sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Expressão do Tempo

“O tempo é a categoria mais fundamental da cognição e da ação humanas, e todas as linguagens/línguas humanas desenvolveram muitos meios de expressá-lo. Eles incluem categorias verbais como tempo do verbo e aspecto, mas também advérbios, partículas e princípios de organização do discurso. O livro consiste essencialmente de tutoriais sobre as diversas noções de tempo, sua codificação em diversas linguagens/línguas, e sobre semântica formal, modelagem computadorizada e aquisição de temporalidade. Também inclui capítulos sobre representação mental e estruturação da perspectiva do tempo e do evento. Conclui com uma abrangente bibliografia.”

The Expression of Time (The Expression of Cognitive Categories - 3)
Wolfgang Klein & Ping Li (edits)

Mouton de Gruyter 2008 320 pages PDF 3 MB
http://depositfiles.com/files/s6i5p64kn

A metáfora, para especialistas

“Neste livro, Earl Mac Cormac apresenta uma teoria cognitiva original e unificada da metáfora usando argumentos filosóficos que se valem de evidências de experimentos e teorias psicológicos. Ele chama a atenção para as implicações dessa teoria quanto a significado e verdade, com atenção específica para a metáfora enquanto ato de fala, para o significado icônico da metáfora e para o desenvolvimento de um sistema de quatro valores (four-valued) da verdade. Diversos exemplos de metáfora, da poesia à ciência, são apresentados e analisados para darem apoio à teoria de Mac Cormac. Uma Teoria Cognitiva da Metáfora supõe três níveis de explicação – a metáfora como é expressada na linguagem de superfície, a semântica da metáfora e a metáfora enquanto processo cognitivo – e os unifica, interpretando a metáfora como um processo evolutivo de conhecimento em que as metáforas fazem intermediação entre as mentes e a cultura. Mac Cormac avalia, e rejeita, a teoria radical de que todo uso de linguagem é metafórico; entretanto, esse argumento também reconhece que a teoria da metáfora pode, ela própria, ser metafórica”.

A Cognitive Theory of Metaphor
Earl Mac Cormac

The MIT Press 1989 PDF 264 pages 30 mb
www.megaupload.com/?d=1JQG0GS7

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sistemas Cognitivos – Processamento de Informação & Neurociência


Essas notas da editoria, como sempre, estão um desastre. O livro deve ser bom, a julgar pelas qualificações dos colaboradores.

“Este livro apresenta uma visão geral da pesquisa emocionante e verdadeiramente multidisciplinar feita por neurocientistas e engenheiros de sistemas no campo emergente dos sistemas cognitivos, fazendo um exame cruzado entre as disciplinas desta novíssima área da pesquisa científica. Este é um grande exemplo sobre o ponto onde as pesquisas de diferentes disciplinas se tocam para criar uma nova área de pesquisa. O livro ilustra alguns dos desenvolvimentos técnicos que poderiam surgir a partir de nossa crescente compreensão de como os sistemas cognitivos vivos funcionam, e a capacidade de usar esse conhecimento no projeto de sistemas artificiais. Este livro único é de considerável interesse para pesquisadores e estudantes de ciências da informação, neurociência, psicologia, engenharia e áreas adjacentes.
- Representa uma notável reunião de importantes especialistas tanto das ciências biológicas como da ciência da computação
- Inclui revisões sofisticadas de tópicos de sistemas cognitivos da perspectiva tanto das ciências biológicas como da ciência da computação
- Discute o impacto desta pesquisa em nossas vidas em um futuro próximo.

Cognitive Systems - Information Processing Meets Brain Science
Richard G.M. Morris, Lionel Tarassenko, and Michael Kenward
Springer 2005 310 pages PDF 2.46 MB
http://uploading.com/files/CL0JE50T/CogniSys.rar.html

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Essays on Conrad

Doze ensaios do grande Ian Watts, com prefácio de Frank Kermode. É o cão chupando manga!

“Ian Watt (1917-1999) has long been acknowledged as one of the finest of postwar literary critics, and among the most learned of those writing about the work of Joseph Conrad. Essays on Conrad is a collection of Watt's most characteristic essays on Conrad's work. Watt's own philosophy, as well as his insight into Conrad's work, was shaped by his experiences as a prisoner of war on the River Kwai. His moving account of these experiences completes this essential collection of Watt essays”.

Essays on Conrad
Ian Watts
Introduction by Frank Kermode
Cambridge University Press 2000 Pages: 226 PDF 1.67 MB
http://uploading.com/files/4HKV6LPU/g06.rar.html

A consciência segundo Edelman


Gerald M. Edelman, logo no princípio desse livro, faz sua opção pelo materialismo: “Antes de fazer isso, será útil para esclarecer o assunto se primeiro estabelecermos que a consciência é completamente dependente do cérebro. Os gregos e outros acreditavam que a consciência residia no coração, uma idéia que sobrevive em muitas de nossas metáforas comuns. Hoje, existe grande quantidade de evidências empíricas para sustentar a idéia de que a consciência emerge da organização e do funcionamento do cérebro. Quando a função cerebral é restringida – na anestesia profunda, depois de certas formas de trauma cerebral, depois de AVEs e em certas fases limitadas do sono – a consciência não está presente. Não existe retorno das funções do corpo e do cérebro após a morte, e a experiência post-mortem é simplesmente impossível. Mesmo durante a vida não há evidência científica de um espírito flutuante ou de consciência externa ao corpo: a consciência é incorporada. A questão se torna, então: Que características do corpo e do cérebro são necessárias e suficientes para que a consciência surja? Podemos responder melhor a esta pergunta especificando como as propriedades da experiência consciente podem emergir a partir de propriedades do cérebro”.

Edelman, ainda nesse início, evoca o testemunho de William James (de seu ensaio ‘A consciência existe?’) para estabelecer uma importante característica da consciência: ela não é uma coisa, é um processo. Esta abordagem evita uma via ‘frenológica’ no estudo da consciência (“As evidências, como veremos, revelam que o processo da consciência é uma realização dinâmica das atividades distribuídas de populações de neurônios em muitas áreas diferentes do cérebro”), além de apontar para a relação noese-noema entre sujeito e objeto (introduzindo a necessidade da noção fenomenológica de intencionalidade) e acenar para uma possível metodologia dialética que parece ser a indicada para lidar com o ‘presente rememorado’ (remembered present, sobre o qual escreveu The Remembered Present: A Biological Theory of Consciousness, de 1989), que é como ele chama a tomada de consciência da vida perceptiva pelos humanos (“A consciência parece mudar constantemente, e ainda assim ser, a cada momento, inteira – o que chamei de ‘presente rememorado’ – refletindo o fato de que toda a minha experiência passada toma parte na formação de minha percepção integrada desse único momento”. p. 8). Uma retotalização sartriana (da Crítica da Razão Dialética) a cada intervalo entre essas percepções integradas sucessivas mas não estanques.

Edelman é médico, pesquisador, professor (e completou 70 anos no dia 1 de julho). Seu CV tem mais de uma página (em espaço simples) só de honrarias e prêmios, inclusive o Nobel de Medicina e Fisiologia em 1972. Só de ler v. já fica meio cansado: imagina ter feito tudo aquilo. Sua obra escrita (essa lista não inclui o livro Second Nature, de 2006, e outras coisas mais atuais) também é esfalfante. Esse sujeito não pára nunca?

Um trechinho das notas da editoria complementa a apresentação dessa obra:

“Conciso e inteligível, esse livro explica achados pertinentes da moderna neurociência e descreve como a consciência surge em cérebros complexos. Edelman explora a relação da consciência com causação, evolução, com o desenvolvimento do eu, e com as origens dos sentimentos, da aprendizagem e da memória. Sua análise das atividades cerebrais que são fundamento da consciência se baseia em recentes e notáveis progressos em bioquímica, imunologia, tomografia médica, neurociência e biologia evolutiva, mas as implicações desse livro vão bem além dos mundos da ciência e da medicina, em direção a virtualmente todas as áreas da investigação humana”.

Gerald M. Edelman
Wider than the Sky: The Phenomenal Gift of Consciousness

Yale University Press 2004 224 pages PDF 1,2MB
http://rapidshare.com/files/261332668/0300102291_Wider_Than_the_Sky.rar.html

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mentes e Computadores

Esse livro de Matt Carter começa chatérrimo e sem graça: “Este é um livro sobre mentes. Também é sobre computadores. Principalmente, nos interessaremos em examinar a relação entre mentes e computadores”. Bem, a culpa é dos editores: qual deles, em plena posse de suas faculdades mentais, deixaria passar ileso esse primeiro parágrafo? Já no clima: será que foi avaliado por uma máquina? Nada como um leitor inquieto para ajudar a ressuscitar um livro: vamos aos capítulos, ao desenvolvimento da coisa toda.

Prossegue o livro: “Na ficção mais moderna, a idéia de uma mente mecânica deu lugar à noção, hoje lugar-comum, de uma inteligência artificial computacional. A possibilidade de realmente desenvolver a inteligência, entretanto, não é apenas questão de uma tecnologia suficientemente avançada. É fundamentalmente uma questão filosófica.

É principalmente desta questão que trataremos por todo o livro. Para que possamos ter uma posição bem informada para considerarmos a possibilidade da inteligência artificial, precisaremos responder a diversas questões relacionadas.

Em primeiro lugar, estaremos indagando o que é a mente humana. O século 20 testemunhou uma sucessão de teorias filosóficas da mente, culminando com a teoria atualmente dominante, que acomoda a possibilidade da inteligência artificial. Nossa primeira meta, que passaremos os dez primeiros capítulos investigando, é articular claramente essa teoria. (...)

Vamos focalizar duas habilidades mentais que são distintamente humanas – nossa capacidade de raciocínio e nossa facilidade para a linguagem. Nossa primeira meta nos capítulos 11 a 20 será comparar o que conhecemos sobre as habilidades racionais e linguísticas humanas com métodos para implementá-las computacionalmente. (...)

Dito isso, estaremos examinando materiais de filosofia, psicologia, linguística, neurociência e ciências da computação – as disciplinas que constituem a ciência cognitiva”.

O estilo geral do livro está bem exemplificado na seção sobre consciência:

“É um fato incontornável – mas talvez não irredutível – da mentalidade humana que temos consciência. A palavra ‘consciência’, entretanto, é usada de muitas maneiras. Algumas vezes é usada para se referir à percepção do nosso eu e à distinção entre o nosso eu e o resto do mundo – nossa auto-consciência. Algumas vezes é usada apenas para distinguir entre nossos estados de alerta e de sono – ou inconscientes.

Em certas religiões, ter consciência significa ser provido de alma. Na teoria psicanalítica, a mente consciente é comumente diferenciada da mente subconsciente, e ambas estão tipicamente sempre sob diversos tipos de tensão que só a psicanálise pode resolver. Mais filosoficamente, estar consciente envolve ter a capacidade de experiência subjetiva, e de ter as qualidades privilegiadas associadas, de primeira-pessoa, da experiência – as qualia”.

Muito didático, como se pode ver, e o leitor que precisar de um guia para uma excursão através do território das ciências cognitivas estará com ele nas mãos.

Minds and Computers: An Introduction to the Philosophy of Artificial Intelligence
Matt Carter
Edinburgh University Press 2007 PDF 240 pages 1.05 MB
http://depositfiles.com/files/fbg2xo7zd

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cantando Bach


Esse é o nome do artigo de Andreas Scholl sobre sua experiência, desde a infância, com o canto coral. Vou traduzir o princípio:

“Com a idade de nove anos, eu cantava na Paixão de São João, de Bach, com o ‘Kiedricher Chorbuben’, o coro de meninos de minha cidade natal.

Nunca vou esquecer o entusiasmo de todos os meninos, e a intensidade do nosso canto nas linhas finais do último coro, , ‘Herr Jesus Christ, erhöre mich, erhöre mich/Ich will dich preisen ewiglich’ (Senhor Jesus Cristo, ouça-me, vou glorificá-lo através da eternidade).

De algum modo, parecíamos estar possuídos pela grande obra de Bach. Será possível que crianças avaliem completamente todos os aspectos dessas composições? Dado o desafio que são as árias de Bach, mesmo para cantores adultos experimentados, vamos colocar isso em dúvida.

Mas o que quer dizer ‘entendimento’? No alemão nós distinguimos entre ‘verstehen’ (entender) e ‘begreifen’ (apreender).

Acho que ainda que uma criança não possa ser capaz de analisar uma composição e ganhe acesso a ela através de seu intelecto ou de sua compreensão, ela ainda assim é capaz de ‘apreender’ as intenções de uma composição em sua inteireza através de sua experiência, mais do que por análise.Isso é algo que eu chamo de lado ‘gnóstico’ do canto. No gnosticismo, as próprias experiências pessoais do indivíduo, o ‘saber’, significa mais do que ‘acreditar’ nos ensinamentos adquiridos”.

Leia o resto nesse site, aproveitando para ver os outros artigos, que são muito bons e normalmente escritos por maestros, instrumentistas e especialistas :

http://www.goldbergweb.com/en/magazine/essays/2005/06/31982.php

Mozart


Estou procurando há tempos uma cópia de The Cambridge Grammar of the English Language. Sabe-se lá como, sabe-se lá por que, a Cambridge University Press simplesmente não larga o osso: v. pode baixar toneladas de outros livros da editora, mas não a CGEL. Em mais um capítulo emocionante dessa minha procura, o que aparece? The Cambridge Mozart Encyclopedia, que imediatamente passo a todos. Os verbetes são muito bem cuidados, e além deles temos a lista dos filmes e DVDs de obras, uma listagem de websites mozartianos e as obras completas por número Köchel, isto é, o catálogo desde o Minueto em Do Maior K 1 (feito quando o compositor tinha uns cinco anos) até sua última obra, o Requiem K 626, aquela que começa com Constanze gritando pelo cachorro da janela da casa: Rex! Rex!

The Cambridge Mozart Encyclopedia
Editors:
Cliff Eisen (Reader in Historical Musicology at King’s College London).
Simon P. Keefe (Professor and Head of Music at City Univ. London).
Cambridge University Press 675 pages 2005 PDF 2,6 MB
http://rapidshare.com/files/90711278/Mozart.rar

sábado, 25 de julho de 2009

Summer Mix


Summer Mix é o nome arqueológico daquelas fitas K7, normalmente de 60 min, que eram montadas antigamente com as músicas que no entender do autor representavam essa estação do ano. É claro que existiam outras estações e outros temas, mas esse post se chama Summer Mix porque o site da dica de hoje tem esse nome. Mas esse site é uma extensão de outro site ainda mais abrangente, como se verá daqui a pouco. A idéia parece ser a seguinte: o blogger pede aos visitantes que façam suas “fitas” (isto é, suas seleções em mp3 compactadas para Zip, Rar, etc.) e enviem para lá. A capa da obra é fundamental: faz parte do conceito, e temos capas excelentes como essa que ilustra o post de hoje. O mesmo ocorre com as liner notes. Como exemplo, Summer Nights IV, onde temos:

“The fourth iteration of my Summer Nights themed mixes. The basic idea here is to create a mix that would be best listened to while sitting outside, possibly alone, having a cold drink and staring off into the abyss. It's intended to be backing music to invoke a mood of stillness. I'm sure I am overthinking it.
On the whole, it's a mostly laid back amalgam of songs that doesn't require too much of your attention but should help you drift into a zoned-out state of mind”.

(A quarta iteração das minhas mixagens com o tema Noites de Verão. A idéia básica, aqui, é criar um mix que teria melhor audição se v. se sentar do lado de fora, possivelmente sozinho, bebendo alguma coisa gelada e de olhos parados no abismo. A intenção é que ela seja música para invocar um clima de imobilidade. Tenho certeza que exagerei . No geral, é em sua maior parte um amálgama de canções que não exigem muito de sua atenção, mas que devem ajudá-lo a vagar através de um estado mental desligadão”.

[ Download ]
Mobius Band - True Love Will Find You In The End (Daniel Johnston)
Here We go Magic - Everything's Big (featuring Luke Temple)
Slowmotions - 1000 Hurts
Blues Run The Game - Come In
Bell Orchestre - Water / Light / Shifts
Hands Down Eugene - Black Journal
Telekinesis - Rust
Richard Swift - Lady Day
Twin Sister - I Want a House
Papercuts - The Machine Will Tell Us So
Figurines - The Air We Breathe
Matt Berry - Roosting Time
First Night Forever - Papercuts
Thee More Shallows - I Can't Get Next To You
British Sea Power - Woman Of Aran
Bell Orchestre - Recording A Tunnel (The Horns Play Underneath The Canal)
Slowmotions - Orchestral
Dr. Dog - I Hope There's Love
Andrew Bird - Sigh Master
The Hylozoists - Soixante-Sept

Algumas músicas de algumas fitas nem estão completas, são usadas como vinhetas psicoestimulantes para o ouvinte mergulhar no tema, e grande parte das músicas só especialistas conhecem. O blog de origem, YewKnee, é por si só uma festa...

O Moteto na Época de Du Fay

“Durante a vida de Guillaume Du Fay (c. 1400-1474), o moteto passou por uma profunda transformação. Devido à natureza diversificada do moteto durante esse período, problemas de definição sempre atrapalharam uma compreensão completa dessa importante dessa mudança crucial. Através de uma pesquisa abrangente do repertório remanescente, Julie Cummings mostra que o moteto fica mais bem compreendido no nível do subgênero. Ela emprega novas idéias sobre categorias tomadas da psicologia cognitiva e da teoria evolutiva para esclarecer o processo através do qual os subgêneros do moteto surgiram e se desenvolveram. Uma importante descoberta é a natureza e a extensão do papel crucial que a música inglesa desempenhou na transformação do gênero. Cummings nos dá uma leitura detalhada de muitas peças pouco conhecidas; também mostra como os motetos de Du Fay eram produtos de uma sofisticada experimentação com os limites do gênero”.

Uma apreciação desse livro de Cummings pode ser lida aqui, de autoria de Eleonora M. Beck, descrevendo a coisa toda com muita propriedade. Por exemplo, explica a presença da "teoria evolutiva", personifica a "música inglesa" que teve papel crucial etc., e quantifica o material histórico, especificando também sua origem. Outro ponto importante para o qual Beck chama nossa atenção é a necessidade de estudar toda produção musical em seus próprios termos, sem procurar encaixá-la em categorias engendradas em épocas posteriores.

The Motet in the Age of Du Fay (New Perspectives in Music History and Criticism)
Julie Cummings
Cambridge University Press 434 pages 1999 PDF 1.5 mb
http://depositfiles.com/files/kr60lz6et

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Schoenberg: Theory of Harmony

Livraço para todos os leitores, músicos ou não. É como diz a editoria:

“Este livro virá como uma alegria, uma revelação, um cálido arrebatamento. Com ele pode-se aprender menos sobre harmonia do que sobre forma, estética, mesmo sobre a vida. Alguns acusarão Schoenberg de não se concentrar no assunto, mas tal acusação, apesar de bem fundamentada, deixa de apreciar a Teoria da Harmonia, porque a alma e o coração do livro serão encontrados em suas vívidas e penetrantes digressões. Elas são as fascinantes reflexões de um grande músico e humanitário, que também nasceu escritor”.

Arnold Schoenberg (trad. por Roy E. Carter)
Theory of Harmony
University of California Press 1978 PDF 440 pages 22.3 MB
http://uploading.com/files/J93GRHR7/0520034643.7z.html

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Weltanschauung Apocalíptica de Jackson do Pandeiro

Foi com essa expressão que alguém do saudoso jornal O Pasquim satirizou a falsa profundidade e a “apelação” epistemológica de algum picareta da época. Sempre que leio algo que relaciona cérebro e física quântica, por algum motivo lembro-me dela. Como se o feijão-com-arroz da neurociência já não fosse bastante complicado, alguns autores ainda querem reeditar as sandices pósmodernistas que pensei terem sido dedetizadas pela devastadora crítica do físico americano Alan Sokal e de seu colega francês Jean Bricmont no livro Imposturas Intelectuais.

Um físico americano, que tem um blog onde se identifica como ZapperZ, cita o grande físico (e Nobel, por seu trabalho com física quântica) Richard Feynman: “Você pode saber o nome de uma ave em todas as línguas do mundo, mas quando conseguir saber você não vai saber absolutamente nada sobre a ave. Então, vamos olhar para a ave e ver o que ela está fazendo - é isso que conta. Aprendi bem cedo a diferença entre saber o nome de alguma coisa e conhecer alguma coisa”. E prossegue ZapperZ: “Isto é uma clara ilustração do que acontece, especialmente em mecânica quântica, quando as pessoas aprendem superficialmente sobre as coisas (isto é, ‘sabem o nome’) sem compreenderem a física de base. As pessoas bastardizaram coisas como ‘quantum entanglement’ simplesmente lendo artigos de ciência popular sem mesmo entender como essas coisas são”. Outra afirmação famosa de Feynman é um caveat para os picaretas: “Acho que posso dizer com segurança que ninguém entende de mecânica quântica”.

Piero Scaruffi, historiador cultural italiano, foi diretor do Artificial Intelligence Center da Olivetti na Califórnia de 1987 a 1991. Durante essa época, ele idealizou e administrou projetos de sistemas baseados em conhecimento, de redes neurais e de compreensão da linguagem natural, em colaboração com a Stanford University, a Yale University, o Caltech e o SRI. Continuou sua pesquisa em inteligência artificial e ciência cognitiva no mundo acadêmico (com períodos como professor visitante do MIT e da Stanford University), conduzindo posteriormente pesquisas independentes em ciência cognitiva que resultaram nos livros Thinking About Thought (2003) e The Nature of Consciousness (2006), além de palestras em diversas instituições acadêmicas (em três continentes, diz Scaruffi). Analisando um livro anterior de Globus, diz Scaruffi:

“Este livro (The Postmodern Brain, de 1995) do psiquiatra americano Gordon Globus é por demais confuso, e mal vale a pena lê-lo (a maior parte dele é essa coisa que dá péssima reputação aos filósofos), mas se v. fizer uma tediosa revisita à controvérsia da Inteligência Artificial, Globus levanta questões importantes que merecem ser resumidas. Globus reúne pósmodernismo e ciência neural (ou melhor, a dinâmica não-linear dos processos neurais). O pósmodernismo odeia a distinção entre sujeito e objeto, acredita em fluxo constante, favorece o caos em detrimento da ordem e acha que a verdade é impossível.

A teoria computacional da mente (o cérebro é um computador) vai contra os princípios do pósmodernismo. Globus então resolveu desconstruir a teoria computacional da mente. Ele prefere a visão de que o cérebro é um sistema auto-organizado que executa sua própria sintonia fina em face de fluxos de energia. Desta contínua interação com o mundo externo resultam estados cerebrais, além das repetidas modificações caóticas que ocorrem no cérebro.Esta é a definição de Globus para ‘cognição’.

Globus vê similaridades óbvias entre o ‘Dasein’ situado de Heidegger e as redes neurais auto-organizadas, e entre a ‘différance’ de Derrida e o comportamento das redes neurais. Dado que estes dois conceitos filosóficos estão entre os mais vagos já concebidos por filósofos (ao passo que as redes neurais são entidades matemáticas), Globus poderia muito bem ter encontrado similaridades com estações de metrô ou com supermodelos. Sua suposição básica, de que os sistemas dinâmicos não-lineares podem emular a mente, ao passo que os computadores não podem, não são justificadas pelas teorias filosóficas do pósmodernismo, são apenas tomadas como verdade absoluta. (...) Por todo o livro, por outro lado, somos brindados com afirmações científicas como ‘a morte é a cessação da polaridade’.(...) Mas Globus entendeu tudo errado: o conexionismo (a ciência das redes neurais auto-organizadas) não é de modo nenhum anti-racional (e requer muito mais matemática complexa do que a ciência tradicional da computação). É apenas a negação do pósmodernismo”.

Foi mais ou menos nisso tudo que escrevi e transcrevi acima é que pensei ao ler as cucurbitáceas da editoria sobre o livro de Globus: “A maior parte das abordagens da neurociência orientadas para o quântico visam entender os processos físicos que estão na base da consciência. Esta linha de pesquisa foi seguida por autores como Umezawa, Yasue, e recentemente Vitiello. O livro de Vitiello, My Double Unveilled: The Dissipative Quantum Model of Brain (2001), revelou um correlato físico oculto da experiência consciente ao deduzir as características reduplicantes do cérebro do campo quântico teórico através dos aspectos não-lineares da teoria de termocampo de Umezawa. Agora, Gordon Globus, em seu novo livro Quantum Closures and Disclosures, levou a neurofísica um decisivo passo além: ele quebrou o domínio monopolístico da própria consciência sobre as teorias quânticas da mente”.

I.n.a.c.r.e.d.i.t.á.v.e.l. O troço agora passa se chamar “A Weltanschauung Quântica de Jackson do Pandeiro. Liga não, Jackson, dorme em paz ...

Nota: se algum leitor estiver se perguntando como é que o CL&M foi escolher logo Piero Scaruffi para auxiliar na tarefa de analisar Globus, a resposta é que eu já conhecia Scaruffi de outros carnavais (e bota carnaval nisso): ele tem um site excelente de música, além de ser autor de A History of Rock and Dance Music (2009), History of Jazz Music 1900-2000 (2007), A History of Popular Music before Rock Music (2007), A History of Rock Music (2003) e A Guide to Avantgarde Music (1991, ainda na Itália).

Gordon Globus
Quantum Closures and Disclosures: Thinking-Together Postphenomenology and Quantum Brain Dynamics
John Benjamins Publications 2003 Pages: 244 PDF 1.17 MB
http://uploading.com/files/BHL64I17/QuantuClos.rar.html ou
http://rapidshare.com/files/258858074/QuantuClos.rar

quarta-feira, 22 de julho de 2009

The Ascent of Babel

A Ascenção de Babel: Uma Exploração da Linguagem, da Mente e do Entendimento. Este é o nome completo do livro do psicolinguista Gerry Altmann, que tem a seguinte carreira acadêmica:
1996 - present Department of Psychology, University of York (UK)
1988 - 1996 (lecturer / senior lecturer) Laboratory of Experimental Psychology, University of Sussex (UK)
1984 - 1988 (research fellow) Centre for Speech Technology Research, Department of Linguistics, Edinburgh University (UK)

Essas e outras informações podem ser vistas em seu site, que tem como rua e número: http://homepage.mac.com/gerry_altmann/ , e que além de nos brindar com artigos do autor também informa que esse livro ganhou o 2000 British Psychological Society Book Award. O prêmio foi merecido, porque a editoria diz o seguinte:

“Com The Ascent of Babel, o psicolinguista Gerry Altmann nos leva para uma viagem de descoberta, revelando como, através do funcionamento do cérebro, utilizamos a linguagem para chegarmos à mente de outras pessoas. Aqui, ele explora as maneiras através das quais a mente produz e entende a linguagem: as maneiras pelas quais os sons da linguagem evocam significado, e as maneiras pelas quais o desejo de se comunicar nos leva a produzir esses sons.

Altmann começa antes mesmo de nascermos, revelando que o feto, no último trimestre da gravidez, já está ouvindo a linguagem de seus pais e que, após dias de nascido, já consegue distinguir a linguagem de seus pais de outras linguagens. Indo de como os bebês aprendem a linguagem e como discriminamos entre diferentes sons, através da compreensão dos sons e das estruturas da linguagem (e das armadilhas que existem pelo caminho), para a produção da linguagem falada e escrita, os efeitos de danos cerebrais na linguagem, e finalmente para as maneiras como simulações computadorizadas de neurônios interconectados podem aprender linguagem, Altmann oferece uma viagem atraente e de boa amplitude. Atualizado, competente e bem escrito, A Ascenção de Babel é um livro indispensável para qualquer um que tenha curiosidade sobre os mistérios da linguagem ou da mente”.

Se o livro for bom mesmo como dizem, podemos perdoar essa marquetagem exagerada da contracapa e a indefectível Torre de Babel “bíblica” da capa. Ninguém é perfeito...

The Ascent of Babel: An Exploration of Language, Mind, and Understanding
Gerry T. M. Altmann
Oxford University Press 272 Pages PDF (OCR from html) 1.3 MB
http://www.megaupload.com/?d=TOMFCUK3 ou
http://uploading.com/files/BQ3FLW34/TheAscentofBabel.rar.html

terça-feira, 21 de julho de 2009

Não é assim que a mente funciona


Com o subtítulo A extensão e os limites da psicologia computacional, neste livro Jerry Fodor exerce sua especialidade: jogar água fria no entusiasmo (segundo ele) indevido de autores diversos. A “vítima” principal, nesse caso, é Steven Pinker e seu livro How the Mind Works - Como a Mente Funciona (respingando em Evolution in Mind, de Henry Plotkin). Na Introdução, Fodor descreve sua primeira paisagem:

“Finalmente, eu estava, e continuo, perplexo com uma atitude de otimismo efervescente que é particularmente característica do livro de Pinker. Como afirmei, eu achava que os últimos 40 ou 50 anos tinham demonstrado bem claramente que existem aspectos dos processos mentais superiores dos quais o armamento atual dos modelos, teorias e técnicas experimentais computacionais oferecem diminutos vislumbres. E achei que isso era conhecido por todos dessa área. À vista disso, como é que alguém consegue ser tão incansavelmente otimista?”

Entendo que as razões de Fodor sejam epistemológicas, isto é, muitas teorias sobre a mente brotam pelos motivos certos mas seus autores acabam tirando conclusões apressadas, muitas vezes valendo-se de botas de sete léguas. Por exemplo, no capítulo 5 ele cita um dos postulados na Nova Síntese (ver mais abaixo): “A evolução cognitiva é uma evolução adaptativa”, e comenta logo a seguir:

“Minha linha de raciocínio será de que nenhum dos argumentos adaptacionistas da Nova Síntese sobre a cognição é remotamente convincente. Por outros lado, acho que existem razões pelas quais o adaptacionismo deva ser verdadeiro quanto a uma arquitetura cognitiva, na medida em que esta seja (maciçamente ou de outro modo) modular. Assim como a computação Clássica precisa da modularidade, a modularidade precisa do adaptacionismo. Em minha opinião, os três juntos constituem uma descrição não totalmente implausível de alguns aspectos da cognição. Como o leitor certamente terá notado, é com a parte da cognição que não funciona desse modo é que estou preocupado, e as indicações são de que esta é uma parte bastante grande, e que a maior parcela do que temos de especial em nosso tipos de mentes situa-se ali”.

Quando explica a Nova Síntese, Fodor acaba nos fornecendo uma boa visão geral do que o levou a reunir artigos distintos publicados anteriormente nesse livro chamado “Não é assim que a mente funciona”:

“Em contraste, as teorias psicológicas da Nova Síntese, do tipo das que Pinker e Plotkin defendem, são tipicamente não sobre estados epistêmicos, mas sobre processos cognitivos; por exemplo, os processos mentais envolvidos em pensar, aprender e perceber. A idéia principal da Nova Síntese é que os processos cognitivos são computacionais, e a noção de computação empregada aqui vale-se muito do trabalho fundamental de Alan Turing. Uma computação, de acordo com esse entendimento, é uma operação formal sobre representações sintaticamente estruturadas. De acordo com isso, um processo mental, enquanto computação, é uma operação formal sobre representações mentais sintaticamente estruturadas. Voltaremos logo a essa idéia, expandindo-a. No momento, é suficiente dizer que enquanto o racionalismo de Chomsky consiste primariamente em um nativismo sobre o conhecimento que as capacidades cognitivas manifestam, o racionalismo da Nova Síntese consiste primariamente em um nativismo sobre os mecanismos computacionais que exploram esse conhecimento para as finalidades da cognição. Resumindo: a novidade da Nova Síntese é em sua maior parte a consequência de unir uma epistemologia racionalista a uma noção sintática da computação mental”. (p. 11-12)

Quinze páginas de Notas, ao final do livro, ajudam a esclarecer diversos pontos e a fazer a ponte entre cada um dos artigos que foram transformados em capítulos. No mais, é como diz a contracapa do livro: “Assim, de acordo com Fodor, a ciência cognitiva mal está começando”.

Jerry Fodor The Mind Doesn't Work That Way
The MIT Press 2001 144 pages PDF 1,1 MB
http://rapidshare.com/files/258339643/0262062127.rar.html

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Husserl, de David Woodruff Smith

“Edmund Husserl (1859-1938) foi um dos filósofos mais influentes do século 20. Fundador do movimento fenomenológico, seu pensamento influenciou Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty e Derrida. Em sua estimulante introdução, David Woodruff Smith apresenta a totalidade do pensamento de Husserl, demonstrando sua influência sobre a filosofia da mente e sobre a linguagem, sobre ontologia e epistemologia, e sobre a filosofia da lógica, da matemática e da ciência”.

Husserl David Woodruff Smith
Routledge Pages: 248 2006 PDF 2 Mb
http://depositfiles.com/files/7qf77oc6a

Ryle - The Concept of Mind

A editora Routledge oferece a edição comemorativa do 60º aniversário do livro de Ryle, e tudo o que há para dizer está explicadinho pelas mal-traçadas da editoria:

“Publicado pela primeira vez em 1949, o livro The Concept of Mind, de Gilbert Ryle, é um dos clássicos da filosofia do século 20, influente e controverso em igual medida. Descrito pelo próprio Ryle como ‘um trabalho sistemático de desbastamento analítico’ do dualismo cartesiano, The Concept of Mind é uma tentativa radical de se livrar de uma vez por todas do que Ryle de ‘o fantasma da máquina’: o argumento de Descartes de que a mente e o corpo são duas entidades distintas. Ryle argumenta que tradicionalmente a linguagem usada para descrever a relação entre mente e corpo só chega a ser um ‘engano categórico’ total. Termos como ‘mente’, ‘pensamento’ e ‘crença’ não se referem a um mundo interior misterioso, mas apenas descrevem certas ações e nossa capacidade de realizá-las. Mesmo o ato de imaginar, argumenta Ryle, deveria ser entendido como uma ação para fora, e não interna, como quando vemos um boxeador treinar contra um oponente imaginário usando sua própria sombra, antes de entrar no ringue. Baseado nisso, Ryle derruba algumas antigas suposições sobre linguagem e conhecimento, incluindo o conhecimento sobre a mente de outras pessoas, lançando o novo movimento do behaviorismo filosófico. Ryle elabora sua argumentação através de uma descrição erudita e lindamente redigida da vontade, da emoção, do auto-conhecimento, da sensação e da observação, da imaginação e do intelecto. Alguns dos problemas que ele procura resolver, como a distinção entre ‘saber como e saber que’, desafiavam algumas das suposições fundamentais da filosofia e continuam a exercer importante influência sobre a filosofia contemporânea. Sendo um trabalho clássico de filosofia e psicologia, The Concept of Mind é leitura essencial para qualquer pessoa interessada na natureza da mente e no comportamento humano. Esta edição de 60º aniversário inclui um substancial comentário de Julia Tanney”.


Gilbert Ryle The Concept of Mind: 60th Anniversary Edition
Routledge 2009 322 pages PDF 1,3 MB
http://depositfiles.com/files/x6yxkgs1q

Platão e o julgamento de Sócrates

“Platão é o filósofo mais importante da história da filosofia ocidental. Esse guia introduz e examina três diálogos que tratam da morte de Sócrates: Euthphryo, Apologia e Crito. Estes diálogos são amplamente aceitos como a exposição mais rigorosa das idéias de Sócrates”.


Routledge Philosophy Guidebook to Plato and the Trial of Socrates
Thom Brickhouse
Routledge Pages: 224 Publication Date: 2004 PDF 1 Mb
http://www.easy-share.com/1906832001/0415156815.rar

domingo, 19 de julho de 2009

Aristóteles, de Jonathan Barnes

Acima, busto de Aristóteles, provavelmente encomendado pelo grande imperador do mundo conhecido (na época), Alexandre. Em filme recente sobre Alexandre, Aristóteles é caracterizado por Anthony Hopkins, que ostenta um tipo físico mais próximo do verdadeiro. Parece que o filósofo não tinha esta aparência de um deus grego, afinal, como Barnes deixa claro em seu livro. Aristóteles foi tutor de Alexandre em sua juventude.

Stephen Jay Gould, que não costumava usar superlativos com referência a pessoas, disse que Aristóteles foi o homem mais esperto (smartest) que jamais existiu. Lendo Barnes, ficamos propensos a crer nisso. Veja essa descrição de Barnes:

“Um dos biógrafos antigos de Aristóteles afirma que ‘ele escreveu um grande número de livros, que achei apropriado listar por causa da excelência do homem em todos os campos’; daí segue-se uma lista de uns 150 itens que, reunidos e publicados como se faz modernamente, dariam talvez uns 50 substanciais volumes impressos. E a lista não inclui todos os escritos de Aristóteles – em verdade, ela deixa de mencionar duas de suas obras, a Metafísica e a Ética a Nicômaco, pelas quais ele é mais conhecido hoje. É uma grande produção, mas é ainda mais notável por seu alcance e variedade do que por sua quantidade. O catálogo dos títulos inclui Sobre a Justiça, Sobre os Poetas, Sobre a Riqueza, Sobre a Alma, Sobre o Prazer, Sobre as Ciências, Sobre a Espécie e o Gênero, Deduções, Definições, Palestras sobre Teoria Política (em oito livros), Sobre Magnetos, Vencedores Olímpicos, Provérbios, Sobre o Rio Nilo. Há obras sobre lógica e sobre linguagem; sobre artes; sobre ética, política e direito; sobre história constitucional e história intelectual; sobre psicologia e fisiologia; sobre história natural – zoologia, biologia, botânica; sobre química, astronomia, mecânica, matemática; sobre filosofia da ciência e sobre a natureza do movimento, do espaço e do tempo; sobre metafísica e sobre a teoria do conhecimento. Escolha um campo de pesquisa, e Aristóteles trabalhou nele; selecione uma área das conquistas do homem, e Aristóteles discorreu sobre ela”.

Para alguém que, 2300 anos após sua morte, ainda é uma das figuras básicas do conhecimento humano, Aristóteles é pouco lido pelo público em geral. Muito menos do que Platão, a julgar pela movimentação editorial e pelas citações de ambos encontradas em obras não diretamente acadêmicas. Barnes tem uma explicação para isso:

“Os diálogos de Platão são artefatos literários bem acabados, e as sutilezas de seu pensamento misturam-se aos truques de sua linguagem. Os escritos de Aristóteles, em sua maior parte, são bruscos. Seus argumentos são concisos. Há transições abruptas, repetições deselegantes, alusões obscuras. Parágrafos de exposição contínua são intercalados com notinhas curtas. A linguagem é econômica e enérgica. Se os tratados não têm polimento, é em parte porque Aristóteles não sentiu necessidade nem premência para dourar a pílula. Mas apenas em parte; pois Aristóteles refletiu sobre o estilo apropriado para o texto científico e favoreceu a simplicidade”.

Barnes a seguir ensina como tirar melhor proveito da leitura de Aristóteles, e são dicas realmente interessantes e que também podem servir para lermos outros autores “difíceis”.

Em cada capítulo posterior, a obra aristotélica não é analisada livro a livro: Barnes faz uma abordagem por assunto e assim fica livre para diversificar suas explicações, valendo-se de uma visão geral. Por isto, temos: pesquisas zoológicas, a lógica, o conhecimento, ideal e realização, a realidade, a mudança, as causas, o empirismo, a concepção aristotélica do mundo, psicologia, evidências e teoria, teleologia, filosofia, as artes, e até mesmo o afterlife, o mundo do além. Brrrrrrr!

Jonathan Barnes Aristotle: A Very Short Introduction
Oxford University Press 2001 176 pages PDF 2,8 MB
http://depositfiles.com/files/tgdi3flve

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As Cartas Amorosas de Scarlatti


Este CD precisa ser ouvido de peito aberto: é uma reunião de excelentes artistas dando tudo de si na interpretação de um autor sobre o qual pouco se sabe (e, portanto, não é “turbulento” como Beethoven, “retraído” como Brahms, “mau-caráter” como Wagner, etc.). Sua vida pessoal quase não existe para nós, apenas uma episódica biografia “oficial”. A escassez é tanta que Malcolm Boyd escreveu em 1985 (The Musical Times, 126:1712): “É como se Domenico Scarlatti empregasse um agente secreto para remover todos os passos de sua carreira... e os correspondentes e diaristas contemporâneos não conseguiriam deixar de ser menos informativos, a menos que fizessem parte de uma conspiração de silêncio”. É significativo que de toda a sua correspondência pessoal só tenhamos uma carta remanescente. Daí a importância de uma boa interpretação musical.

W. Dean Sutcliffe diz mais sobre isso em seu livro sobre Scarlatti (The Keyboard Sonatas of DS and Eighteenth-Century Musical Style, 2003): “Na ausência de informações, as próprias sonatas tiveram que sustentar boa parte do peso interpretativo, uma situação feliz, pode-se dizer, na procura pela importância da obra do compositor. Na verdade, entretanto, frequentemente as sonatas foram usadas como evidências de traços de personalidade de uma descrição biográfica de Scarlatti, mais do que de uma descrição musical. Se voltarmos por um momento à questão das ideologias comparativas, provavelmente é justo dizer que a música há muito tempo investe mais de seu capital no retrato biográfico do que as outras artes. Uma idéia sobre a necessidade de um bom controle sobre as circunstâncias biográficas tem sido a de que elas nos dirão muito sobre a música que é produto daquela personalidade – quanto mais controlarmos a vida, mais precisamente poderemos julgar a obra. Dito assim, esta equação também parece simples demais para a efetivação de grande parte da atividade musicológica, seja aplicada a Scarlatti ou a qualquer outro compositor. A suposição de que a música é primariamente uma expressão da personalidade, da emoção, de que para entendermos a música precisamos entender o homem e suas circunstâncias particulares, está ligada historicamente à estética do século 19, mas é uma noção que mantém boa parte de sua força ainda na época atual”. (p. 2-3)

Domenico Scarlatti, para nós, é a sua música.

Uma “biografia” do Complesso Barocco (que é uma criação de seu regente e tecladista Alan Curtis), pode ser lida em http://www.bach-cantatas.com/Bio/ICB.htm. As informações sobre Patrizia Ciofi, soprano, e Anna Bonitatibus, mezzo-soprano, estão em seus próprios www.com.

Soube desse CD pelo excelente Sic Transit Opera Mundi (que v. não pode deixar de frequentar), e os links para as duas partes dessa obra são:
http://rapidshare.com/files/231206376/Scarlatti-LettereAmorose-ACurtis-CD_a_.rar
http://rapidshare.com/files/231206459/Scarlatti-LettereAmorose-ACurtis-CD_b_.rar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Física e a Consciência

Stuart Kauffman (Departments of Biosciences and Physics and Astronomy, The University of Calgary ; Signal Processing, Tampere University of Technology, External Professor, The Santa Fe Institute) é mais um físico inquieto por causa dos problemas apresentados pela existência da consciência humana. Mas para ele, um físico de quatro costados, tudo já está no papo:

“Proponho estabelecer cada um desses problemas (veja os seis problemas no abstract/resumo. CL&M), e então trabalhar neles com duas hipóteses físicas: na primeira, a mente é um sistema quântico coerente reversível, decoerente e recoerente, do cérebro. Assim, seguindo R. Penrose (8), acredito que a consciência é um problema, pelo menos em parte, da base física que a envolve”.

Kauffman, ao apresentar sua segunda hipótese, filosofa, matematiza e faz ciência, tudo isso em andamento relâmpago e escorado nas autoridades máximas de cada etapa, mas tropeçando ao final na procura por uma razão darwiniana para tudo isso. É assim:

“A segunda hipótese física é cientifica e filosoficamente radical. O famoso princípio de Turing-Church-Deutsch, TCD (9), afirma que qualquer máquina pode ser simulada até uma precisão arbitrária em uma máquina universal Turing. Esta tese está profundamente relacionada ao reducionismo e à antiga crença, desde Descartes, Newton, Einstein, Schrödinger e Weinberg (10), de que há uma 'Teoria Final de Tudo’ na base da física que explica tudo o que se desenrola no universo através da implicação lógica. Como veremos, esta visão deriva da análise aristotélica da explicação científica enquanto dedução: Todos os homens são mortais, Sócrates é um homem, logo, Sócrates é um mortal. Como aponta corretamente Robert Rosen (11), com Newton nós eliminamos todas as quatro causas de Aristóteles, a formal, a final, a material e a eficiente, retendo apenas a causa eficiente na ciência e matematizando-a como dedução. Assim, as equações de Newton, em forma diferencial, com condições iniciais e de limite, são ‘resolvidas' para o comportamento do sistema através da integração, que é precisamente a dedução. Esta identidade da causa eficiente com a dedução leva diretamente à visão reducionista mantida por Weinberg e outros. Não podem haver quaisquer eventos não-implicados, de modo que a emergência está apenas errada e deve haver uma teoria final ‘lá embaixo’, da qual tudo se deriva por implicação. Como diz Weinberg (10), as setas explanatórias apontam todas para baixo, das sociedades para as pessoas, para os órgãos, para as células, para a bioquímica, para a química, para a física, e em última análise para a física de partículas e a Relatividade Geral, ou talvez a Teoria das Cordas (12). Turing-Church-Deutsch defendem precisamente a mesma visão – são algoritmos todo o caminho de descida, e então é implicação todo o caminho de subida. Nesta visão, o universo é uma máquina formalizável, e nós que vivemos nele somos máquinas TCD. Nós, então, roboticamente, podemos utilizar os inputs de nossos sensores e calcular tudo o que precisamos para florescer, máquinas boiando em um universo de máquinas. Mas então, infelizmente, não existe nenhuma vantagem seletiva na experiência consciente. Por que, então, ela é fruto da evolução?”

Um artigo muito interessante.

Physics and Five Problems in the Philosophy of Mind
Stuart Kauffman
History of Physics (physics.hist-ph)
arXiv:0907.2494 [ps, pdf, other]

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Estruturação cognitiva do tempo

Diz Evans no capítulo 1: “Este livro trata principalmente de abordar o que chamarei de problema metafísico do tempo. Isto pode ser dito da seguinte maneira: se temos consciência do tempo, mas não se pode dizer que verdadeiramente o percebemos na ausência, por exemplo, do ‘preciso tique-taque dos relógios’, que serve para medir seu ‘silêncio’, qual é a natureza e o status do tempo? Será o tempo uma primitiva, um atributo do cosmos físico, como sugere a física moderna, ou ele é dependente das relações entre eventos tais como nossas experiências de eventos temporais, e portanto não primariamente um atributo do mundo, mas uma consequência dele, uma abstração derivada de uma comparação de eventos, como sugerem, por exemplo, Lakoff e Johnson (1999) e o psicólogo James Gibson (1975, 1986)? Ou o tempo não é um atributo físico do mundo nem uma relação entre eventos externos, mas algo interno da natureza? Isto é, nossa consciência do tempo é primariamente fenomenológica, derivando de processos cognitivos internos e outros processos perceptivos, como sugerido por fenomenólogos como Husserl ([1887] 1999) e Bergson ([1922] 1999)?

Há uma segunda tensão aparente na citação que inicia este capítulo. Ainda que o tempo pareça ser fundamental para nossa compreensão de outros eventos (incluindo o movimento), normalmente pensamos e falamos sobre o movimento não nos próprios termos do tempo, sejam estes quais forem, mas sim precisamente naqueles termos que derivam dos eventos – de acordo com a física moderna, estruturas temporais – afinal, falamos sobre a ‘passagem’ ou o ‘fluxo’ do tempo e sobre estar ‘localizado’ no tempo. Ao fazer isso nós espacializamos o tempo. Isto representa o problema linguístico do tempo: por que usamos uma linguagem pertinente ao movimento através do espaço tridimensional e a locais do espaço tridimensional para pensarmos e falarmos sobre o tempo? Existe algo literalmente temporal para além da linguagem de movimento e espaço que empregamos para descrevê-lo?

O objetivo final desse livro é estabelecer a natureza e a estrutura do tempo; em essência, resolver o problema metafísico. Uma importante maneira através da qual abordarei as dificuldades metafísicas associadas ao tempo será seguir o problema linguístico. Neste livro, vou sugerir que a maneira pela qual qual são elaborados os conceitos temporais, quer dizer, estruturados através do conteúdo conceitual de outros domínios (isto é, não-temporais), nos dá importantes idéias sobre a natureza e a estrutura do tempo. Vou argumentar que esta elaboração pode ser efetivamente estudada através de um exame do problema linguístico. Como a linguagem reflete a estrutura conceitual de importantes maneiras, da mesma forma ela representa um importante ponto de observação do sistema conceitual humano. Examinando a maneira como a linguagem lexicaliza o tempo, teremos importantes momentos de compreensão sobre a conceitualização do tempo e sobre a natureza e organização do tempo.

Entretanto, como veremos, a maneira como modelamos o tempo em nível conceitual não conta toda a história, se desejamos desvelar a natureza e a estrutura do tempo. A experiência fenomenológica e a natureza do mundo sensorial externo ao qual a experiência subjetiva constitui uma resposta, dão surgimento à nossa experiência pré-conceitual do tempo, e assim contribuem para nossa conceituação do tempo de maneira importante, complexa e sutil. Como veremos, uma metafísica do tempo não pode ser apenas física, ou cognitiva, ou fenomenológica. O tempo não é um fenômeno unitário restrito a uma camada particular da experiência. Antes, ele constitui uma complexa sequência de fenômenos e processos que se relacionam a diferentes níveis e tipos de experiências. Uma visão equilibrada é aquela que considera seriamente esta complexidade e adota uma abordagem apropriadamente responsável para o estudo da cognição temporal”.

Quanto à abordagem fenomenológica do problema, um dos pontos centrais do livro, vale a pena ler as seções 19-22 de The Basic Problems of Phenomenology, de Martin Heidegger. São elas: Time and Temporality, temporality (Zeitlichkeit) and Temporality (Temporalität), Temporality (Temporalität) and Being, e Being and beings. The ontological difference. O livro pode ser baixado aqui . Nossa concepção do tempo também é construída/explorada artisticamente (ver Burnt Norton, de T. S. Eliot, abaixo), e cientificamente (por exemplo, Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking – ver abaixo).

BURNT NORTON
(No. 1 of 'Four Quartets')
T.S. Eliot
I
Time present and time past
Are both perhaps present in time future,
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
All time is unredeemable.
What might have been is an abstraction
Remaining a perpetual possibility
Only in a world of speculation.
What might have been and what has been
Point to one end, which is always present.

(...)

Time past and time future
Allow but a little consciousness.
To be conscious is not to be in time
But only in time can the moment in the rose-garden,
The moment in the arbour where the rain beat,
The moment in the draughty church at smokefall
Be remembered; involved with past and future.
Only through time time is conquered. (etc.)


Stephen Hawking
A Brief History of Time : From the Big Bang to Black Holes
1988 208 Pages PDF 1.5 MB
http://depositfiles.com/files/4ragsxhnw

No indefectível textículo da editoria, a seguir, tem-se uma boa panorâmica do livro: “Um dos aspectos mais enigmáticos da experiência refere-se ao tempo. Desde a época dos pré-socráticos, os estudiosos vêm especulando sobre a natureza do tempo, fazendo perguntas como: O que é o tempo? De onde ele vem? Para onde ele vai? A proposta central da Estrutura do Tempo é que o tempo, basicamente, constitui uma experiência fenomenológica real. Valendo-se de achados em psicologia e neurociência, e utilizando a perspectiva da linguística cognitiva, essa obra argumenta que nossa experiência do tempo pode derivar-se em última análise dos processos perceptivos, que por sua vez nos permitem perceber eventos. Enquanto tal, a experiência temporal é um pré-requisito para capacidades tais como percepção de evento e comparação deles, mais do que uma abstração baseada em tais fenômenos. O livro representa um exame da natureza da cognição temporal, com dois focos: (1) uma investigação da experiência temporal (pré-conceitual), e (2) uma análise da estrutura temporal em nível conceitual (que deriva da experiência temporal)”. Mas acrescento: a capa do livro é coisa do demo, horripilante.

The Structure of Time: Language, Meaning And Temporal Cognition
Vyvyan Evans
Publisher: John Benjamins 2006 PDF 286 pages 2,1 mb
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terça-feira, 14 de julho de 2009

An Irish Lullaby

Nem só de rock vive o homem (Deut. 8:3). Às vezes umas canções de ninar irlandesas ajudam a atravessar esse vale de lágrimas durante a noite. Para mim, As Darkness Follows Day é a melhor de todas. Confira:

Padraigin - Ni Uallachain
An Irish Lullaby

Maire Breathnach - Viola, Fiddle, Guitar & Keyboards
Helen Davies - Harp
Deirdre Brady - Flute
Garry O' Briain - Keyboards, Mandocello & Guitar
Nollaig Casey - Fiddle & Viola
Mairtin O'Connor - Accordions
Tommy Hayes - Percussion
Ronan Browne - Whistle
Len Graham - Vocal 'Hum' & 'Drone'
Cathal McConnell - Flutes

01 - The Sleeping Lovers
02 - Bi' Im' Aice
03 - The Willow Tree
04 - The Gypsy Lullaby
05 - Suantrai' Si'
06 - Suantrai' Samhraidh
07 - Eithne's Lullaby
08 - As Darkness Follows Day
09 - The Magical Bend
10 - Suantrai' Na Mna' Si'
11 - Mullach A' Tsi
12 - Still by Your Side
13 - Suantrai Hiudai(Traditional)
14 - Connemara Lullaby
15 - Ho a Bha-In

Password: purgatory
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ensaios sobre Neuroeducação

“O novo campo da neuroeducação, que trata da interação entre a mente, o cérebro e a educação, comprovou ser revolucionário na pesquisa educacional, introduzindo conceitos, métodos e tecnologias em muitas instituições avançadas de todo o mundo. O Cérebro Educado apresenta uma ampla visão dos principais tópicos dessa nova disciplina: a parte I examina as questões históricas e epistemológicas relacionadas ao problema mente/cérebro e o escopo da neuroeducação; a parte II fornece um quadro geral da pesquisa cerebral básica em educação e do uso de técnicas tomográficas, além do estudo do cérebro e do desenvolvimento cognitivo; e a parte III é dedicada aos fundamentos neurais da linguagem e da leitura em diferentes culturas e à aquisição de conceitos matemáticos básicos. Trazendo contribuições dos principais pesquisadores dessa área, esse livro apresenta as investigações mais recentes e avançadas das neurociências cognitivas”.

The Educated Brain: Essays in Neuroeducation
Antonio M. Battro
Cambridge University Press 2008 Pages: 280 PDF 2.74 MB
http://uploading.com/files/6L0N6HOF/TEducaBrain.rar.html

O cérebro à beira do caos

Excelente artigo no New Scientist: Disorderly genius: How chaos drives the brain (29 June 2009, by David Robson), isto é, O Gênio bagunceiro: Como o caos comanda o cérebro. Robson nos dá um texto cristalino, fluido, bem exemplificado (e linkado) e apoiado em fontes seguras e pertinentes. É apenas um artigo de revista, mas fiquei pensando: esse tipo de conhecimento, se acompanhado de progressos semelhantes em áreas afins como neuroquímica, farmacologia e outras, pode significar o início da eliminação de boa parte dos muitos distúrbios psicológicos e/ou psiquiátricos e/ou neurológicos que nos afligem. Surge a pergunta: Quantas pessoas, e durante quanto tempo, ainda vão comer fezes, tomar ‘sosega-leão’ e eletrochoques – sem mencionar o sofrimento do estigma social – antes que o Capital e o Estado (desculpe a sinédoque, mas nomear todos os personagens demandaria um livro) tomem providências concretas? Isso vale também para os pacientes de medicamentos antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, hipnóticos e sedativos em geral, além de rezas, simpatias e passes mediúnicos. Agora leia trechos do início do artigo:

“Você já teve aquela experiência bizarra de sentir um pensamento surgindo em sua cabeça como se viesse do nada, sem pistas da razão de ter tido aquela idéia particular naquele momento particular? Você pode achar que esses pensamentos fugidios, por mais que pareçam aleatórios, devem ser produtos de processos racionais e predizíveis. Afinal, o cérebro não pode ser aleatório, não é? Não é certo que ele processa informações utilizando operações lógicas e ordenadas, como um poderoso computador?

Realmente, não. Na verdade, seu cérebro opera à beira do caos. Apesar de funcionar de modo ordenado e estável durante a maior parte do tempo, de vez em quando ele subita e imprevisivelmente apresenta espamos em uma névoa de ruído.

Os neurocientistas já suspeitavam disso há tempos. Entretanto, só recentemente apresentaram uma comprovação de que o cérebro funciona dessa maneira. Agora estão tentando saber porque. Alguns acreditam que os estados próximos do caos podem ser cruciais para a memória, e poderiam explicar porque algumas pessoas são mais espertas do que outras.

Em termos técnicos, diz-se que os sistemas à beira do caos estão em um ‘estado crítico auto-organizado’. Estes estados estão bem na fronteira entre o comportamento ordenado e estável – como o de um pêndulo em movimento – e o mundo imprevisível do caos, exemplificado pela turbulência. (...)

Estes são sistemas puramente físicos, mas o cérebro tem muito em comum com eles. Redes de neurônios alternam-se entre períodos de calma e períodos de instabilidade – ‘avalanches’ de atividade elétrica que cascateiam através dos neurônios. Como em avalanches reais, saber como essas cascatas ocorrem e qual o estado resultante do cérebro são coisas imprevisíveis.

Pode parecer precário ter um cérebro que mergulha aleatoriamente em estados de instabilidade, mas na verdade a desordem é essencial para a capacidade do cérebro de transmitir informações e resolver problemas. ‘Estar no ponto crítico permite que o cérebro se adapte rapidamente a novas circunstâncias’, diz Andreas Meyer-Lindenberg, do Central Institute of Mental Health de Mannheim, Alemanha”.

domingo, 12 de julho de 2009

J. S. Bach - Morimur


O disco de hoje demanda explicações. Não para fruí-lo, mas para se entender sua anatomia e fisiologia, sua beleza arrasadora, aflitiva, trágica. Vamos voltar no tempo, quando a música sacra era escrita para ser tocada em igrejas, em eventos litúrgicos. Para a maior glória de Deus. Johann Sebastian, ao voltar para casa de uma viagem de trabalho, foi supreendido com a notícia de que sua esposa Maria Barbara, de 36 anos de idade, tinha morrido há poucos dias e já tinha sido sepultada. Parentes haviam acolhido os filhos do casal. Johann Sebastian ficou dilacerado. Ainda de luto, compõe a Partita No. 2 em Re Menor, BWV 1004, considerada o epitáfio musical de Maria Barbara, onde reina absoluta a Ciaccona através da qual ele transmite sua perplexidade, e através da qual procura conversar com o Deus de sua igreja. Não está resignado, mas conhece a fórmula trinitariana que rege a existência dos cristãos: Ex Deo nascimur/In Christo morimur/Per Spiritum Sanctum reviviscimus (Nascemos de Deus, Morremos em Cristo, Renascemos através do Espírito Santo). Seus numerosos corais, motetos, cantatas e missas repetem a fórmula e suas variações, procurando consolo para os aflitos e glorificando as transcendências celestes.

Em 1994, a musicóloga e violinista alemã Helga Thoene publicou um trabalho onde apontava a existência de códigos numerológicos referentes a corais anteriores na estrutura da partita em Re Menor, e reconstruiu como pôde (ou quis) essa simbiose. Os detalhes dessa mineração podem ser lidos no artigo Gravest Bach Is Suddenly A Best Seller, de James R. Oestreich (NY Times de 02.12.2001, aqui). Gravado pela ECM em 2001, este CD surge porque, “Intrigado com as implicações do texto (de Thoene), Christoph Poppen discutiu com o produtor Manfred Eicher a possibilidade de um disco que tornaria audíveis os ‘corais ocultos’, e foi proposta uma colaboração com o Hilliard Ensemble”. E prossegue esse artigo, publicado pela ECM: “A dramaturgia desse disco chega ao clímax com a reveladora versão da Ciaccona para violino e vozes, quando os cantores do Hilliard entoam os versos em paralelo com o instrumento solista”.

Entre detratores (muitos) e admiradores (muitíssimos) desse CD, as palavras cheias de sanidade de Don G. Evans (aqui) são um alívio para nossas orelhas cansadas de abobrinhas esotéricas. Entre outras coisas, diz Evans: “Mas não é novidade descobrir que Bach usou melodias de corais em suas obras, quase sempre de modo sutil. Eram a mobília de sua vida diária, e seria surpreendente se esse não fosse o caso. Quanto à gematria, e àquela coisa da Partita ser sobre a morte de sua primeira mulher, seria preciso bem mais do que o lero-lero místico das notas desse disco para me convencer. O que mais nos dará a Profa. Thoene? Se tivermos paciência, estou certo de que podem ser encontrados os nomes e provavelmente as grandes melodias de todos os grandes compositores ocultos e codificados nas notas musicais do Cravo Bem Temperado. Isto nos diz muito sobre a engenhosidade humana e nossa sede por padrões, mas muito pouco sobre Bach”.

No entanto, para mim a palavra final é de Jan Hanford, do site www.jsbach.org: “Ainda que a teoria soe mal costurada e tenha sido amplamente criticada, a música é adorável. Esta gravação de Poppen e do Hilliard alterna o violino solo com os corais e termina com uma bela performance da Ciaccona ao violino acompanhada pelas vozes que cantam as melodias dos corais. Não só essa teoria é interessante, como a música é assombrosa e bela.” (aqui)

Neste endereço há uma descrição muito completa (em italiano) da obra e de todas as suas partes, para aqueles que não puderem ter em mãos o livreto de 80 páginas que acompanha o CD original.

O endereço para download vem do site El Cronopio Coral, que tem muitos outros CDs interessantes, entre eles Henry Purcell, Canções de Tabernas e de Capelas, com o Deller Consort, e o primeiro dos Swingle Swingers, Jazz Sebastian Bach.
http://www.megaupload.com/?d=96EZV8X3


Uma nota: fico devendo encontrar e postar o CD de uma outra versão dessa alquimia entre a Partita de Bach e as pesquisas de Thoene, De Occulta Philosophia, com Jose Miguel Moreno (alaúde), Emma Kirby (soprano) e Carlos Mena (contratenor), lançado em 1998 pela Glossa e elogiadíssimo em todos os artigos que li sobre ele.

John Berger - Tempo e Lugar

Em Ten Dispatches about Place, publicado na revista Orion (julho/agosto de 2007), John Berger é político, existencial, poético e radicalmente triste. Ou melhor, todos nós é que passamos a ser tristes até os ossos. Estamos agora “na latitude e longitude corretas, a hora local e a moeda corrente são essas, mas isso não tem a gravidade específica do destino escolhido”. Estamos a uma distância incalculável do lugar onde gostaríamos de estar. Nem temos como saber onde seria isso, daí o desespero. Mas sociologia tem hora: “Todo mês, milhões deixam sua terra natal. Vão embora porque não há nada lá, exceto tudo que têm e são, o que não é o bastante para alimentar seus filhos. Certa vez foi. Esta é a pobreza do novo capitalismo”.

A poética existencial radicalmente triste agora é um filme de horror: “Após longas e terríveis jornadas, depois de terem experimentado as baixezas das quais os outros são capazes, depois de terem passado a confiar apenas em sua incomparável e teimosa coragem, os emigrantes se vêem esperando em alguma estação ferroviária estrangeira, e nessa hora tudo o que sobrou de seu continente pátrio são eles mesmos, suas mãos, seus olhos, seus pés, ombros, corpos, o que vestem e o que puxam sobre a cabeça à noite, para dormir, por falta de um telhado”.

Berger insiste na Real Politik, na geografia econômica: “Há mais de trinta anos, Guy Debord escreveu profeticamente: a acumulação de produtos fabricados em massa para o espaço abstrato do mercado, assim como despedaçou todas as barreiras regionais e legais, e todas as restrições corporativas da Idade Média que mantinham a qualidade da produção artesanal, também destruiu a autonomia e a qualidade dos lugares.”

Ora, direis, Berger é um sonhador retrógrado, um “romântico”. Nada mais longínquo da realidade. “O termo chave do caos global de hoje é a des-localização ou re-localização. Isto não só se refere à prática de mudar a produção para onde a mão de obra for mais barata e os regulamentos mínimos. Também abriga o sonho estrangeiro e demente do novo poder constituído: o sonho de minar o status e a confiança em todos os lugares fixos, de modo que o mundo inteiro se torne um único mercado fluido. O consumidor é essencialmente alguém que se sente perdido, ou que é levado a se sentir perdido, a menos que esteja consumindo. Nomes de marcas e logotipos tornaram-se os nomes locais de Lugar Nenhum”.

Nesse texto cuja conclusão cirúrgica está nas primeiras duas linhas (“Nunca anteriormente a devastação causada pela procura do lucro, enquanto definido pelo capitalismo, foi tão extensa quanto atualmente. Quase todo mundo sabe disso”), Berger também tem algo a dizer sobre o tempo: “O Lugar Nenhum gera uma consciência estranha – porque sem precedentes – do tempo. O tempo digital. Ele segue ininterrupto para sempre através dos dias e das noites, das estações, do nascimento e da morte. Tão indiferente quanto o dinheiro. Entretanto, ainda que contínuo, é completamente único. É o tempo do presente mantido afastado do passado e do futuro”. Vou acabar reescrevendo o texto de Berger, que só tem seis páginas...
O endereço é www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/307/

Christopher Hogwood sobre Dowland

Christopher Jarvis Haley Hogwood (UK, 1941) “é um maestro, cravista, compositor e musicólogo inglês, conhecido por suas interpretações de obras barrocas e clássicas com instrumentos de época. (...) Hogwood estudou música e literatura clássica no Pembroke College, na Universidade de Cambridge. Posteriormente estudou regência com Raymond Leppard e Thurston Dart e, mais tarde, com Rafael Puyana e Gustav Leonhardt. Uma bolsa de estudos do British Council lhe permitiu estudar em Praga, na então Tchecoslováquia, por um ano. Em 1967, Hogwood fundou o Early Music Consort, com David Munrow, e em 1973 fundou a Academy of Ancient Music, ambos especializados em performances de música barroca e clássica com instrumentos de época. O Early Music Consort foi dissolvido com a morte de Munrow em 1976, porém Hogwood continuou a se apresentar e gravar com a Academy of Ancient Music”. (veja o restante: http://pt.wikipedia.org/wiki/Christopher_Hogwood )

Hogwood é autor de um excelente artigo sobre a música de Dowland (1563-1626) para teclado, que é o tema desse post: John Dowland. Keyboard Music - Harpsichord, virginals or clavichord. O início do artigo:

INTRODUÇÃO
Ainda que as fronteiras entre o repertório de alaúde e o de instrumentos domésticos de teclado do século 17 fossem bastante permeáveis, é notável que o maior dos autores ingleses para teclado, William Byrd, nada tenha escrito especificamente para alaúde solo, e que o o mais renomado alaudista inglês, John Dowland, nada tenha deixado para teclado. Mas tal repertório era entusiasticamente transferido entre esses instrumentos por seus contemporâneos. Como uma edição de arranjos da música de Byrd para alaúde apareceu em 1976, não parece despropositado equilibrar esse fato com uma seleção da música de Dowland transcrita para teclado.

Muitos músicos amadores de todos os níveis da sociedade eram eficientes em ambos os instrumentos, o que aumenta a probabilidade do repertório transferido. Quando James IV, da Escócia, veio pedir a mão da Princesa Margaret, em 1503, diz-se que “....o rei diante dela tocou o clavicórdio, e depois o alaúde, o que muito a agradou, ela teve muito prazer em ouvi-lo..” Mary Queen of Scots também está descrita no “Report of England” publicado por Giovanni Michel em 1557 “...tocando especialmente clavicórdio e alaúde com tanta excelência (ainda que ela toque muito raramente) que surpreendeu os melhores instrumentistas, tanto pela rapidez de sua mão como por seu estilo de execução”.

Leia o artigo em http://www.editionhh.co.uk/hh74pref.htm

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A calma dessa gente...


O dia em que fui crucificado

The most powerful depiction of the death of Christ ever written. See that infamous day not through the eyes, nor the voice of other men, but rather through the eyes and voice of the Lord Jesus Christ himself. He tells you of that day.

Traduzindo: “A mais poderosa descrição da morte de Cristo jamais escrita. Veja aquele dia infame não através dos olhos ou da voz de outros homens, mas através dos olhos e da voz do próprio Senhor Jesus Cristo. Ele fala sobre aquele dia”.

Espero que “Gene Edwards” esteja dando a parte dos direitos autorais de Jesus (uns 90%, digamos, já que é o autor principal e personagem/vítima central) para os pobres...

The Day I Was Crucified: As Told by Jesus Christ – Gene Edwards
Destiny Image Publishers ISBN: 0768422248 2004 PDF 216 pages 2,6 mb

Robert Crumb

Em post de 21 de maio eu disse que procuraria livros de Crumb, e aqui está um deles:

The Book of Mr. Natural
112 pages CBR 62 MB

http://depositfiles.com/files/jafyrnx99 ou

http://rapidshare.com/files/246983637/The_Book_of_Mr_Natural.rar

Monserrat Figueras

Nem sei o que dizer desse CD. Músicas belíssimas, arranjos bem cuidados, qualidade de som de primeira. Nunca as canções de ninar juntaram um time desses. As crianças podem dormir, mas os adultos ficam acordadíssimos e de queixo caído...

Montserrat Figueras - voice
Paul Badura-Skoda - piano
Xavier Diaz-Latorre - baroque guitar, renaissance guitar, romantic guitar
Driss El Maloumi - ud
Pedro Estevan - santur, pandero
Marc Hantaï - renaissance transverse flute, baroque transverse flute
Andrew Lawrence-King - arpa doppia
Pedro Memelsdorff - recorders
Begona Olavide - psaltery
Dimitris Psonis - santur, bells
Arianna Savall - triple harp
Jordi Savall - soprano viola da gamba, bass viola da gamba, rebab
Sergi Casademunt - tenor viola da gamba
Imke David, Lorenz Duftschmid, Sophie Watillon, Philippe Pierlot - bass viola da gamba

TrackList:
01 - Anon. Portugal - Cancao de emballar - Jose embala o menino
02 - Anon. England - Lullaby - My little sweet darling
03 - Anon. Greece - Lullaby - Koimnesou kaidemeno mou
04 - Anon. Sepharad Moroco - Ladino lullaby - Nani, nani
05 - Anon. - Berber - Amazigh lullaby
06 - William Byrd - Lullaby - Come, pretty babe
07 - Tarquinio Merula - Hor ch'e tempo di dormire
08 - Anon. Alicante - Mareta, mareta no'm faces plorar
09 - Johann Friedrich Reichardt - Dors mon enfant
10 - Moussorgski - Children's room - With a doll
11 - Anon. Israel - Hebrew lullaby - Noumi noumi yaldati
12 - Arvo Part - Rojdestvenskaia Kolibelnaia
13 - Max Reger - Maria Wiegenlied -Maria sitzl am Rosenhag
14 - Manuel de Falla - Nana - Duermete, nino, duerme
15 - Darius Milhaud - Hebrew lullaby - Dors, dors
16 - Federico Garcia Lorca - Nana de Sevilla - Este galapaguito
17 - Arvo Part - Estonian lullaby - Kuus, kuus kallike
18 - Anon. Catalan - Canco de Bressol - La mare de Deu

Montserrat Figueras - Ninna Nanna 1450 - 2002
Genre: Classical, Lullabies Format: Mp3, CBR 320Kbps 1 CD Size: 148Mb Date: 2003 Berceuses - Lullabies - Nanas - Wiegenlieder
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Federico García Lorca


La España de Lorca es la de la España de la Generación del 98, con una rica vida intelectual donde los nombres de Francisco Ginér de los Ríos, Benito Pérez Galdós, Miguel de Unamuno, y poco después Madariaga y José Ortega y Gasset imprimían el sello distintivo de una rebelión contra la realidad de España.
Influyeron, además, en la sensibilidad del poeta en formación Lope de Vega, Juan Ramón Jiménez, Antonio Machado, Manuel Machado, Ramón del Valle-Inclán, Azorín e, incluso, "El cancionero popular".
En 1918 publicó su primer libro "Impresiones y paisajes", costeado por su padre. En 1920 se estrenó en teatro su obra "El maleficio de la mariposa", en 1921 se publicó "Libro de poemas" y en 1923, se pusieron en escena las comedias de títeres "La niña que riega la Albahaca y el príncipe preguntón". En 1927 en Barcelona expuso su primera muestra pictórica.
En esta época frecuenta activamente a los poetas de su generación que permanecen en España: Jorge Guillén, Pedro Salinas, Gerardo Diego, Dámaso Alonso, Rafael Alberti, y sobre todo Buñuel y Dalí, a quien después le tributó "Oda a Salvador Dalí". El pintor por su parte pintó los decorados de la primera comedia del granadino "Mariana Pineda". En 1928 publicó la revista literaria "Gallo", de la cual salieron solamente dos números.
En 1929 marcha a Nueva York. Para entonces se habían publicado, además de los antes mencionados, sus libros "Canciones" (1927) y el "Primer romancero gitano" (1928), siempre su obra poética más popular y más accesible. A Lorca le molestaba mucho el que el público le viera como "gitano".
De su viaje y estancia en Nueva York surge libro "Poeta en Nueva York" y la gratificante certeza de que fue una época feliz para el éxitoso y bohemio español, quien por cierto no aprendió el inglés. En 1930 fue a la Habana, donde escribió parte de sus obras "Así pasen cinco años" y "El público", ese año regresó a España donde fue recibido en Madrid con la noticia de que su farsa popular "La zapatera prodigiosa se estaba escenificando. En 1931 se instaura la II República y esta nombró a Don Fernando de los Ríos como Ministro de Instrucción Pública el cual fue su princpal mecenas durante los primeros años del poeta en España y fue nombrado bajo el patrocinio oficial como codirector de la compañía estatal de teatro "La barraca" donde disfrutó de todos los recursos para producir, dirigir, escribir, adaptar todo tipo de obras teatrales, escribió en este período "Bodas de Sangre", "Yerma" y "Doña Rosita la soltera".
Leia mais em:
http://paulagonzalez3d.lacoctelera.net/post/2006/03/14/biografia-federico-garcia-lorca

Federico García Lorca was born into a landowning family in the vale of Granada in 1898. Eleven years later, his family moved to Granada itself, the scene of his formative artistic and intellectual contacts. After abandoning early plans for a musical career, Federico turned to literature; Impressions and Landscapes appeared in 1918. A year later began his long association with the Residencia de Estudiantes in Madrid. His many friends there included the poets Guillén and Alberti, the future film director Buñuel, and most importantly for Lorca, Salvador Dalí. Lorca’s early plays and poems draw on aspects of Andalusian tradition, but always as part of a sophisticated language of highly personal expression. Dalí too encouraged him to make the exploration of his own unconscious a spur to more radical literary
experiment. Thus when in 1928 his Gypsy Ballads achieved its outstanding popular success, Lorca had in a sense already moved beyond it. Partly in reaction to an unhappy homosexual love-affair he left Spain in 1929 to study at Columbia University. In the event his New York experiences sharpened his sense of crisis, confirming his sexual orientation and introducing new extremes of experiment into his writing: Poet in New York and the ‘unperformable’ drama, The Public. In 1931, the year following his return to Spain, the Second Republic was established. It brought Lorca a new commitment as director of the student theatre company ‘La barraca’, touring classic Spanish plays about the country. His literary projects of the early 1930s included new poetic ventures—The Tamarit Divan; the Lament for his bullfighter friend, Ignacio Sánchez Mejías—and, in Blood Wedding, Yerma, and Doña Rosita the Spinster a new kind of theatre: poetic, radical, questioning, but also accessible and popular. His success in this, his broad identification with progressive public causes, and his seemingly inexhaustible creativity made the Republican years a rewarding time for him. That was cut short when, in August 1936, a few weeks into the Civil War, and soon after finishing The House of Bernarda Alba, he was arrested and murdered by the Nationalist authorities in Granada.
D. Gareth Walters (Oxford World’s Classics)
Federico García Lorca, Selected Poems
http://www.fulldls.com/torrent-ebooks-1768592.html


Federico Garcia Lorca - Obra completa

PDF 2,6 Mb 1342 p. Spanish
http://rapidshare.de/files/20254178/GLorcaObraC.rar
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Se necessário: Password: HungryMind

Infelizmente, os links estão instáveis.


O poeta lê sua obra:

Tracklist:
01. Sueño
02. La balada del agua del mar
03. Baladilla de los tres tios
04. La guitarra
05. El paso de la seguiriya
06. Sorpresa
07. La solea
08. Muerte de la petenera
09. La lola
10. Baile
11. Remansillo
12. Remanso, cancion final
13. Agosto
14. Cancion china en europa
15. El lagarto esta llorando
16. Cancion tonta
17. Adelina de paseo
18. Mi ni¤a se gue a la mar
19. Cancion de jinete
20. Es verdad
21. Arbole arbole
22. Galan
23. A irene garcia
24. Al oido de una muchacha
25. Susto en el comedor
26. Serenata
27. Despedida
28. En el instituto y en la universidad
29. De otro modo
30. Gacela del mercado matutino
31. Casilda del herido por el agua
32. Casilda de la rosa
33. Casilda de las palomas oscuras
34. Corrida de toros en ronda
35. Romance de la muerte de torrijos
36. Romance de la talabartera
37. Nana del caballo herido
38. Romance de la luma
39. Leonardo y la novia
40. Oracion de las penitencias
41. La rosa mudable
42. Romance de las tres manolas

Download
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Paco de Lucia – 12 Canciones de García Lorca para guitarra (1992 - 320 kbps)

1 Zorongo Gitano 2:58
2 Sevillanas del Siglo Xviii 3:12
3 Las Morillas de Jaen 2:56
4 Anda Jaleo 4:02
5 Los Mozos de Monleon 3:02
6 Los Reyes de la Baraja 2:52
7 Los Cuatro Muleros 2:51
8 Nana de Sevilla 3:11
9 Cafe de Chinitas 3:48
10 El Vito 2:54
11 Los Peregrinitos 3:32
12 Las Tres Hojas 2:25

Composed by: Garcia Lorca
Performed by: Paco De Lucia, Ricardo Mondrego.

http://www.fulldls.com/torrent-albums-1742198.html

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mirror-Neurons and the Evolution of Brain and Language

“Esse volume coletivo reúne contribuições selecionadas feitas ao simpósio sobre ‘Neurônios-Espelho e a Evolução do Cérebro e da Linguagem’. O encontro ocorreu em julho de 2000 nas dependências do Hanse Institute for Advanced Study, Delmenhorst, Alemanha, e com seu apoio financeiro. A meta do simpósio era discutir o status da recente descoberta científica dos chamados ‘neurônios-espelho’ e suas potenciais consequências, mais especificamente do ponto de vista de nossa compreensão da evolução do cérebro, de aspectos da inteligência social (como imitação, identificação de papel comportamental e comunicativo e teoria da mente) e da linguagem desde os primatas até os macacos e os humanos.

Mirror Neurons and the Evolution of Brain and Language
Maksim I. Stamenov & Vittorio Gallese

John Benjamins Pub Co 2002 Pages: 390 PDF 6.18 MB
http://uploading.com/files/G2C7LG9A/MirroNeur.rar.html

Cognição e Inteligência

“Escrito por especialistas conhecidos, este livro é sobre pesquisas psicológicas da inteligência e dos diversos fatores que influenciam seu desenvolvimento. O volume resume e sintetiza os últimos 30 anos da literatura sobre inteligência. Cada autor faz uma abordagem experimental diferente do assunto, disseminando a pesquisa desde a neurociência e a velocidade perceptiva até as pesquisas sobre resolução de problemas e metacognição”.

Cognition and Intelligence: Identifying the Mechanisms of the Mind
Robert J. Sternberg & Jean E. Prez
Cambridge University Press 2004 PDF 360 pages 11.89 mb
(por favor, escolha o endereço que lhe fornecer o melhor resultado final)
http://uploading.com/files/UZHAWP54/0521827442.zip.html
http://depositfiles.com/files/snfrw13pn
http://www.megaupload.com/?d=49SE3IV8

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O cérebro intacto e fatiado

“Nesse livro, Mircea Steriade adverte contra a tendência de alguns neurocientistas para inferir funções globais, como despertar ou dormir, eventos de epilepsia e mesmo o pensamento consciente, a partir das propriedades de células isoladas. Com base em toda uma vida de pesquisas sobre cérebros intactos, Steriade enfatiza a necessidade de entender redes isoladas no contexto do cérebro dos mamíferos como um todo, e entender o cérebro de um animal que se comporta em termos de seus circuitos inteiramente dissecados. Ainda que o conhecimento sobre anatomia e função cerebrais tenha progredido tanto, Steriade é bastante cético quanto à procura da relação entre a consciência e tipos neuronais específicos. As seções do livro são: Conceitos cambiantes sobre localização de função cerebral, evolução de métodos de estudo do cérebro, resultados similares e contrastantes de estudos do cérebro intacto e fatiado, blocos fundamentais de redes sinápticas na base de estados normais e paroxísmicos, e o último capítulo: Sobre neurônios e a consciência”.

Nesse último capítulo, diz Steriade: “

I hesitated for a long time before deciding to write this chapter. My book focuses on the advantages of investigating complex neuronal circuits as they function in intact brains during natural life, as opposed to the simplified networks of reduced preparations used nowadays in most laboratories. Needless to say, only a few neuroscientists would deny that consciousness is produced by the brain and, as such, is one of the emergent brain functions discussed in the previous chapters. Only writing this sentence, brain causes consciousness, should not require a chapter.


The Intact and Sliced Brain
Mircea Steriade
MIT Press 2001 Pages: 322 PDF 7 MB
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A Neurociência da Linguagem - Pulvermüller

Livro recente de Friedemann Pulvermüller, bem descrito pelo texto da editoria (Cambridge): “Como a linguagem é organizada no cérebro humano? A Neurociência da Linguagem estabelece um modelo sistemático de linguagem para eliminar a barreira entre linguística e neurociência. Os modelos neuronais de processamento de palavra e de ordem serial estão apresentados sob forma de uma rede neural computacional e conexionista. A ênfase linguística está nas palavras e nas regras sintáticas elementares. Os capítulos introdutórios se concentram na estrutura e função neuronais, nos processos cerebrais cognitivos, no básico da pesquisa clássica sobre afasia e na moderna neuroimagem de linguagem, e no básico das teorias sintáticas. A essência da obra está contida nos capítulos sobre redes e algoritmos neurais, sintaxe básica, mecanismos de ordem serial e gramática neuronal. Por todo o texto, excursos ilustram o funcionamento de modelos cerebrais da linguagem, alguns dos quais são acessíveis enquanto animações no website que acompanha o livro. Será atraente para estudantes de graduação e pesquisadores de neurociência, psicologia, linguística e modelagem computacional”. No prefácio do livro, a questão básica da obra recebe uma descrição melhor:

How is language organized in the human brain? This book provides results of brain activation studies, facts from patients with brain lesions, and hints from computer simulations of neural networks that help answer this question. Great effort was spent to spell out the putative neurobiological basis of words and sentences in terms of nerve cells, or neurons. The neuronal mechanisms – that is, the nerve cell wiring of language in the brain – are actually in the focus. This means that facts about the activation of cortical areas, about the linguistic deficits following brain disease, and the outcome of neural network simulations will always be related to neuronal circuits that could explain them, or, at least, could be their concrete organic counterpart in the
brain. In cognitive neuroscience, the following questions are commonly asked with regard to various higher brain functions, or cognitive processes, including language processes:
(1) Where? In which areas of the brain is a particular process located?
(2) When? Before and after which other processes does the particular process occur?
(3) How? By which neuron circuit or which neuron network type is the particular process realized?
(4) Why? On the basis of which biological or other principles is the particular process realized by this particular network, at this particular point in time, and at these particular brain loci?

The ultimate answer to the question of language and the brain implies answers to these questions, with respect to all aspects of language processing. The aspects of language relevant here include the physical properties of speech sounds and the sound structure of individual languages as specified by phonetics and phonology, the meaning and use of words and larger units of language as specified by semantics and pragmatics, and the rules underlying
the serial ordering of meaningful language units in sentences or larger sequences as specified by syntax. All of these aspects are addressed, although an emphasis is put on words and elementary syntactic rules.


The Neuroscience of Language: On Brain Circuits of Words and Serial Order
Friedemann Pulvermüller
Cambridge University Press 2008 Pages: 332 PDF 1.58 MB
http://rapidshare.com/files/252346816/TNeuroLang.rar