. Esta conceituação põe em questão qualquer noção do SLI como uma síndrome única, e também sugere que podemos necessitar analisá-lo em termos das dimensões do dano, ao invés de procurar por subtipos isolados.

Jean Piaget


Jean Piaget (1896-1980) was listed among the 100 most important persons in the twentieth century by Time magazine, and his work - with its distinctive account of human development - has had a tremendous influence on a range of disciplines from philosophy to education, and notably in developmental psychology. The Cambridge Companion to Piaget provides a comprehensive introduction to different aspects of Piaget's work in a manner that does not eschew engagement with the complexities of subjects or debates yet is accessible to upper-level undergraduate students. Each chapter is a specially commissioned essay written by an expert on the subject matter. Thus, the book will also be of interest to academic psychologists, educational psychologists, and philosophers.

The Cambridge Companion to Piaget
Ulrich Müller Jeremy I. M. Carpendale & Leslie Smith
Cambridge University Press 2009 440 Pages PDF 2 MB
http://depositfiles.com/files/kryk4c5or ou
http://www.megaupload.com/?d=KKN3DUJO

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A natureza biológica da linguagem humana

The Biological Nature of Human Language
Anna Maria Di Sciullo, Massimo Piattelli-Palmarini, Kenneth Wexler, Robert C. Berwick et al.
Biolinguistics 4.1: 004–034, 2010

Abstract/Resumo, A biolinguística visa estudar a natureza especificamente biológica da linguagem humana, concentrando-se em cinco questões fundamentais: (1) Quais são as propriedades do fenótipo da linguagem? (2) Como é que a capacidade da linguagem cresce e se consolida nos indivíduos? (3) Como é que a linguagem é posta em funcionamento? (4) Como é implementada a linguagem no cérebro? (5) Que processos evolutivos levaram ao surgimento da linguagem? Estas indagações fundamentais são utilizadas aqui para enquadrar uma discussão de importantes questões do estudo da linguagem, explorando se nossa capacidade linguística é resultado de uma pressão seletiva direta ou se é devida a circunscrições biofísicas ou de desenvolvimento, e avaliando se os componentes neurais/computacionais que fazem parte da linguagem são particulares da linguagem humana ou são compartilhados com outros sistemas cognitivos, o que nos leva a uma discussão sobre os progressos em linguística teórica, psicolinguística, comportamento animal comparado e psicologia, genética/genômica, disciplinas que hoje podem fornecer novos esclarecimentos sobre essas persistentes questões e lançar desafios para futuras pesquisas.


Na minha mão é mais barato: a revista Biolinguistics tem todos os seus números disponíveis para acesso grátis, aqui:
http://www.biolinguistics.eu/index.php/biolinguistics/

I'm a sucker for xxx



Os americanos tem uma expressão: "I'm a sucker for xxx', indicativa de que não conseguimos resistir à atração de determinada coisa. Pois eu sou assim com listas quilométricas de coisas esotéricas e interessantes sobre determinados assuntos. Por exemplo: A Collection of Word Oddities and Trivia, muitas delas (Estranhezas e Trivialidades) com referência bibliográfica que permitem escavações obsessivas mais profundas.

Pois dei de cara com uma lista que tem tudo para atiçar o bestunto: What's Special About This Number? Ela vai de 0 a 9999, e tem coisas como...

145 is a factorion.
181 is a strobogrammatic prime.
369 is the number of octominoes.
488 ??? (508, 514, 534, etc.) são lacunas imperdoáveis...
556 are the first 3 digits of 4^556.

Veja só como essas coisas se desdobram:
Está na lista que '576 is the number of 4×4 Latin squares'.
Nesse link v. fica sabendo que 'Sudoku is a special case of a Latin square'
Onde v. é direcionado para:
Delahaye, J.-P. "The Science Behind Sudoku" Sci. Amer. 294, 80-87, Jun. 2006
Onde v. fica sabendo que:
'Solving a Sudoku puzzle requires no math, not even arithmetic. Even so, the game poses a number of intriguing mathematical problems'
Quais serão esses 'intrigantes problemas matemáticos? Vamos lá...

A ilustração de hoje mostra um Sudoku Cube, coisa que jamais tentarei fazer. Nunca consegui completar um Rubik Cube e suei muito para terminar um Sudoku mixuruca. É coisa só para menores de 12 anos com doutorado no MIT e PostDoc em Cosmologia Sudokuântica.

Open Journal Systems

Como se sabe, existe uma tendência bastante disseminada para que toda publicação da Internet seja de livre acesso, aumentando assim o alcance dos benefícios da ciência e da cultura em geral. O PKP - Public Knowledge Project, como o nome implica (Projeto do Conhecimento Público) é uma iniciativa para que isso seja concretizado, e coloco seu http aqui no Cognição, Linguagem e Música para que vocês possam se beneficiar também.

Diz este site do PKP:
This is not a comprehensive list of the over 5000 titles using OJS (as of January 2010), but includes those who have indicated an interest in being listed, and is intended to illustrate the diversity of journals using system.

Uma pequena amostra:
Advances in Natural Science
AI Magazine
BRAIN. Broad Research in Artificial Intelligence and Neuroscience
Oxford Journal of Anthropology
PhaenEx: Journal of Existential and Phenomenological Theory and Culture
RELIEF : Revue Électronique de Litterature Française

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Neurosociologia


The goal of this ground-breaking volume is to present how neuroscience research is relevant to sociologists and social psychologists as well as examining those areas of neuroscience that can refine and broaden sociological theory.The study of the brain and its effect on behavior grew to prominence in the mid-20th century. Neuroscientists and psychologists worked together in this area in the behavioral sciences but neuroscience has not had a big impact in sociology and the social sciences.Recently, neuroscientists have presented new research which has a direct impact on many areas of sociology. These include the human "self", the social nature of mind, socialization and language acquisition, role-taking and role-making, consciousness, intersubjectivity, a balanced social constructionism, human agency and the necessity of emotion for rational decision making. These are only some of the areas of sociology which and to which they have contributed important refinements.

Neurosociology: The Nexus Between Neuroscience and Social Psychology
David D. Franks

Atlas do Cérebro Humano


Esse Atlas tem tudo para ser o fino.

High resolution human imaging requires a high resolution atlas. There is no atlas that approaches the accuracy and comprehensiveness of The Atlas of the Human Brain. This is the third, thoroughly revised, edition of the very successful atlas that received the Award of Excellence from the American Association of Publishers. Constructed by the recognized leaders in brain cartography, the atlas provides the most detailed and accurate delineations of brain structure available. It is intended as an atlas for day-to-day use in the research laboratory to identify macroscopic and microscopic structures in the human brain as collected in research data with a variety of methods. It will also be particularly useful for the interpretation of magnetic resonance imaging data. The Atlas includes a DVD with not only the atlas in electronic format, providing electronic versions of drawings and photographs to facilitate use of atlas contents with researchers' own material, but also 3D visualisation software which allows easy browsing of the images, and a feature to allow direct retrieval of brain areas using coordinates obtained in magnetic resonance imaging.

To start with the Atlas: Just doubleclick on the file atlas.htm or open it with your browser.

Atlas of the Human Brain DVD-Rom (Third Edition)
Juergen Mai, George Paxinos, Thomas Voss
Academic Press 2007 HTM 839 Mb

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Futuro da Genética


The Future of Genetics considers where research in genetics, molecular biology, and medicine is headed while trying to cleanly separate facts from fiction and ideologies. This new volume explores the last 150 years and how different strands of biological research have become interwoven to create a new kind of interdisciplinary science. Exploring such famous literary works as Frankenstein, Brave New World, and Jurassic Park, as well as science-related events, this insightful resource presents a range of very new technologies that give scientists a broader view of life and provide new ways of manipulating organisms and the environment. It also focuses on some of the most fascinating questions that scientists pose about the future, including the causes of aging and death, the nature of the brain and mind, and the future of life on Earth. Genetics plays a key role in research for all of these areas; it may also be the gateway to improving people's lives and ensuring that the Earth remains a hospitable place to live.
Chapters include:
•The Origins of 21st-Century Biology
•Literature, Culture, and Social Perceptions of Science
•Studying Life in the Post-Genome Era
•The Future of Humanity and the World.

Se v. não sentiu firmeza nas abobrinhas da editoria, veja quem é Hodge:

Russ Hodge is a writer and science education expert at the Max Delbrück Center for Molecular Medicine (MDC) in Berlin, Germany, one of the world’s leading biology institutes, where he writes books about science for the public and develops new teaching materials for high school students. He has written hundreds of articles for the press, including published interviews with world-renowned scientists such as Nobel Prize winners James Watson, Max Perutz, Roald Hoffmann, and Christiane Nüsslein-Volhard, as well as Stephen Jay Gould, Luigi Luca Cavalli-Sforza, Stephen Rose, Philip Campbell, and Harold Varmus.

The Future of Genetics
Russ Hodge
Facts on File 2010 224 pages PDF 6,6 MB
http://tinyurl.com/269q5pn ou
http://www.megaupload.com/?d=TKEUY4WN

O Grego Antigo


Um exemplo: no livro The Cambridge Companion to Early Greek Philosophy, editado por A. A. Long (de quem sou fã), está o artigo Heraclitus, escrito por Edward Hussey. Muito bom, pode acreditar. Lá pelas tantas (p. 91), diz Hussey:

"Logos, que aparece aqui e em outros contextos importantes com relação a Heráclito, era uma palavra grega usada comumente. Significava basicamente 'o que foi dito', isto é, 'palavra', ou 'história'; entretanto, mesmo na fala grega ordinária ela tinha ricas ramificações de significado. Ela adquiriu os sentidos secundários de 'razão matemática', e mais geralmente 'proporção', 'medida' ou 'cálculo'; em uma outra extensão desses sentidos, ela aparece por volta da época de Heráclito em compostos com sentido de 'cálculo certo' e 'proporção razoável'."

E vai por aí afora. Como ficar sabendo dessa evolução e localizar as acepções da palavra "logos", e de muitas outras palavras importantes que foram o veículo do pensamento dos physiologoi, os filósofos da natureza, e acabaram por gerar toda essa confusão epistemológica em que estamos submersos? Parece coisa de doido, e de certa forma é mesmo. Mas aqui está um livro que pode ajudar.

"A comprehensive account of the language of Ancient Greek civilization in a single volume, with contributions from leading international scholars covering the historical, geographical, sociolinguistic, and literary perspectives of the language".
A Companion to the Ancient Greek Language
Egbert J. Bakker

terça-feira, 20 de abril de 2010

Foucault e a Filosofia


A seguir, parte da introdução escrita pelos editores Falzon & O'Leary.

The essays in this collection explore Foucault’s work as a philosopher, from his earliest publications to the recently edited courses at the Collège de France, both in relation to his engagement with philosophers who were important to him, and in relation to a range of important themes and problems in philosophy that his work can be taken to have a bearing on. While the essays typically deal with both aspects, they may be roughly divided up in terms of whether the first or the second aspect is predominant.

In the first group, Gary Gutting, in “Foucault, Hegel and Philosophy,” directly addresses the question of whether Foucault should be regarded as a philosopher through a consideration of his relation to Hegel (as interpreted by the great French Hegelian Jean Hyppolite, one of Foucault’s teachers in the early 1950s). Foucault himself raised the question of whether one could escape from Hegel and still be a philosopher. Gutting situates Foucault as standing opposed to Hegel the philosopher of absolute knowledge, but as nonetheless seeking to invent a non-Hegelian approach to the historical understanding of our situation; hence the archaeological and then genealogical approaches that he develops. Ultimately, Gutting argues, Foucault does not contribute to philosophy in the sense that has defined the discipline since Kant and Hegel: a body of theoretical knowledge about fundamental human questions. There is only an ethical and political commitment to a life of continual self-transformation, unhindered by unnecessary conceptual and social constraints; and Foucault’s intellectual enterprise is a critique of disciplines and practices that restrict the freedom to transform ourselves. Nonetheless, Gutting concludes, he can be seen as a philosopher “in the ancient sense of someone who sought, if not to know, then to live the truth.”

Foucault and Philosophy
Christopher Falzon & Timothy O’Leary (Edits)

A consolidação da memória

A revista Nature de 15 de abril ( aqui, ou aqui), em sua seção Neuroscience, traz esse filhote de notícia sobre a transcrição genética necessária para a consolidação de memórias. A descrição do mecanismo é bastante clara, mas estou procurando um artigo que se estenda mais sobre o assunto. Por enquanto, dê uma olhada nisso e leia os artigos de Roozendaal (2002) e de Alberini (1999, do qual traduzo uma pequena parte): essa questão já está na mira dos cientistas há muito tempo. Mais recente, o ensaio de Mauro Mattioli envereda pela bioquímica do processo e pode despertar o interesse de quem já está nesse nível. O artigo de Ken-Ichiro Yamashita e colegas também traz outras informações.

NeuroScience
Stressing memory

J. Neurosci. 30, 5037–5046 (2010)

A estimulação sensorial associada a uma classe de hormônios de estresse pode ser necessária para formar memórias de longo prazo, dizem Benno Roozendaal, da University of Groningen, na Holanda, Marcelo Wood, da University of California, Irvine, e colegas. Os autores deram hormônios glicocorticóides a ratos e camundongos e testaram se os animais se lembravam bem de objetos e suas localizações. Descobriram que os hormônios melhoravam a memória ao promover acetilação, a adição de grupos acetílicos a alvos nucleares. Esta modificação parece facilitar parte da transcrição genética necessária para a consolidação de memórias. Mas promover a acetilação na ausência do hormônio não melhorou a memória. Primeiro, o hormônio teve que ativar os receptores da membrana celular a fim de ativar uma cascata de eventos envolvidos no assentamento das memórias.
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Stress and Memory: Opposing Effects of Glucocorticoids on Memory Consolidation
and Memory Retrieval
Benno Roozendaal
Neurobiology of Learning and Memory 78, 578–595 (2002)
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Genes to Remember
Cristina M. Alberini
Department of Neuroscience, Brown University
The Journal of Experimental Biology 202, 2887–2891 (1999)

Há algumas décadas, a descoberta de que certos antibióticos inibiam a formação da memória quando administrados durante a aprendizagem mostrou que a formação da memória de longo prazo exige processos biológicos como a síntese de proteínas. Isto atraiu bastante atenção entre os neurobiólogos, e hoje está claro, a partir de um grande número de estudos feitos com diferentes espécies, de invertebrados a mamíferos, que um pré-requisito fundamental para a formação da memória de longo prazo é a expressão de genes durante e imediatamente após a aprendizagem. Este período crítico coincide com a fase de consolidação da memória, o período inicial necessário para transformar as informações recebidas em modificações estáveis e armazenáveis. Mesmo se a expressão genética for bloqueada após o término desse período crítico, a memória se forma normalmente. Nos últimos dez anos, os neurobiólogos moleculares se concentraram na identificação e caracterização dos genes e eventos moleculares necessários para a formação da memória de longo prazo. Estudos iniciados em dois sistemas de invertebrados, Aplysia californica e Drosophila melanogaster, revelaram muito sobre a base biológica da aprendizagem e da memória.
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Switching Memories ON and OFF
Mauro Costa-Mattioli 2008
Department of Neuroscience, Baylor College of Medicine
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Agora, um artigo ainda mais recente que invoca a participação de outras estruturas neurais.

Formation of Long-Term Memory Representation in Human Temporal Cortex Related to Pictorial Paired Associates
Ken-ichiro Yamashita et al.
Depart. of Physiology and Radiology, The University of Tokyo School of Medicine
The Journal of Neuroscience, August 19, 2009, 29(33):10335-10340

Abstract.It is widely held that long-term memory gradually develops in the temporal neocortex after initial memory encoding into the hippocampus. However, little is known as to whether and where long-term memory can be newly created in the human temporal neocortex. In this functional magnetic resonance imaging study, we detected brain activity in the temporal neocortex that was developed 8 weeks after study of unfamiliar pictorial paired associates. Two sets of paired Fourier figures were studied, one 8 weeks before test and the other immediately before test, keeping the correct performance during the tests balanced across the two sets of stimuli. Significant signal increase was observed in the right hippocampus during retrieval of newly studied pairs relative to initially studied pairs. In contrast, significant signal increase was observed in the anterior temporal cortex during retrieval of initially studied pairs relative to newly studied pairs. The greater activity during retrieval of older memory developed in the temporal neocortex provides direct evidence of formation of temporal neocortical representation for stable long-term memory.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cérebro se divide para lidar com duas tarefas


Brain splits to handle two jobs at once
PhysOrg, April 16, 2010 by Lin Edwards

Novas pesquisas mostraram que o cérebro lida com duas tarefas ao mesmo tempo dedicando uma de suas metades para cada tarefa. Isto significa que ele pode não lidar eficientemente com mais de duas tarefas complicadas simultaneamente.

O córtex frontal medial é uma região da parte da frente do cérebro, sobre os olhos, e considera-se que controla a procura de recompensas por realizar uma tarefa com sucesso. Cientistas do National Institute for Health and Medical Research (INSERM), em Paris, imaginaram o que acontece quando se pede a uma pessoa que execute dois trabalhos ao mesmo tempo. Para descobrir, utilizaram fMRI para monitorar a atividade de 16 voluntários do sexo masculino e 16 voluntárias do sexo feminino, todos com 19 a 32 anos de idade e destros, enquanto realizavam duas tarefas relacionadas. Uma recompensa monetária foi oferecida aos voluntários, mas reduzida se cometessem erros.

As tarefas consistiam em combinar letras maiúsculas e combinar letras minúsculas, mudando constantemente de uma tarefa para outra. As recompensas para cada tarefa eram calculadas separadamente, e dependiam dos cartões combinados sem erros. Os pesquisadores, neurocientistas Sylvain Charron e Etienne Koechlin, descobriram que quando os voluntários executavam apenas uma tarefa, as duas metades do córtex frontal medial trabalhavam nela, mas quando se dedicavam às duas tarefas simultaneamente, o lado esquerdo do córtex frontal correpondia a uma das tarefas e o lado direito correspondia à outra, com os dois lados trabalhando independentemente. Os resultados melhoraram à medida que a recompensa monetária aumentou (
CLM - veja o artigo Motivation and Cognitive Control..., abaixo), e não houve diferença significativa entre os resultados dos homens e das mulheres.

O prof. Koechlin disse que os resultados sugerem que o cérebro só pode lidar eficientemente com dias tarefas simultaneamente porquesó tem dois hemisférios. Para testar isso, os cientistas convocaram mais 16 voluntários e adicionaram uma terceira tarefa às duas anteriores: combinar letras da mesma cor. Esse grupo esquecia consistentemente de uma das três tarefas, e também cometeu três vezes mais erros do que os sujeitos das tarefas duplas. Isso significa, explicou Koechlin, que se v. tenta executar três tarefas ao mesmo tempo o córtex frontal vai sempre negligenciar uma delas.

O artigo ref. a essa pesquisa foi publicado online no exemplar de 15 de abril da revista Science. As escobertas podem ter aplicações práticas em áreas nas quais as pessoas fazem multitarefas rotineiramente, como controle de tráfego aéreo, e em condições neurológicas nas quais a capacidade para executar multitarefas esteja perdida.
Veja: Divided Representation of Concurrent Goals in the Human Frontal Lobes, Science 16 April 2010: Vol. 328. no. 5976, pp. 360 - 363. DOI:10.1126/science.1183614
Veja também:

Motivation and cognitive control in the human prefrontal cortex
Frédérique Kouneiher, Sylvain Charron & Etienne Koechlin 2009

Arquitetura cortical do controle cognitivo

Exercite seu francês: tese apresentada na Université Paris 6, e que tem Stanislas Dehaene na banca. Outro componente da banca é Etienne Koechlin, um dos autores do outro artigo postado hoje. Acho que o conteúdo da tese, que não li por preguiça aliada a falta de tempo, deve ser menos chatinho do que essa introdução aí abaixo: o assunto é muito interessante.

L’architecture corticale du contrôle cognitif chez l’Homme
Chrystèle Ody 2007
(Tese de Doutorado)

Esta tese é composta de sete capítulos. O primeiro é uma introdução às funções do córtex préfrontal (CPF) e uma revisão da literatura sobre os principais resultados experimentais referentes ao CPF, entre os quais boa parte trata da neuropsicologia. Esse capítulo termina com uma revisão rápida das interações entre as regiões frontais e posteriores e as funções posteriores.

O segundo capítulo é uma revisão das principais teorias que foram enunciadas a respeito do CPF lateral.

No terceiro capítulo, apresentamos o modelo em cascata que desenvolvemos no decurso de minha tese, e segundo o qual o CPF lateral está organizado como uma cascata de níveis de controle que permitem a seleção das ações. Este modelo se fundamenta sobre a teoria da informação para quantificar a informação relativa a cada um dos níveis de controle. Esse modelo hipotetiza que as regiões do CPF lateral se distinguem pelo nível de integração temporal, sendo que a parte anterior seleciona as tarefas a partir de sinais imediatos e a parte anterior seleciona as representações no CPF posterior a partir do episódio temporal no qual evoluimos e que é definido pelos sinais anteriores. Os três capítulos seguintes correspondem aos nossos trabalhos experimentais redigidos sob a forma de artigos.

No quarto capítulo, colocamos em evidência a organização hierárquica ("em cascata") do controle cognitivo no CPF lateral. Nós mostramos que, enquanto os sujeitos respondem aos estímulos, o córtex prémotor está engajado no controle sensorial, a parte posterior do CPF lateral no controle contextual e a parte anterior do CPF lateral no controle episódico, cada região recebendo influências da região justamente anterior.

No quinto capítulo, mostramos que as mesmas regiões frontais laterais engajadas nos controles sensorial, contextual e episódico estão engajadas na preparação da apresentação dos estímulos, e que a preparação é eficaz do mais alto nível de controle até o mais baixo nível de controle que se pode preparar.

No sexto capítulo, nós testamos a hipótese de Joaquin Fuster segundo a qual cada região do CPF lateral forma uma rede funcional de "percepção-ação" com uma região específica do córtex parietal posterior ou temporal. Confirmando essa hipótese, nós mostramos que a cada região frontal engajada no controle cognitivo está associada uma região funcionalmente homóloga no córtex parietal. Mostramos ainda que a organização funcional dessas regiões parietais é mais modular do que hierárquica.

O sétimo capítulo é uma breve discussão geral.

domingo, 18 de abril de 2010

Hallelujah


Esta pneumática canção de Leonard Cohen (foto acima) tem interpretações memoráveis, como toda composição que pega na veia e estraçalha teu coração já meio carangueijola. Arriscam a reputação tentando cantá-la: Jared Allan & Company, Hotband, Beirut, Sting, Suzanne Vega, Willie Nelson, David Bazan, Bob Dylan, Kathryn Williams, Katherine Jenkins, Jeff Buckley e o próprio poeta. Além dumas outras cento e quarenta figuras, é claro. A integridade da letra, sua versão definitiva, permanece uma questão aberta: investigue o assunto lendo o excelente artigo de Elisa Bray no Independent (UK). Bray deixa entrever que existe uma versão "litúrgica" e outra "erótica", o que é menas verdade, é claro: a primeira não traz "There was a time/You let me know..." mas conserva uma das passagens mais erotizadas da Bíblia, quando David arde por Bathsheba (Samuel 2, 11:2-5). Isto é, a passagem não tem nada demais; foram os pintores da Idade Média que se regalaram retratando uma mulher de formas provocantes tomando banho à luz da lua e transformando o desejo repentino do rei numa alegoria carnal (que teve final infelicissímo, este sim imoral - a morte encomendada do marido da referida senhora).

Hallelujah é claramente uma canção de amor moderna, trabalho de um poeta que conhece os livros e as ruas. Na vida real, muitas coisas dão errado desastrosamente. Principalmente coisas delicadas como o amor, com toda a exaltação e os transportes que ele ocasiona, os erros grandes e pequenos que o envenenam e inviabializam. Não há histórias de amor com final feliz porque é impossível que dois seres ocupem o mesmo lugar ontológico num desvão qualquer desse universo, mesmo quando tentam fundir suas estruturas físicas num abraço apaixonado. Ainda assim, o poeta faz o melhor que pode - reconhecendo a derrota, tenta descrevê-la e finge a dor que deveras sente para que nós possamos nos consolar, mesmo sabendo que não há escapatória.

A versão de Jeff Buckley, que conheci numa passagem do antigo seriado OC, ilustrava uma cena em que um dos personagens velejava na direção de um poente glorioso. Chocante. Então fiquei conhecendo a versão "American Idol - UK" de Alexandra Burke. Ms. Burke profetiza o apocalipse interior que nos deixa aos pedaços - sua voz é uma substância ainda não descrita pela ciência que penetra materialmente nos tecidos vivos que nos representam em dimensões cartesianas e faz vibrar em pandemônio cada uma de nossas moléculas. Isso ocorre porque no fundo, no fundo, todos nós sabemos.

Alexandra Burke, aqui no YouTube.

"Hallelujah"

Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah

Hallelujah Hallelujah
Hallelujah Hallelujah


Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah


You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah


I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah (repeat)

sábado, 17 de abril de 2010

Snuff Johnson - Blues


Snuff Johnson é um bluesman da antiga, violão de cordas de aço na varanda do barraco (strumming on the porch), mas eu nunca tinha ouvido qualquer coisa dele. Como o excelentíssimo frontman do Fabulous Thunderbirds, Kim Wilson, participa do CD na gaita, vou nessa. Além do mais, Will the Circle Be Unbroken é um musicão.

Alfred ''Snuff'' Johnson - Will The Circle Be Unbroken (1994)
MP3 320 Kbps HQ 138 MB Covers Included
Genre: Blues Label: Black Magic Release Date: Sep 1997
Tracklist:
1. Will the Circle be Unbroken 3:55
2. Hobo Blues 4:38
3. Army Blues 3:59
4. Nobody 's Fault But Mine 2:56
5. Blues in the Bottle 4:05
6. 45 Blues 4:00
7. Black Gal 3:25
8. Baby, Please Don't Go 3:48
9. Spend My Money 5:24
10. Two Trains Running 4:27
11. Jack Johnson Blues 3:44
12. Hey, Little Girl 2:59
13. Rock Me, Baby 3:38

Buddy Whitington


Como minha ignorância não tem limites, nunca ouvi BW, mas se John Mayall acha que o cara toca muito, quem sou eu para mal y penser? (Veja o detalhe na camiseta do bicho...)

Buddy Whittington - Buddy Whittington - 2007
Mp3 320 kbps 42:54 99,3 MBBlues Hurricane Sound

Tracks:
01. Young & Dumb
02. Pay The Band
03. Minor Blues
04. Stevie Rave On
05. Second Banana
06. Greenwood
07. Can't Be Good For Me
08. Romance Classified
09. Sure Got Cold After The Rain Fell
10. Every Goodbye Ain't Gone

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PASSWORD - pichu

Where Blues Meets Rock


Como a postagem do dia 14 (Vol. 1), é recomendadíssimo. Fica implícito que não é pelo disco todo, mas por aquelas músicas que fazem toda a diferença.

VA - Where Blues Meets Rock Vol. 2 (1996)
Released: 1996 mp3 320 kbps 135 mb
Genre: Blues Label:Provogue

Tracks:
01 World Of Trouble - Omar & The Howlers
02 How Much Do You Want - Trout, Walter Band
03 Blues Will Call Your Name - Hole, Dave
04 Attack Of Badness - Katon, Michael
05 Sooner Or Later - Mack, Bobby
06 Come To Poppa - Hamsters
07 Steppin' Out - Travers, Pat
08 If I Hold On To You - James, Jan
09 Hypnotised - Rev Brown
10 I Can't Stand It - Blues Mobile Band
11 Itty Bitty Mama - Tognoni, Rob
12 Rainy Day - Marton, Tolo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E por falar em sintaxe...


Da editoria:This monumental reference resource offers a comprehensive survey of the field of syntax as it has been studied over the last 40 years. Made up of 70 extensive case studies written by 80 of the world’s leading linguists, it gives a complete overview of the empirical facts and theoretical insights gleaned in syntactic research in recent decades.Under the editorial direction of Martin Everaert and Henk van Riemskijk, this comprehensive multi-volume set comprises case studies commissioned specifically for this volume. Contributors are drawn from an international group of prestigious linguists, including Joe Emonds, Sandra Chung, Susan Rothstein, Adriana Belletti, Jim Huang, Howard Lasnik, and Marcel den Dikken, among many others.Each set features an accessible alphabetical structure, with an index integral to each volume.

“The Blackwell Companion to Syntax, unique in character and designed with great skill and care, is sure to be a rich source of high-quality information on critically important topics, and an invaluable research tool for the study of language.” Noam Chomsky, Massachusetts Institute of Technology.

The Blackwell Companion to Syntax (5 Volume Set)
Martin Everaert, Henk Van Riemsdijk, Rob Goedemans & Bart Hollebrandse

A questão da consciência


"Consciousness matters. Arguably it matters more than anything. The purpose of this book is to build towards an explanation of just what the matter is." Nicholas Humphrey begins this compelling exploration of the biggest of big questions with a challenge to the reader, and himself. What's involved in "seeing red"? What is it like for us to see someone else seeing something red? Seeing a red screen tells us a fact about something in the world. But it also creates a new fact--a sensation in each of our minds, the feeling of redness. And that's the mystery. Conventional science so far hasn't told us what conscious sensations are made of, or how we get access to them, or why we have them at all. From an evolutionary perspective, what's the point of consciousness? Humphrey offers a daring and novel solution, arguing that sensations are not things that happen to us, they are things we do - originating in our primordial ancestors' expressions of liking or disgust. Tracing the evolutionary trajectory through to human beings, he shows how this has led to sensations playing the key role in the human sense of Self. The Self, as we now know it from within, seems to have fascinating other-worldly properties. It leads us to believe in mind-body duality and the existence of a soul. And such beliefs--even if mistaken--can be highly adaptive, because they increase the value we place on our own and others' lives. "Consciousness matters," Humphrey concludes with striking paradox, "because it is its function to matter. It has been designed to create in human beings a Self whose life is worth pursuing."

Seeing Red: A Study in Consciousness
Nicholas Humphrey
Belknap Press of Harvard University Press 2009) 160 pages PDF 1.6 MB
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Um modelo biológico da linguagem


Ruth Millikan is well known for having developed a strikingly original way for philosophers to seek understanding of mind and language, which she sees as biological phenomena. She now draws together a series of groundbreaking essays which set out her approach to language. Guiding the work of most linguists and philosophers of language today is the assumption that language is governed by prescriptive normative rules. Millikan offers a fundamentally different way of viewing the partial regularities that language displays, comparing them to biological norms that emerge from natural selection. This yields novel and quite radical consequences for our understanding of the nature of public linguistic meaning, the process of language understanding, how children learn language, and the semantics/pragmatics distinction.

Language: A Biological Model
Ruth Garrett Millikan
Oxford University Press pages: 240 2005 PDF 12 mb
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cognição, Evolução e Comportamento


Resenha de Nick Clayton, na revista Nature (April 8, 2010), para o livro de Shettleworth.

O estudo da vida mental dos animais - cognição comparada - é relativamente novo. Ainda que Charles Darwin tenha sugerido no século 19 que as características mentais, assim como morfológicas, estão sujeitas à seleção natural, o estudo da cognição de animais só deslanchou na década de 1970, fruto de uma parceria entre os campos da psicologia comparada e do comportamento animal. Na última edição de Cognition, Evolution and Behavior, a psicóloga experimental Sara Shettleworth nós dá uma síntese de alto nível do pensamento atual nesse campo em franco progresso.

O livro é muito mais do que uma revisão, refletindo os desenvolvimentos que transformaram esse campo na década seguinte à primeira edição. Ao mesmo tempo em que tópicos como a cognição espacial - explorar como os animais navegam, e de que se lembram acerca de seu ambiente espacial - tenham tido progressos graduais, outros explodiram. Os capítulos sobre cognição numérica e social, que cobre como os animais avaliam quantidades e o que sabem sobre seu mundo social, agora se estende para além dos primatas até espécies tão diversas como cães, cabras, corvos, pássaros e peixes. Shettleworth também discute áreas recentes de estudo, incluindo a memória episódica, o planejamento futuro e o auto-conhecimento do animal sobre o que ele conhece (metacognição).

Ao adotar uma visão abrangente, Shettleworth resolve dois enigmas críticos da cognição comparada. O primeiro é um ponto de tensão entre as explanações behaviorista e mentalista dos comportamentos complexos - a saber, se a presença de um estímulo simplesmente ativa uma resposta comportamental ou se engaja um conjunto de inferências cognitivas. Adotando a posição crítica do behaviorista e reconhecendo os conceitos teóricos do mentalista, Shettleworth integra as duas perspectivas de maneira bem documentada.

Uma segunda tensão é se a cognição comparada deveria ser vista como um conjunto de especializações adaptativas - de habilidades espaciais a espertezas sociais - ou se os processos de propósito geral, como a aprendizagem associativa, têm maior poder explanatório. Também aqui, ela argumenta que os dois processos têm sua parte na explicação de como surgem as habilidades cognitivas. A análise de Shettleworth irá catalisar o desenvolvimento de teoria ampla e integrada da cognição comparada. Esta segunda edição nos apresenta uma síntese considerável e um maior amálgama teórico juntamente com outras disciplinas como desenvolvimento infantil, ciência cognitiva e neurociência. O resultado é uma visão detalhada e bem provida de nuances, embasada biologicamente, de como e porque as capacidades cognitivas de diversas espécies podem ser as mesmas e ainda assim apresentarem diferenças.

Nicky Clayton is professor of comparative cognition in the Department of Experimental Psychology, University of Cambridge, UK.

Cognition, Evolution, and Behavior
Sara J. Shettleworth
Oxford University Press 2009 720 pages PDF 8 MB
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Origem e Evolução das Culturas


Da editoria: A editora Oxford apresenta, em um volume conveniente e coerentemente organizado, vinte artigos influentes - mas até agora relativamente incessíveis - queformam a espinha dorsal do trabalho pioneiro de Boyd & Richerson sobre evolução e cultura. Sua pesquisa interdisciplinar se baseia em duas noções. Primeira, a cultura é crucial para se entender o comportamento humano; à diferença de outros organismos, crenças, atitudes e valores transmitidos socialmente influenciam fortemente nosso comportamento. Segunda, a cultura é parte da biologia: a capacidade de adquirir e transmitir cultura é uma componente derivada da psicologia humana, e os conteúdos da cultura estão profundamente interligados em nossa biologia.

Portanto, a cultura é um agregado de informações armazenadas nos cérebros da população, e que é transmitida de um cérebro para outro através de processos sociais de aprendizagem. Portanto, a cultura pode explicar tanto nosso notável sucesso ecológico como as inadaptações que caracterizam parte do comportamento humano. O interesse por essa coleção se estenderá até os interessados em antropologia, psicologia, economia, filosofia e ciência política.

The Origin and Evolution of Cultures
Robert Boyd, Peter J. Richerson

Neuropsicologia da doença mental


It is widely accepted that most psychiatric disorders are associated with cognitive impairment and that neuropsychological approaches can help unravel the mechanisms underlying brain function and help us develop a better understanding of these disorders. In this book, a panel of the world's leading experts describe the development of neuropsychological approaches to the investigation, description, measurement and management of a wide range of mental illnesses. Part One explains the rationale for examining neuropsychological processes within clinical disorders, leading into Part Two summarizing and critiquing the methodological approaches to study. Part Three covers each of the major psychiatric disorders and provides a summary of the neuropsychological findings for each condition. The final section brings together the perspectives of neuroscientists, psychiatrists and philosophers. Essential reading for all those studying the healthy as well as the disordered brain, The Neuropsychology of Mental Illness will appeal to specialists from the fields of mental health, psychology, clinical neuroscience and philosophy.

The Neuropsychology of Mental Illness
Stephen Wood, Nicholas Allen & Christos Pantelis (Edits)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

De que são feitas as memórias?

Picking our brains: What are memories made of?
Emma Young

30 March 2010 Issue 2754.

Artigo da revista New Scientist. Breve, mas trazendo novidades da neurofisiologia da memória. Leia a tradução completa.

Memórias são a matéria básica do pensamento. Nós acessamos nosso estoque de conhecimento sempre que executamos uma tarefa, nos comunicamos através da fala ou formulamos o mais simples dos conceitos. Mas a forma física da memória sempre foi misteriosa. Que mudanças ocorrem no cérebro quando uma nova memória é codificada?

Uma coisa que sabemos é que a formação da memória envolve o fortalecimento de conexões sinápticas entre neurônios. Utilizando lesmas do mar, que têm um sistema nervoso relativamente simples, uma equipe liderada por Kelsey Martin, da University of California, Los Angeles, tornou-se no ano passado a primeira a observar as memórias sendo fabricadas, sob a forma de novas proteinas aparecendo nas sinapses.

Entretanto, onde é que o conhecimento é armazenado nos cérebros complexos dos mamíferos? As memórias de curto prazo, como um número de telefone a ser utilizado, parecem ser armazenadas em duas pequenas estruturas aneladas chamadas de hipocampos, situadas nas profundezas dos dois hemisférios do cérebro. Em 2008, Courtney Miller e David Sweatt, da University of Alabama em Tuscaloosa, demonstraram em ratos que durante a primeira hora após um evento memorável tínhamos modificações químicas no DNA dos neurônios dessa área, alterando as proteinas produzidas. Na semana subsequente, sobrevieram mudanças similares nos genes de neurônios do córtex.

Essas modificações pareciam ser permanentes, indicando que as memórias de longo prazo são armazenadas ali. A dupla de cientistas achou que estavam vendo memórias de curto prazo formando-se no hipocampo, que então se tornavam memórias de longo prazo no córtex. O cérebra presta especial atenção em coisas que nos atemorizam, já que lembrá-las pode significar a diferença entre vida e morte. Sabe-se que uma estrutura próxima ao hipocampo, chamada amigdala. desempenha um papel na estampagem dessa marca indelével. No último ano, uma equipe liderada por Sheena Josselyn no Hospital for Sick Children em Toronto, Canada, descobriu que podiam apagar, em ratos, uma memória atemorizante de um ruído eliminando neurônios da amigdala cujas sinapses tinham sido reforçadas recentemente, depois de uma exposição ao ruído. Foi a primeira vez que uma memória específica pôde ser localizada nas células nervosas que as tinham codificado. Mas ainda estamos longe de observar uma memória de um ser humano.
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Esse é o primeiro de uma série de nove artigos da revista New Scientist dedicados ao cérebro. São eles: (1) What are memories made of? , (2) Will we ever be able to regenerate the brain? , (3) What are mirror neurons? , (4) How many states of consciousness are there? , (5) How powerful is the mind-body connection? , (6) Why are some people smarter than others? , (7) Can mental illness make you creative? , (8) How powerful is the subconscious? e (9) Will we ever create a conscious machine?