quarta-feira, 31 de março de 2010

Evolução do Cérebro e Doença de Alzheimer


Did rapid brain evolution make humans susceptible to Alzheimer's?
March 29, 2010 By Alvin Powell

(PhysOrg.com) - Dos milhões de animais da Terra, incluindo aqueles considerados os mais inteligentes - macacos, baleias, corvos e corujas - apenas os humanos passam pelo grave declínio das habilidades mentais, relacionado à idade, que é a doença de Alzheimer.

Para Bruce Yankner, professor de patologia e neurologia da Harvard Medical School (HMS), está bem claro que a culpada é a evolução.

'Algo ocorreu durante a evolução que torna nosso cérebro suscetível a mudanças relacionadas à idade', disse Yanker em uma palestra patrocinada pelo Harvard Museum of Natural History, como parte da série de palestras "Questões Evolutivas".

Yankner, cujo laboratório na HMS estuda o envelhecimento do cérebro e como o processo de envelhecer faz surgir a patologia das doenças de Parkinson e de Alzheimer, disse que a doença de Alzheimer é um dos distúrbios que mais cresce nesse século. À medida que a ciência médica alonga a duração da vida humana, a proporção da população humana em idade avançada está crescendo. Considerando que pelo menos metade daqueles que têm mais de 85 anos desenvolvem Alzheimer, há uma crescente urgência em entender a doença mais amplamente e desenvolver intervenções mais eficazes.

'Está claro que o problema do declínio cognitivo é uma das ameaças emrgentes na área de saúde no século 21', disse ele.

Yankner também se referiu a evidências científicas de que mostram que algum declínio cognitivo - que se inicia na meia idade e se acelera depois dos 70 anos - é normal à medida que envelhecemos. Este declínio também é visto em outros animais, incluindo ratos e macacos. É caracterizado por grande variação entre os indivíduos, com alguns deles mantendo habilidades cognitivas similares às que possuiam quando mais jovens.

A questão mais difícil, disse Yankner, é por que os humanos desenvolvem a séria incapacidade da doença de Alzheimer. Estudos com outras criaturas não mostram sinais de condições similares nem mesmo em nosso parentes mais próximos. Isto significa que a suscetibilidade à doença de Alzheimer evoluiu recentemente, bem provavelmente durante um período marcado por um aumento rápido do tamanho do nosso cérebro. Mas o tamanho, apenas, não é o fator determinante, disse Yanker, já que outros animais têm cérebros muito maiores, entre eles baleias, elefantes e até nosso extinto parente, o homem de Neanderthal.

Ao invés disso, é provável que a complexidade do cérebro e o grande número recente de células do cérebro humano tenha algo a ver com isso tudo, disse ele.

Pesquisas recentes, no laboratório de Yankner e em outros locais, utilizaram sondas genéticas para investigar as diferenças entre cérebros jovens e idosos em humanos, macacos e ratos. O trabalho mostra que a função genética do cérebro em processo de envelhecimento fica mais lenta - dramaticamente em indivíduos com Alzheimer - e que os genes que mais se desligam são aqueles que protegem o cérebro contra dano genético de fatores ambientais e outros.

Yankner disse acreditar que o declínio cognitivo se deve a uma lenta acumulação de dano genético no cérebro em processo de envelhecimento, com a doença de Alzheimer apresentando a forma mais severa desse dano, chamada de "
double strand breaks". Mesmo que a fonte do dano ainda não esteja clara, Yankner disse que um dos culpados pode ser a acumulação de metais no cérebro com o decorrer do tempo, particularmente o ferro.

Os neurônios utilizam mais energia do que a maioria das outras células, disse Yankner. Com o aumento da complexidade do cérebro, sua demanda por energia também cresceu. O ferro tem um papel chave nas mitocôndrias celulares que produzem energia, de modo que a acumulação de ferro leva a um dano genético que poderia ser um subproduto de cérebros ricos em neurônios e que absorvem muita energia.

'O envelhecimento é um equilíbrio entre o desgaste e os reparos efetuados. Sua posição nesse equilíbrio determina o seu estado', disse Yankner.

Provided by Harvard University

Dicionário Técnico da Música


"The Music Tech Dictionary" provides the definitive glossary of music technology and pro audio topics and terms. It focuses on the terminology, techniques, and formats that are common in the audio and music technology field, and offers concise, pithy explanations of what each term represents. Users will be able to look up any music software, music technology, or audio related term they run across in their software, in articles, or in studios, for a short, complete overview.Summary: Offers a glossary of audio-related terms and technologies for audio pros. Rating: 5
THE MUSIC TECH DIRECTORY should be in any serious music library: it offers a glossary of audio-related terms and technologies for audio pros, focusing on techniques, formats and terms common in the audio and music technology field. Look up music software or related terms and you'll find definitions often linked to diagrams, screen shots, and more. A top pick for any serious music library - and many a software reference collection.

The Music Tech Dictionary: A Glossary of Audio-Related Terms and Technologies
Mitch Gallagher

terça-feira, 30 de março de 2010

Enquanto os insetos dormem


(Clique na foto para ampliar)
Série de fotografias estonteantes de Miroslaw Swietek, aqui.

Guia de Instrumentos de Época


"Este Guia de Instrumentos de Época procura esclarecer as dúvidas de todos os apreciadores da música antiga sobre os instrumentos usados nesses períodos da história da música. O texto e os excertos gravados descrevem a origem e o desenvolvimento de cada instrumento musical, da Idade Média até o final do século 18, e os colocam em seu contexto histórico. Há um livreto de apresentação, completamente novo, com 200 páginas (83 MB) e abundantemente ilustrado, assim como oito CDs de exemplos gravados dos instrumentos que lançam nova luz sobre os principais períodos da história da música. Estes excertos foram retirados do catálogo da gravadora Ricercar, em sua maioria, e são complementados por gravações novas feitas exclusivamente para o guia, assim como material disponibilizado para nós por outras gravadoras especializadas.

Performers:
Ensemble Millenarium, Continens Paradisi, Capilla Flamenca, La Caccia, Les Basses Réunies, Le Poème Harmonique, Les Agréments, La Gioa Armonica, The London Classical Players, La Fenice, Doulce Mémoire, Ricercar Consort, Bernard Foccroulle, Rolf Lislevand, Philippe Pierlot, Gustav Leonhardt, Christina Pluhar, Jérémie Papasergio, Jean-Marc Aymes, Marcel Ponseele, Guy Van Waas, Paul Goodwin, Roger Norrington
... "

Endereços das pastas que reúnem os nove arquivos (RapidShare) que compõem a obra:

http://rapidfolder.com/rf-92e58x38 ou

http://lix.in/-77511b

Cortesia do site Branle de Champagne.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Heidegger - Elucidations of Hölderlin's Poetry


O tradutor, Keith Hoeller, escreveu uma introdução (um verdadeiro guia ao livro) que começa assim:

"As presentes elucidações não afirmam ser contribuições a pesquisas sobre a história da literatura ou a estética. Elas surgem por uma necessidade de pensamento.

Este é o prefácio de Heidegger para a quarta edição, ampliada, desse livro (1971). É surpreendente por sua brevidade. Mas o que é ainda mais surpreendente é que Heidegger tenha sentido necessidade de tal negativa, quase três décadas depois da publicação da primeira edição dessa obra. Estou certo que a publicação desse livro em inglês exige que essa negativa receba ainda mais apoio, e gostaria de tomá-la como um guia sobre como abordar esse livro. Porque o breve prefácio de Heidegger, de duas frases, nos diz o que esse livro não é, assim como o que ele é.

O prefácio de Heidegger deixa claro que os ensaios contidos aqui não são meros comentários (
Anmerkungen) nem explicações (Erklärungen), como poderíamos esperar normalmente, já que lidam com a explicação da obra de um poeta; antes, são elucidações (Erläuterungen). Heidegger italicizou deliberadamente a palavra, e o último parágrafo de seu prefácio à segunda edição (1951) enfatiza ainda mais o significado da raiz (läutern, tornar claro, ou esclarecer). A elucidação deve deixar o próprio poema 'um pouco mais claro'. Ela deveria'procurar tornar a si mesma supérflua', isto é, transparente. E, em última análise, deveria permitir que o poema elucidasse, isto é, 'lançasse luz sobre os outros poemas'."

Dicionário de Música


This reference provides in-depth explanations and examples of more than 3000 musical terms and topics, including biographies of composers. Spanning early history to the present day the dictionary contains explanations of terms, illustrations of instruments, repertory for the various instruments, pronunciations of foreign terms and composers and inclusion of charts presenting additional information on principal ballets, operas and symphonies. Subjects covered include: a capella; afterbeat; bluegrass; cantata; cajun music; chamber opera; digital recording; electronica; film music; guitar; jazz; masque; moment form; open hamony; pedal clavichord; reggae; string quartet; studio music; and woodwind quintet.

The Facts on File Dictionary of Music
Christine Ammer
2004 448 pages PDF 2,8 MB

Léxico Grego-Inglês


Liddell & Scott's Greek-English Lexicon is the most comprehensive and up-to-date ancient Greek dictionary in the world. Used by every student of ancient Greek in the English-speaking world, the dictionary covers every surviving ancient Greek author and text discovered up to 1940, from the Pre-Classical Greek of Homer and Hesiod to Classical Greek to the Hellenistic Period, including the Greek Old and New Testaments. This monumental work is now available with a brand new Revised Supplement. Representing the culmination of thirteen years' work, the new Supplement is a complete replacement of the 1968 Supplement. Nearly twice the size of the 1968 edition, with over 20,000 entries, it adds to the dictionary words and forms from papyri and inscriptions discovered between 1940 and the 1990s as well as a host of other revisions, updatings, and corrections to the main dictionary. Linear B forms are shown within entries for the first time, and the Revised Supplement gives the dictionary a date-range from 1200 BC to 600 AD. It is fully cross-referenced to the main text but additions have been designed to be easily used without constant reference to the main text.

A Greek-English Lexicon, Ninth Edition with a Revised Supplement

sábado, 27 de março de 2010

Musiquinhas e dicas pro fim de semana




Kris Drever - Mark The Hard Earth
Folk Rock MP3 52.6 MB 2010
Time: 44:17 min Label: Navigator Records
Tracklist:
01. Mark The Hard Earth 4:45
02. This Old Song 3:54
03. Shining Star 3:56
04. Allegory 3:58
05. Wild Hurricane 3:57
06. Sweet Honey In The Rock 3:03
07. O' A' The Airts 3:31
08. The Call And The Answer 3:57
09. The Crown Of London 4:01
10. The Banks Of The Nile 4:39
11. Freedom Comes A'ye 4:33
http://hotfile.com/dl/33986422/2144c60/KD_Mark_The_Hard_Earth-2010.rar ou
http://rapidshare.com/files/366609285/KD_Mark_The_Hard_Earth-2010.rar

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Durante a semana, zappeando no controle remoto para ver se havia vida inteligente no universo televisivo, dei de cara com o trecho espetacular do filme Philadelphia em que contracenam Tom Hanks e Denzel Washington, tendo como trilha sonora a divina Maria Callas cantando a ária 'La Mamma Morta' (da ópera Andrea Chénier). Fucking fantastic! Tom Hanks dá outra dimensão dramática à coisa toda: veja a cena no YouTube, aqui. Cortesia do blog Abandon Caution.

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Putumayo Presents: American Folk
World 260 MB) MP3 110 MB 2005
A capa do disco é uma droga; a música 12, de Bibb, é outra. Mas o resto é o fino!

Track Listing:
01. Pale Moon - Shannon McNally
02. You Don't Make It Easy Babe - Josh Ritter
03. She Don't Like Roses - Christine Kane
04. Don't Look for Me - Jeffrey Foucault
05. Pour - Lori McKenna
06. I Had Something - Lucy Kaplansky
07. Shirt - Peter Mulvey
08. Boots of Spanish Leather - Nanci Griffith
09. Rowing Song - Patty Griffin
10. Jubilee - Dan Littleton & Elizabeth Mitchell
11. Owensboro - Natalie Merchant
Time: 42.30 MP3 101 MB
Toots Thielemans - harmonica, guitar
Joe Pass - guitar
Niels Pedersen - bass
Tracklist:
1. BLUES IN THE CLOSET (O. Pettiford) 10:15
2. THE MOOCHE (Ellington-Mills) 4:50
3. THRIVING FROM A RIFF (C. Parker) 7:53
4. AUTUMN LEAVES (Mercer-Prevert-Kosma) 8:56
5. SOMEDAY MY PRINCE WILL COME (Churchill-Morey) 8:07
http://rapidshare.com/files/163057875/ThiPassPed-thenetherlands80.rar

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Se v. for convidado(a) para ir ao apartamento da(o) gata(o) com o exclusivo fim de ouvir uma gravação "única, sem precedente, curiosa, que ninguém tem, etc." das Variações Goldberg, de JS Bach, com o acordeonista austríaco Wolfgang Dimetrik, absolutamente NÃO VÁ! Eu avisei...

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Katia Ricciarelli - Rossini Arias

01. L'ora Fatal S'appressa - L'assedio Di Corinto
02. Giusto Ciel L'assedio Di Corinto
03. Piu Dolce E Placide Spirano L'aure Tancredi
04. Come Dolce Tancredi
05. Della Rosa Il Bel Vermiglio Bianca E Faliero
06. Quanto E Grato All Elisabetta Regina D'inghilterra
07. Assisa Ai Pie D'un Salice Ottello
08. Deh Calma, O Ciel Ottello
09. S'allontanano Alfin Guglielmo Tell
10. Selva Opaca Guglielmo Tell
11. Serena Il Vaghi Rai Semiramide
12. Bel Raggio Lusinghier Semiramide
13. Dolce Pensiero Semiramide
http://www.4shared.com/file/232583284/5d3b71bf/KatiaRicciRossiniArias.html

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The Hudson River Rats - Get It While You Can
Blues MP3 82 MB 1999

Tracklist:
01 Back to Louisiana - Intro - Osbourne 1:41
02 You Better Watch Yourself 4:44
03 Don't Knock It 3:21
04 Astronaut Lover 5:02
05 Get It While You Can 5:49
06 Mickey Mouse Boardinghouse 4:30
07 Ain't Nobody Home 3:49
08 Until You Come Back to Me 5:02
09 Drowning on Dry Land 6:19
10 Down Along the Cove 6:11
11 Back to Louisiana (Reprise) - Osbourne 4:18
http://rapidshare.com/files/337043991/HudsonR-Get.rar

Música e Filosofia


The rich conceptual and experiential relays between music and philosophy—echoes of what Theodor W. Adorno once called Klangfiguren, or "sound figures"—resonate with heightened intensity during the period of modernity that extends from early German Idealism to the Critical Theory of the Frankfurt School. This volume traces the political, historical, and philosophical trajectories of a specifically German tradition in which thinkers take recourse to music, both as an aesthetic practice and as the object of their speculative work. The contributors examine the texts of such highly influential writers and thinkers as Schelling, Schopenhauer, Nietzsche, Bloch, Mann, Adorno, and Lukács in relation to individual composers including Beethoven, Wagner, Schönberg, and Eisler. Their explorations of the complexities that arise in conceptualizing music as a mode of representation and philosophy as a mode of aesthetic practice thematize the ways in which the fields of music and philosophy are altered when either attempts to express itself in terms defined by the other.
Contributors: Albrecht Betz, Lydia Goehr, Beatrice Hanssen, Jost Hermand, David Farrell Krell, Ludger Lütkehaus, Margaret Moore, Rebekah Pryor Paré, Gerhard Richter, Hans Rudolf Vaget, Samuel Weber

Sound Figures of Modernity: German Music and Philosophy
Jost Hermand & Gerhard Richter
University of Wisconsin Press 2006 PDF 276 pages 5.33 MB
http://www.megaupload.com/?d=R0KIZN1R

A velocidade do pensamento


Certamente não li todos os artigos de Carl Zimmer. Mas todos os que tive oportunidade de ler eram muito bons. O sujeito não falha. É sempre interessante, bem escrito, informado. BS-free.

Eis aqui uma partezinha do artigo para hoje, que está aqui, só para dar água na boca:

"O pensamento pode não ser instantâneo, mas quase sempre é rápido o bastante para que pareça ser. A necessidade de velocidade no sistema nervoso não difícil de entender. Muitos animais dependem de seus nervos para perceber o perigo e escapar de seus prdadores; os predadores, por sua vez, dependem de seus nervos para armarem um ataque rápido. Mas a velocidade também nos influencia de maneiras surpreendentes.

Em um experimento comum para estudar a velocidade do pensamento, os pesquisadores mostram rapidamente aos sujeitos do teste uma letra 'U' de cabeça para baixo e perguntam que 'perna' dele é mais longa. Ocorre que os tempos de reação dos sujeitos revelam bastante sobre suas vidas em geral. As pessoas com respostas mais rápidas tendem a ter melhores resultados em testes de inteligência. Alguns psicólogos argumentaram que uma alta velocidade de processamento do cérebro é um ingrediente vital da inteligência. As respostas ficam mais vagarosas quando as pessoas têm certos distúrbios psicológicos como depressão. Mais enigmático, é que as pessoas com tempos lentos de reação são mais propensas a morrer de incidentes como derrames (AVE) ou ataques cardíacos.

A alta velocidade também é crucial para a maneira como percebemos o mundo. Três ou quatro vezes por segundo, nossos olhos arremetem em uma nova direção, permitindo-nos apenas um décimo de segundo para dar sentido ao que vemos em cada ponto. E fazemos um uso notavelmente bom desse tempo. Recentemente, as neurocientistas Michelle Greene e Aude Oliva, do M. I. T., executaram um experimento no qual mostravam rapidamente às pessoas uma série de paisagens, e depois faziam perguntas sobre as cenas. Por exemplo: havia florestas na figura? Parecia um lugar quente? As pessoas se davam bem nesses testes, mesmo quando passavam os olhos pelas figuras por menos de um décimo de segundo
".

Ainda na Discover, por exemplo:

The Dark Matter of the Human Brain
Meet the forgotten 90 percent of your brain: glial cells, which outnumber your neurons ten to one. And no one really knows what they do.
by Carl Zimmer
From the September 2009 issue; published online August 19, 2009

Humanity's Other Basic Instinct: Math
New research suggests that math has evolved its way right into our neurons—and monkeys', too.
by Carl Zimmer
From the November 2009 issue; published online November 17, 2009

Pequena bio de Zimmer.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lembranças do Futuro

Remembering the future: Our brain saves energy by predicting what it will see
March 24, 2010

(PhysOrg.com) -- Pesquisadores descobriram que o cérebro economiza energia predizendo o que provavelmente vai ver. De acordo com cientistas do departamento de psicologia da University of Glasgow, em colaboração com o Max-Planck Institute for Brain Research, em Frankfurt (Alemanha), o córtex visual não simplesmente reage a estímulos visuais, mas prediz ativamente o que ele tem probabilidades de ver em qualquer contexto dado - por exemplo, em abientes familiares como sua casa ou seu escritório.

Fazendo isso, ele utiliza menos energia para processar as imagens, mas se algo inesperado ocorrer naquele ambiente familiar, o córtex visual se torna mais ativo a fim de processar essas informações.

'Imagine sua mesa, em seu escritório', disse o principal pesquisador, Dr. Lars Muckli. 'Você já a viu um milhão de vezes, e seu cérebro sabe como ela é. Portanto, ele não precisa dispender muito tempo processando a cena. Ele já tem uma imagem mental daquilo, e então prediz que aquilo é o que verá antes que v. entre na sala'.

'Entretanto, se v. entrasse em seu escritório um dia e visse alguém totalmente inesperado sentado em sua cadeira - o Primeiro Ministro, por exemplo - seu cérebro teria que trabalhar mais para processar a mesma cena'.

As descobertas acabaram fazendo parte de uma nova hipótese desenvolvida pelo neurocientista do University College London, Karl Friston, chamada de codificação preditiva (predictive coding) - ou princípio da energia livre - que sugere que o cérebro prediz ativamente que input ele receberá, mais do que passivamente processe informações à medida que cheguem.

Disse o Dr. Muckli: ' Com codificação preditiva, queremos nos referir à idéia de que o cérebro gera predições que estimam qual o input visual que mais provavelmente receberá dadas as informações contextuais do passado recente. Para o cérebro, o assunto realmente é redução de surpresas'.

Para testar a hipótese da codificação preditiva, os pesquisadores de Glasgow conduziram um experimento no qual solicitou-se a 12 voluntários que vissem um estímulo visual enquanto passavam por uma tomografia cerebral funcional.

Os sujeitos tinham que olhar para um ponto fixo em uma tela de computador, acima e abaixo do qual dois pontos piscariam alternadamente, criando uma ilusão de movimento.

Para experiências predizíveis/impredizíveis, os pesquisadores apresentavam rapidamente um terceiro ponto na tela. Para testar o estímulo predizível, o ponto apareceria em um local entre os dois outros pontos, cronometrado para se correlacionar uma ilusão de movimento suave. Para testar o estímulo impredizível, ele apareceria fora de sincronia com a ilusão de movimento.
O córtex visual primário (V1) de cada sujeito era monitorado enquanto se faziam os testes, e os resultados mostraram que os padrões predizíveis resultaram em menos atividade no V1, em comparação com o estímulo impredizível.

Disse o Dr. Muckli: 'O cérebro espera ver coisas e realmente quer confirmar isso uma vez depois da outra - é quase como lembrar o futuro. Isso poderia explicar porque algumas vezes v. não nota alguma coisa diferente no ambiente, porque seu cérebro está vendo o que ele espera ver, mais do que realmente o que existe lá. O que temos que fazer agora é ampliar essa pesquisa para levarmos em consideração a codificação preditiva em ambientes mais naturais, e outros aspectos da percepção sensorial'.

O artigo, ‘Stimulus Predictability Reduces Responses in Primary Visual Cortex’, foi publicado no Journal of Neuroscience.

More information: Stimulus Predictability Reduces Responses in Primary Visual Cortex, The Journal of Neuroscience, February 24, 2010, 30(8):2960-2966; doi:10.1523/JNEUROSCI.3730-10.2010
Provided by University of Glasgow

Algo mais:

Um artigo aparentemente sobre os primórdios da atual investigação pode ser lido aqui.

Outro artigo, aqui, com ênfase nas áreas audiovisuais de integração.

Predictive coding: an account of the mirror neuron system
James M. Kilner Æ Karl J. Friston Æ Chris D. Frith 2007

Predictive Codes for Forthcoming Perception in the Frontal Cortex
Christopher Summerfield, Tobias Egner, Matthew Greene, Etienne Koechlin,
Jennifer Mangels, Joy Hirsch 2006

quinta-feira, 25 de março de 2010

Americanizando a mente global

Americanizing the global mind?
Andrew Rasmussen, Ph.D, March 15, 2010
"Estaremos fazendo mais mal do que bem ao exportar nossos diagnósticos e remédios para doenças mentais? Um novo livro - Crazy Like Us: The Globalization of the American Psyche - estabelece a agenda para uma discussão pública vital".

Depois de citar alguns fatos e estatísticas, prossegue Rasmussen:

"...Judith Warner chamou às falas toda a área, no New York Times: 'Este é o quadro geral da assistência médica psiquiátrica na América: não pessoas perfeitamente saudáveis engolindo pílulas sem qualquer razão, mas pessoas com doenças reais sem acesso a cuidados médicos; enfrentando obstáculos como ignorância, estigma e altos preços; ou tendo acesso a tratamento ineficazes'.

Esta crítica se globalizou em
Crazy Like Us: The Globalization of the American Psyche, do jornalista Ethan Watters, um livro que aborda 'o grande projeto de americanizar a compreensão da mente humana'.

Esta não é a primeira incursão de Watters na crítica da doença mental, já que ele é co-autor de dois livros com o psicólogo social da University of California-Berkeley, Richard Ofshe,
Making Monsters (1996), uma acusação ao fenômeno da memória reprimida das décadas de 1980 e 1990 e, talvez mais relevante quanto ao seu livro atual, Therapy's Delusions (1999), uma avaliação cáustica da escola psicanalítica (isto é, freudiana) de psicoterapia. (...)

A tese principal de Watters é mais ou menos assim: expandindo seus domínios através das forças da globalização, os profissionais americanos de saúde mental estão prejudicando outras sociedades ao introduzir sintomas do Ocidente na maneira como as pessoas de outras culturas expressam seu sofrimento, substituindo as explicações locais para problemas de saúde mental por modelos científicos ocidentais. Ele inicia apresentando aos leitores um fato que todos nós que estudamos a saúde mental globalmente conhecemos bem: a expressão e a explicação da doença mental depende em parte da cultura na qual residem os indivíduos atingidos. Na linguagem da área, elas (a expressão e a explicação) são 'culturalmente mediadas'.

Watters fornece diversos bons exemplos disso em
Crazy Like Us, mas a articulação mais clara vem do professor da McGill University e editor de Transcultural Psychiatry, Laurence Kirmayer, que é entrevistado amplamente. Kirmayer explica que muitas culturas têm uma experiência de isolamento e de desmotivação que nós, do Ocidente, chamamos tipicamente de depressão. Na Índia isso pode ser caracterizado por uma sensação de que o coração está fisicamente escorregando para baixo por dentro do corpo, na Nigéria por reclamações de uma sensação apimentada na cabeça, e na Coréia por 'uma doença de fogo. uma queimação na barriga'.

Os leitores que se interessarem por conhecer um compêndio de doenças mentais de outros países não ficarão desapontados. A maioria delas têm análogas no Ocidente (como a depressão), mas outras não têm. A mais tristemente famosa delas é o koro, do Sudeste da Ásia, a sensação repentina de que o próprio pênis está decrescendo em tamanho ou desaparecendo completamente. Se isto soa divertidamente amalucado, um surto de uma condição similar na década de 1990 em diversos países da África Ocidental resultou em multidões espancando e matando diversas mulheres por suspeição de feitiçaria. Esses fenômenos psicológicos são reais porque têm consequências comportamentais reais.

Esses distúrbios 'nativos' estão sendo deslocados por conceitos ocidentais, primariamente, afirma Watters, por jornalistas inconsequentes do mundo em desenvolvimento que se deixam levar por peritos ocidentais e por profissionais de saúde ocidentais aventureiros que estão lá para fazer o bem. Eles introduzem idéias sobre como os problemas mentais devem ser expressados - ou, mais exatamente, como eles são expressados na cultura ocidental - e aqueles que sofrem dão atenção a isso e os imitam".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Introdução histórica à língua inglesa


Where does today's English come from? This new edition of the bestseller by Charles Barber tells the story of the language from its remote ancestry to the present day. In response to demand from readers, a brand new chapter on late modern English has been added for this edition. Using dozens of familiar texts, including the English of King Alfred, Chaucer, Shakespeare, and Addison, the book tells you everything you need to know about the English language, where it came from and where it's going to. This edition adds new material on English as a global language and explains the differences between the main varieties of English around the world. Clear explanations of linguistic ideas and terms make it the ideal introduction for students on courses in English language and linguistics, and for all readers fascinated by language.

The English Language: A Historical Introduction
Charles Barber, Joan C. Beal, Philip A. Shaw

terça-feira, 23 de março de 2010

O Uivo de Allen Ginsberg



(Esta não é a fotografia mais comum ou mais conhecida de Ginsberg. Os editores gostam daquelas em que ele está desgrenhado, seminu, com cara de bicha-louca descontrolada, através das quais se pode desacreditar sua pesada retórica que acorda nossas mentes e consterna nossos corações)






Howl
I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked,
dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix,
angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night,

O Uivo é o realejo infernal de Allen Ginsberg que ainda ecoa no firmamento cinza-chumbo das alegorias psicotrópicas e apocalípticas e assombra nossas tentativas de fugir do inenarrável. Dançamos sob um céu de diamante, nossas silhuetas refletidas contra o mar, tentando esquecer o dia de hoje até que chegue o amanhã, palhaços esfarrapados perseguindo uma sombra. Mas somos animais empíricos vivendo fugazmente sob o olhar impassível das divindades olímpicas ou subterrâneas que criamos na tentativa de fugir do inexorável. O homem não vive em calmo desespero por falta de saídas: é que elas não levam a lugar nenhum. Nossa arquitetura febril projeta um pórtico partido para o impossível, e ardemos por essa atávica conexão celestial com o dínamo estrelado do maquinário da noite.

Ouça o poeta recitar sua obra prima aqui e aqui. O texto completo pode ser lido aqui.

A fantástica viagem através do cérebro


In his latest book, David Bainbridge combines an otherworldly journey through the central nervous system with an accessible and entertaining account of how the brain's anatomy has often misled anatomists about its function. Bainbridge uses the structure of the brain to set his book apart from the many volumes that focus on brain function. He shows that for hundreds of years, natural philosophers have been interested in the gray matter inside our skulls, but all they had to go on was its structure. Almost every knob, protrusion, canal, and crease was named before anyone had an inkling of what it did--a kind of biological terra incognita with many weird and wonderful names: the zonules of Zinn, the obex ("the most Scrabble-friendly word in all of neuroanatomy"), the aqueduct of Sylvius, the tract of Goll.This uniquely accessible approach lays out what is known about the brain (its structure), what we can hope to know (its function), and what we may never know (its evolution). Along the way Bainbridge tells lots of wonderful stories about the "two pounds of blancmange" within our skulls, and tells them all with wit and style.

Beyond the Zonules of Zinn: A Fantastic Journey Through Your Brain
David Bainbridge

segunda-feira, 22 de março de 2010


Da editoria: "O século 19 parece ter sido cheio de mulheres histéricas - ou pelo menos era assim que eram diagnosticadas. Onde estão elas agora? A própria doença não existe mais. Nesse livro fascinante, Andrew Scull conta a história da histeria - uma doença que desapareceu não por causa de esforços médicos, mas por causa da crescente compreensão científica e da mudança cultural. A sombria história da histeria é uma leitura incrível. As clínicas de Charcot apresentavam pacientes despreocupadamente 'histéricas' fazendo poses sensuais, e entre os visitantes profissionais estava alguém chamado Sigmund Freud. Scull discute as origens da idéia da histeria, o desenvolvimento da abordagem neurológica por John Sydenham e outros, a histeria como doença da moda e seu crescimento a partir do século 17. Subsequentemente, a 'doença' declinou e desapareceu com o decorrer do tempo".

Hysteria: The Biography
Andrew Scull

A física da música


Da editoria: "Por que um cravo tem som diferente de um piano? Ou também: por que o C (nota musical 'do') médio de um piano difere do C médio de um diapasão, ou de um trombone, de uma flauta? Good Vibrations explica em linguagem clara e amigável a incrível física responsável não só por essas diferenças como também por toda a gama de ruídos que chamamos de música. As propriedades físicas e a história do som são um estudo fascinante. A turnê de Barry Parker pela física da música detalha como os instrumentos, a acústica dos aposentos, a eletrônica e os seres humanos criam e alteram os variados sons que escutamos. Utilizando a física como base, Parker discute a história da música, como os sons são feitos e percebidos e os diversos efeitos da ação sonora. Noprocesso, ele demonstra o que a acústica pode nos ensinar sobre a teoria quântica e explica a relação entre os harmônicos e a teoria das ondas.

Temperado com historinhas e exemplos que ilustram os conceitos principais, esse livro fornece uma base sólida relativa à física real e teórica da física da música.

Barry Parker é
professor emeritus de física na Idaho State University, e autor de The Isaac Newton School of Driving e de Death Rays, Jet Packs, Stunts, and Supercars, ambos publicados pela Johns Hopkins".

Good Vibrations: The Physics of Music
Barry Parker

Music is one of the great unsolved scientific mysteries. Although most of us know what music is in a subjective sense, none of us really knows what it is in an objective sense. There has been a revival of "music science" in recent decades, but modern science remains profoundly ignorant about what music is, what it means (if anything) and why we respond to it the way we do.

In this book, Philip Dorrell presents his "super-stimulus" theory of music. The basic assumption of the theory is that music perception is really the perception of something else. This leads to the question: "What is it that is like music but which is not music?", and the only reasonable answer to that question is "speech". It follows that "musicality" must be a perceived aspect of speech, and music is a "super-stimulus" or "ultra-normal" stimulus for musicality.

Proceeding on this assumption, Dorrell analyses individual aspects of music. He assumes that each aspect represents a super-stimulus for a corresponding cortical map, where each such cortical map performs a particular task in the perception of speech. (At this point in the analysis, no particular assumption is made about what "musicality" means or represents.) Several important discoveries are made during this analysis. One is that it is possible to reconcile apparent differences between the characteristics of speech and music, including that music has simultaneous pitch values (i.e. harmony) whereas speech doesn't, that musical melodies are based on scales whereas speech "melodies" are mostly continuous, and that musical rhythm is very regular and hierarchical whereas speech "rhythm" is mostly irregular. A second is the significance of musical symmetries, in particular pitch translation invariance and time scaling invariance, both of which imply a non-trivial implementation built into the brain's speech (and music) perceptual machinery. (For the sake of completeness, a total of six musical symmetries are analysed in the book.) The third, and perhaps the most significant, because it seems to point the way to discovering the meaning of "musicality", is that "constant activity patterns" occur in cortical maps when responding to music, but not when responding to speech.

The book contains some analysis of additional issues, including octave translation invariance (which counts as one of the six symmetries), calibration (of pitch translation invariance, and analogously of time scaling invariance) and repetition (an additional aspect of music not included in the analysis so far). The final stage in the analysis is an attempt to develop a plausible explanation for the significance of constant activity patterns, and why they cause the listener to feel the emotional effect of music. A plausible (if somewhat speculative) hypothesis is that constant activity patterns in the listener's brain are an "echo" of constant activity patterns in the speaker's brain, and that constant activity patterns in the speaker's brain are an indication of the speaker's level of "conscious arousal". The exact meaning of "conscious arousal" is uncertain, but it is assumed to be something which involves modal changes over large regions of the brain (which accounts for the increased constancy of activity patterns), and which reflects some aspect of mental state likely to be of interest to other people. The emotional response to perceived musicality occurs on the assumption that if a speaker is consciously aroused and the content of their speech is emotionally charged, then the listener should take that content more seriously (where this assumption has in effect been "hard-wired" into our brains by evolution). A final chapter in the book speculates about the effect that a scientific understanding of music will have on the existing music "industry", that in the future, instead of buying music composed by brilliant composers and song-writers, we will just run some software on our personal computers and press the "Compose New Music" button.

What is Music? Solving a Scientific Mystery
Philip Dorrell

Lulucom 2005 324 Pages PDF 2 MB
http://www.megaupload.com/?d=KB1O1BJ2 ouhttp://depositfiles.com/files/du1c1ksml

domingo, 21 de março de 2010

Outro artigo sobre a leitura das crianças

No jornal americano The Washington Post de 15 de dezembro de 2009, foi publicado o artigo abaixo. Não é um artigo acadêmico, certamente, mas está carregado de bom senso e concorda com as pesquisas científicas que tive a oportunidade ler. Vou desconsiderar o uso da expressão 'book whisperer', no título.

Book Whisperer: Are good readers born or made?

'Minha convidada hoje é Donalyn Miller, uma professora de artes da sexta série no Texas, e especialista em leitura. É autora de “The Book Whisperer: Awakening the Inner Reader in Every Child” e escreve sobre o ensino da leitura na teachermagazine.org'.

Os bons leitores nascem assim ou são feitos?
By Donalyn Miller
Uma recente pesquisa da Carnegie Mellon University indica que as crianças matriculadas em um programa corretivo de leitura intensivo, com cem horas de duração, melhoraram tanto a habilidade de leitura como as conexões da matéria branca de seus cérebros.

Ao mesmo tempo que esse estudo é promissor para educadores e clínicos que trabalham com leitores em desenvolvimento, uma menção casual do estudo se sobressaiu - as 25 crianças referidas como 'excelentes leitoras' do grupo controle ainda tiveram melhor desempenho do que as 35 crianças de terceira e quinta séries que participaram do programa de correção.

A crença disseminada de que alguns leitores possuem um dom inato, como artistas ou atletas, deixa muitas crianças em má posição. Frequentemente ouço seus pais dizerem, 'Bem, meu filho não dá para a leitura', como se a fada da leitura tivesse passado direto por seu filho quando estava distribuindo suas benesses. Os educadores também fazem isso. Gratos porque pelo menos algumas de nossas crianças têm capacidade adequada de leitura, concentramos nossos esforços pedagógicos naquelas crianças que terão que lutar para dominar as habilidades básicas. Então, e quanto àqueles bons leitores? O que têm eles que os outros não têm? Os bons leitores nascem assim ou são feitos? O que é que aqueles leitores fortes estão fazendo enquanto os leitores fracos passam horas ocupados com aulas de leitura básica? Eles estão lendo.

Os bons leitores sempre superam os leitores mais fracos porque eles praticam, refinam e expandem sua capacidade de leitura através de horas e horas de leitura. Imagine aprender a dirigir em um simulador, sem nunca estar atrás do volante de um carro de verdade. Não importa quantas aulas corretivas as crianças recebam na escola, elas nunca alcançarão as que são boas leitoras porque não lêem o sudiciente para melhorar.

Richard Allington, respeitado pesquisador da leitura, descobriu que 'A média dos alunos com melhores resultados lê aproximadamente três vezes mais, por semana, do que seus colegas com resultados piores, não incluindo a leitura fora da escola'. E o impacto dessa leitura toda é cumulativo. Quanto mais as crianças lêem, mais leituras continuam fazendo.

Está claro que as crianças precisam ler muito para se tornarem melhores leitores, mas fazer com que crianças peguem um livro, em primeiro lugar, é um desafio para os pais e os professores. Como é que motivamos e inspiramos as crianças para que leiam? Acredito que os leitores são feitos, não nascem assim. Observando os comportamentos de leitores ávidos, as condições que aumentam o compromisso com a leitura se aplicam tanto à leitura de casa como da escola. Essas condições incluem:

Tempo para ler. As crianças precisam de um tempo dedicado à leitura todos os dias, tanto na escola como em casa. Eu gosto muito de 'Glee' e 'Top Chef', como todo mundo, mas gravo esses programas para serem vistos depois da hora da leitura em família. Quinze minutos por dia são melhores do que nada. Todo mundo lê alguma coisa de sua escolha - um artigo, uma postagem em um blog, um livro, uma revista. O mesmo conselho se aplica à escola. Se quisermos que nossos alunos leiam, temos que separar algum tempo de aula, todos os dias, para sua leitura independente. Não apenas para os bons leitores, mas para todos. Há evidências de que as crianças que lêem mais na escola levam para casa esse hábito de leitura.

Acesso a livros. As crianças precisam estar cercadas de livros. Em lares de classe média, as crianças têm mais livros, visitam mais a biblioteca, e frequentam escolas com salas de aula e bibliotecas mais sortidas. Nas comunidades de baixa renda, onde possuir livros pode ser um luxo, dispor de livros através da escola e das bibliotecas se torna crucial para vencer o obstáculo da diferença de acesso.

Reduzir o desenvolvimento do acervo e encurtar as horas na biblioteca devem ser as últimas escolhas quando o orçamento exigir cortes. O acesso a livros também significa livros que se combinem com os níveis de leitura das crianças - desde o leitor avançado até o leitor que se esforça, e todos os leitores entre esses dois pólos. Jogar uma pilha de livros aos pés das crianças não vai resolver o assunto, se elas não puderem ler o que v. está oferecendo.

Os papéis de modelo para a leitura. Stephen Krashen, autor de "The Power of Reading", lembra-nos que 'As crianças lêem mais quando vêem outras pessoas lendo'. Eu vejo leitores por toda parte - meu próprio sexto-sentido - mas as crianças precisam ver leitores por toda parte, também. Os adultos que lêem e que compartilham seu amor pela leitura com as crianças, enviam uma poderosa mensagem: que a leitura tem interesse por razões pessoais, e não só por razões escolares.

A escolha do material de leitura. Os seres humanos preferem fazer suas próprias escolhas. Lembra-se daquela última iniciativa recomendada no trabalho? Como v. respondeu ao apelo? Mesmo quando o programa tem mérito, nós resmungamos por nos dizerem o que fazer. Os leitores sentem o mesmo quando lhes dizem o que ler. Pelo menos por um certo tempo, as crianças deveriam escolher seus próprios livros. Forçar as crianças a ler livros que não têm interesse para elas afasta totalmente as crianças da leitura. Acima de tudo, as crianças merecem grandes expectativas de que podem ler. As crianças não devem receber o recado de que algumas pessoas são leitores natos, mas que elas não são.

Proven Programs, Profits, and Practice
Ten Unprofitable but Scientific Strategies for Improving Reading Achievement
Richard L. Allington 2001
University of Tennessee

sábado, 20 de março de 2010

Na revista eletrônica Science News foi publicado o artigo Odds are, it's Wrong (do qual traduzi uma pequena parte para abrir o apetite), onde um famoso item dos métodos estatísticos utilizados por pesquisadores científicos é colocado sob suspeita de estar errado e/ou precisar de novas interpretações. Sendo muito recente, a polêmica ainda é pequena, mas ataques desse tipo costumam despertar discussões apaixonadas no mundo da ciência. Vamos aguardar. Não deixe de ler o artigo inteiro: é muito mais interessante do que essa pequena mostra deixa entrever.

Há probabilidades de que isto está errado
A ciência não consegue enfrentar as falhas da estatística

By Tom Siegfried
March 27th, 2010; Vol.177 #7 (p. 26)

"Para melhor ou para pior, a ciência está casada com a matemática há tempos. Geralmente tem sido para melhor. Especialmente desde a época de Galileu e Newton, a matemática nutriu a ciência. Métodos matemáticos rigorosos asseguraram a fidelidade da ciência aos fatos, e conferiu uma confiabilidade intemporal às suas descobertas.

Entretanto, durante o século passado, uma forma mutante de matemática desviou o coração da ciência para longe dos modos de cálculo que durante muito tempo a serviram fielmente. A ciência foi seduzida pela estatística, a matemática enraizada nos mesmos princípios que garantem lucros para os cassinos de Las Vegas. Supostamente, o uso apropriado da estatística torna a confiabilidade dos resultados científicos uma aposta segura. Mas, na prática, o mau uso disseminado de métodos estatísticos faz com que a ciência se pareça mais com um lance de dados.

É o segredo mais obceno da ciência: o 'método científico' de testar hipóteses através da análise estatística está posicionado sobre uma débil fundamentação. Os testes estatísticos, supostamente, existem para guiar os cientistas quanto aos resultados experimentais refletirem alguns efeitos reais ou serem simplesmente um feliz acaso, mas os métodos padronizados misturam filosofias mutuamente inconsistentes e não oferecem qualquer base significativa para a tomada de tais decisões. Mesmo quado executados corretamente, os testes estatísticos são amplamente incompreendidos e frequentemente mal interpretados.Como resultado, incontáveis conclusões da literatura científica estão erradas, e testes de perigos médicos ou de tratamentos quase sempre são confusos e contraditórios
".

Temos ainda, um pouco mais adiante:

"A significância estatística é uma expressão que todo aluno dos cursos científicos aprende, mas poucos compreendem. Suas origens vão pelo menos até o século 19, mas essa noção foi um trabalho pioneiro do matemático Ronald A. Fisher, na década de 1920. Seu interesse original estava na agricultura. Ele procurava testar se uma variação de produção em colheitas se devia a alguma intervenção específica (digamos, fertilizantes), ou simplesmente refletia fatores aleatórios que estavam além do controle experimental.

Fisher, em primeiro lugar, supôs que os fertilizantes não faziam qualquer diferença - era a hipótese 'nula', do 'não-efeito'. Ele então calculou um número, chamado de valor de P, a probabilidade de que uma produção observada em um campo feritilizado ocorreria se o fertilizante não tivesse qualquer efeito real. Se P fosse menor do que 0,05 - significando que a probabilidade de um feliz acaso é menor do que 5 por cento - o resultado seria declarado 'estatisticamente não sigbificativo', declarou Fisher arbitrariamente, e a hipótese do efeito nulo deveria ser rejeitada, supostamente confirmando que o fertilizante funciona.

O valor de Fisher para P tornou-se eventualmente o árbitro definitivo de credibilidade para resultados científicos de todo tipo - seja testando efeitos de poluentes sobre a saúde, os poderes curativos de uma nova droga ou os efeitos dos genes sobre o comportamento. De diversas formas, testar a significância estatística passou a fazer parte da pesquisa científica e médica até hoje

Entretanto, de fato não existe nenhuma base lógica para se utilizar o valor de P em qualquer estudo isolado para tirar conclusões. Se a chance de um feliz acaso for menor do que 5 por cento, duas conclusões possíveis permanecem: existe um efeito real, ou o resultado é um improvável acaso feliz. O método de Fisher não oferece qualquer maneira de se distinguir entre as duas. Por outro lado, se um estudo não descobrir qualquer efeito estatisticamente significativo, isto também não prova nada. Talvez o efeito não exista, ou talvez o teste estatístico não fosse poderoso o suficiente para detectar um efeito pequeno porém real.

'O teste, em si mesmo, não é necessário nem suficiente para comprovar um resultado científico', afirma Stephen Ziliak, historiador econômico da Roosevelt University, em Chicago
".

VEJA TAMBÉM:

THE FALLACY OF THE NULL-HYPOTHESIS SIGNIFICANCE TEST (1960)
William W. Rozeboom
Classics in the History of Psychology
An internet resource developed by Christopher D. Green
York University, Toronto, Ontario

What are Null Hypotheses? The Reasoning Linking Scientific and Statistical Hypothesis Testing
Anton E. Lawson 2008
Arizona State University, Tempe, AZ, USA

sexta-feira, 19 de março de 2010

O ABC do Cérebro


Na revista eletrônica The American Scholar (Winter 2010), Priscilla Long escreve o artigo My Brain on my Mind em forma de um ABC, onde a última palavra de cada verbete é o mote, o ponto de partida para o próximo. O tema flutuante da autora são suas lembranças do avô atingido pela senilidade. Não é um texto estritamente científico ou literário: mistura esses dois ingredientes na medida certa, e nos permite vislumbrar a delicadeza e a maravilha da integração mente-cérebro. Leia, indo do B (de 'brain', cérebro) ao C (de 'consciousness', consciência):

B
"(...) Lá está seu cérebro: uma massa de um quilo e meio de neurônios, pulsos elétricos, mensageiros químicos, células de glia. E aqui está base biológica da mente. 'Qualquer coisa pode contecer', diz o poeta C. D. Wright, 'nas estranhas das cidades da mente'. E seja lá o que aconteça - qualquer pensamento, disposição de ânimo, música, percepção, ilusão - nos é dado por essa bolsa pulsante de células e substâncias cerebrais. Mas, então, o que a consciência?

C
A consciência, de acordo com os neurocientistas Francis Crick e Christof Koch, é 'atenção multiplicada por memória de trabalho'. Sendo que 'memória de trabalho' é aquele tipo de memória que grava aquilo em que v. está prestando atenção agora. Acrescente à 'atenção multiplicada por memória de trabalho' um terceiro elemento da consciência - o senso do Eu enquanto distinto do objeto da percepção. Se estou consciente de alguma coisa, eu a 'sei', eu a 'percebo'. Como diz o neurobiólogo Antonio Damasio em The Feeling of What Happens, 'A consciência vai além de estar desperto e alerta: ela exige um senso interno do eu no ato do conhecimento' (Ela também requer o neurotransmissor acetilcolina).

Existe uma outra teoria da consciência, a teoria da consciência da física quântica, na qual os quarks, partículas fundamentais, têm protoconsciência. Diz-se que essa teoria tem um problema de agregação - como é que zilhões de partículas protoconscientes formariam um ser consciente? Ela coloca a consciência externamente a formas de vida e no interior de rochas da lua e de colheres. Vou deixar essa teoria por aí mesmo.

No sono sem sonhos, não estamos conscientes. Sob anestesia, não estamos conscientes. Andando pela rua atordoados, mal estamos conscientes. A consciência pode envolver o que o neurocientista Jean-Pierre Changeux postula como 'espaço global de trabalho' - um espaço metafórico de pensamento, sentimento e atenção. Ele acha que é criado pelo disparo de grupos de neurônios originados no tronco encefálico, cujos axônios extra-longos se espalham para cima e para baixo, para frente e para trás através dos dois hemisférios, conectando-se reciprocamente com neurônios do tálamo (estação de religação sensorial) e do córtex cerebral. Esses neurônios estão concentrados na atenção, recebendo novidades sensoriais e as avaliando, reprimindo o irrelevante, reativando circuitos da memória de longo prazo e, comparando o que é novo com o que já é sabido, registrando um senso percebido de 'satisfação' ou de 'verdade', que é introduzido por uma sobretensão do sistema de recompensa (principalmente com dopamina).

Entretanto, Crick e Koch propõem que a parte de nossa matéria cinzenta necessária para a consciência é o claustrum, uma estrutura plana como uma folha de papel localizada nas profundezas do cérebro, em ambos os lados. Olhado de frente, ele tem mais ou menos a forma dos Estados Unidos. Esse claustrum mantém conexões ativas com a maioria das outras partes do cérebro (necessárias para qualquer papel condutor). Ele também tem um tipo de neurônio que lhe é interno, capaz de despertar junto com outros de seu tipo e disparar sincronizadamente. Esta pode ser a maneira do claustrum de criar coerência a partir da cacofonia informacional que passa através dele. Porque a consciência se sente coerente. Não se importe se seu cérebro está nesse momento processando um zilhão de bits diferentes de dados.

A teoria da consciência (global) de Gerald Edelman considera a consciência como resultado da atividade neuronal por todo o cérebro. Edelman (juntamente com Changeux e outros) aplica a teoria da evolução a populações de neurônios. Iniciando-se bem cedo no desenvolvimento do indivíduo, a ativação de neurônios e sua conexão com outros neurônios formam populações que se modificam à medida que interagem com inputs do meio ambiente. O sistema de recompensa do cérebro faz a mediação que determina que populações sobreviverão como as mais aptas. A teoria de Edelman cita o fato de que não existem dois cérebros exatamente iguais; mesmo gêmeos idênticos não têm cérebros idênticos.

Como é que, no esquema de Edelman, a consciência obtém sua coerência? Através da recirculação de sinais paralelos. Se v. é um neurônio, v. recebe um sinal, digamos, de uma onda de luz, então o retransmite para o próximo neurônio através de um pulso elétrico. Imagine fogos de artifício, uma explosão no céu noturno. Diferentes grupos de neurônios registram a luz, a forma, o estouro sonoro. Depois de receberem seus respectivos sinais, as populações de neurônios os repassam à frente e à retaguarda para outras populações de neurônios. O que emerge é uma gloriosa explosão estelar".

Epistemologia Evolutiva


For the first time in history, scholars working on language and culture from within an evolutionary epistemological framework, and thereby emphasizing complementary or deviating theories of the Modern Synthesis, were brought together. Of course there have been excellent conferences on Evolutionary Epistemology in the past, as well as numerous conferences on the topics of Language and Culture. However, until now these disciplines had not been brought together into one all-encompassing conference.Moreover, previously there never had been such stress on alternative and complementary theories of the Modern Synthesis. Today we know that natural selection and evolution are far from synonymous and that they do not explain isomorphic phenomena in the world. ‘Taking Darwin seriously’ is the way to go, but today the time has come to take alternative and complementary theories that developed after the Modern Synthesis, equally seriously, and, furthermore, to examine how language and culture can merit from these diverse disciplines.As this volume will make clear, a specific inter- and transdisciplinary approach is one of the next crucial steps that needs to be taken, if we ever want to unravel the secrets of phenomena such as language and culture.

Evolutionary Epistemology, Language and Culture: A Non-Adaptationist, Systems Theoretical Approach
Nathalie Gontier, Jean Paul van Bendegem, Diederik Aerts
Springer 2005 493 pages PDF 2.2 MB
http://www.megaupload.com/?d=0WSYIXOL ou

quinta-feira, 18 de março de 2010

Estimulação Cerebral Profunda


Deep Brain Stimulation (DBS) is a remarkable therapy for an expanding range of neurological and psychiatric disorders. In many cases it is better than best medical therapy and succeeds even when brain transplants fail. Yet despite the remarkable benefits, many physicians and healthcare professionals seem hesitant to embrace this therapy. Post-operative programming of the DBS systems seems unfamiliar, even mysterious, and is viewed as difficult and time consuming. However, DBS programming is rational and can be efficient and effective if one understands the basing underlying concepts of electronics, electrophysiology, and the relevant regional anatomy. Even these principles can be relatively easy to grasp.The book helps the reader to obtain an intuitive understanding of the basic principles of electronics, electrophysiology and the relevant regional anatomy through the use of readily understood metaphors and numerous illustrations. In addition a number of tools are provided including algorithms to ensure efficient and thorough programming. Forms are provided to help with documentation.In addition, DBS related research provides a remarkable tool to understand how the brain works and what happens in diseases such as Parkinson's disease. Already long cherished theories of the pathophysiology of Parkinson's disease must be abandoned. Indeed, these DBS derived insights suggest fundamental revisions of theories of brain function are in order. The book provides an introduction to where some of the new theories may lead particularly with the growing awareness of the importance of oscillations in the brain's activities. The brain has more in common with electrical devices, such as computers, than it does to a stew of chemicals. DBS operates at the electrical level in the brain, which is fundamental to how the brain creates, manipulates and conveys information and may indeed be fundamental to the misinformation the results in the dysfunction related to disorders of the brain.

Deep Brain Stimulation Programming: Principles and Practice
Erwin B. Montgomery Jr.

Três livrinhos de Chomsky

Language and Problems of Knowledge is Noam Chomsky's most accessible statement on the nature, origins, and current concerns of the field of linguistics. He frames the lectures with four fundamental questions: What do we know when we are able to speak and understand a language? How is this knowledge acquired? How do we use this knowledge? What are the physical mechanisms involved in the representation, acquisition, and use of this knowledge? Starting from basic concepts, Chomsky sketches the present state of our answers to these questions and offers prospects for future research. Much of the discussion revolves around our understanding of basic human nature (that we are unique in being able to produce a rich, highly articulated, and complex language on the basis of quite rudimentary data), and it is here that Chomsky's ideas on language relate to his ideas on politics. The initial versions of these lectures were given at the Universidad Centroamericana in Managua, Nicaragua, in March 1986. A parallel set of lectures on contemporary political issues given at the same time has been published by South End Press under the title On Power and Ideology: The Managua Lectures. Noam Chomsky is Institute Professor of Linguistics and Philosophy at MIT. Language and Problems of Knowledge is sixteenth in the series Current Studies in Linguistics, edited by Jay Keyser.

Language and Problems of Knowledge: The Managua Lectures
Noam Chomsky
The MIT Press 216 pages 1987 PDF 7,1 MB
http://rapidshare.com/files/364491706/Chomsky_Language_and_Problems_of_Knowledge.rar

Beginning in the mid-fifties and emanating largely form MIT, and approach was developed to linguistic theory and to the study of the structure of particular languages that diverges in many respects from modern linguistics. Although this approach is connected to the traditional study of languages, it differs enough in its specific conclusions about the structure and in its specific conclusions about the structure of language to warrant a name, "generative grammar."Various deficiencies have been discovered in the first attempts to formulate a theory of transformational generative grammar and in the descriptive analysis of particular languages that motivated these formulations. At the same time, it has become apparent that these formulations can be extended and deepened.The major purpose of this book is to review these developments and to propose a reformulation of the theory of transformational generative grammar that takes them into account. The emphasis in this study is syntax; semantic and phonological aspects of the language structure are discussed only insofar as they bear on syntactic theory.

Aspects of the Theory of Syntax
Noam Chomsky


From the Author: In this paper, I will restrict the term "linguistic theory" to systems of hypotheses concerning the general features of human language put forth in an attempt to account for a certain range of linguistic phenomena. I will not be concerned with systems of terminology or methods of investigation (analytic procedures).The central fact to which any significant linguistic theory must address itself is this: a mature speaker can produce a new sentence of his language on the appropriate occasion, and other speakers can understand it immediately, though it is equally new to them. Most of our linguistic experience, both as speakers and hearers, is with new sentences; once we have mastered a language, the class of sentences with which we can operate fluently and without difficulty or hesitation is so vast that for all practical purposes (and, obviously, for all theoretical purposes), we may regard it as infinite.

Current Issues in Linguistic Theory
Noam Chomsky
Mouton; Fifth Printing edition 119 pages 1970 PDF 5,1 MB
http://rapidshare.com/files/364512990/Chomsky_Current_Issues_in_Linguistic_Theory.rar

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um buraco na cabeça


Neuroscientist Charles Gross has been interested in the history of his field since his days as an undergraduate. A Hole in the Head is the second collection of essays in which he illuminates the study of the brain with fascinating episodes from the past. This volume's tales range from the history of trepanation (drilling a hole in the skull) to neurosurgery as painted by Hieronymus Bosch to the discovery that bats navigate using echolocation.The emphasis is on blind alleys and errors as well as triumphs and discoveries, with ancient practices connected to recent developments and controversies. Trepanation, for example, originated in Paleolithic societies and is now promoted on a variety of Web sites as a means of "enhancing" consciousness.Gross first reaches back into the beginnings of neuroscience, discussing such topics as debates over the role of the brain (as opposed to the heart) in cognition and the relationship of vision to ideas about the "evil eye." He then takes up the interaction of art and neuroscience, exploring, among other things, Rembrandt's "Anatomy Lesson" paintings—one of which prefigured the poses in a famous photograph of the dead Che Guevara. Finally, Gross examines discoveries by scientists whose work was scorned in their own time but proven correct in later eras, including Claude Bernard's argument for the importance of the constancy of the internal environment and Joseph Altman's pioneering (and ignored) discovery of adult neurogenesis.

A Hole in the Head: More Tales in the History of Neuroscience
Charles G. Gross

A history of the concerto


In the popular imagination, the concerto is a piece of music shaped by the interplay between a virtuoso soloist and an accompanying orchestra. In fact, from its earliest days in the Baroque era, there have been concertos involving just the orchestra or, in the concerto grosso, the orchestra and a small body drawn from its ranks, and there are numerous examples of the solo concerto. As one of music's oldest forms, the concerto has a long and varied history that continues today. Roeder covers this history in detail (including musical examples) and quite accurately, starting with the concerto's origins in sixteenth-century Italy. He considers the form's treatment by music's masters and provides reliable information about lesser and virtually unknown figures who have worked with it. He explains well the interplay between an era's overall musical style and its concertos. Generally well-written, Roeder's effort accurately reflects its subject's protean history and is even up-to-date.

A History of the Concerto
Michael Thomas Roeder

A filosofia de Jürgen Habermas


Jürgen Habermas seeks to defend the Enlightenment and with it an "emphatical", "uncurtailed" conception of reason against the post-modern critique of reason on the one hand, and against so-called scientism (which would include critical rationalism and the greater part of analytical philosophy) on the other. His objection to the former is that it is self-contradictory and politically defeatist; his objection to the latter is that, thanks to a standard of rationality derived from the natural sciences or from Weber's concept of purposive rationality, it leaves normative questions to irrational decisions. Habermas wants to offer an alternative, trying to develop a theory of communicative action that can clarify the normative foundations of a critical theory of society as well as provide a fruitful theoretical framework for empirical social research. This study is a comprehensive and detailed analysis and sustained critique of Habermas' philosophical system since his pragmatist turn in the seventies. It clearly and precisely depicts Habermas' long chain of arguments leading from an analysis of speech acts to a discourse theory of law and the democratic constitutional state. Along the way the study examines, among other things, Habermas' theory of communicative action, transcendental and universal pragmatics and the argument from <"performative contradictions>", discourse ethics, the consensus theory of truth, Habermas' ideas on developmental psychology, communicative pathologies and social evolution, his theory of social order, the analysis of the tensions between system and lifeworld, his theory of modernity, and his theory of deliberative democracy. For all Habermas students this study will prove indispensable.

The Philosophy of Jürgen Habermas: A Critical Introduction
Uwe Steinhoff
Oxford University Press 2009 304 Pages PDF 1 MB
http://www.megaupload.com/?d=BQEOOUOL ou
http://depositfiles.com/files/tce12k7yx

terça-feira, 16 de março de 2010

Cosma Rohilla Shalizi - Complexity

Acompanho há bastante tempo as coisas que Cosma escreve. É sempre bom, recompensador, interessante. Veja abaixo: sua postagem sobre Complexidade começa com dois parágrafos de perguntas, e estamos conversados. Seu site (My site is deliberately low on graphics, diz ele) é graficamente discreto, discretíssimo: simplesmente não traz ilustrações de qualquer espécie. Cosma foi/é professor de física, matemática, biologia da mente, estatística e sistemas complexos, e sua tese de doutorado teve dois orientadores: um para a parte de física e outro para a de matemática. Atualmente leciona no departamento de estatística da Carnegie Mellon University.

Complexity
13 Feb 2010 21:28

"Uma definição viria a calhar. E também uma medida ordinal, se não uma cardinal (o link aponta para sua postagem Complexity Measures). Estaria claro que os humanos são mais complexos do que baleias? Do que chimpanzés? Do que cupins? Do que cupinzeiros?

Existe alguma tendência para uma maior complexidade entre as coisas vivas, com o decorrer do tempo? Na Terra, como um todo? No universo, como um todo? Existe alguma explicação profunda (alguém vai de 'élan vital'?) ou ela pode ser explicada pelos suspeitos de sempre - seleção natural, 'muito espaço na parte de cima', o acaso? Mesmo que consigamos uma medida da complexidade, será muito difícil aplicá-la ao registro fóssil, já que as partes moles já se foram há muito tempo, e por isso não podemos saber (muito) sobre as entranhas do cérebro, ou sobre o sistema imune. (De fato, será que se poderia inferir a existência de sistemas imunes a partir do registro fóssil? Isso é importante, já que eles são muito complexos, e se não pudermos inferir, como saberemos se não havia outras coisas - também confinadas aos tecidos moles - que não eram camparativamente complexas?)

As 'ciências da complexidade' são na quase totalidade um potpourri, e ainda que o nome se justifique de certa forma - movimento caótico parece mais complicado do que oscilação harmônica, por exemplo - acho que o fato de que traz mais dignidade do que 'disparate não-linear ordenado' não foi a menor razão para seu sucesso. Essa opinião não se modificou muito depois de trabalhar por cinco anos no Santa Fe Institute".

Como sempre, o forte dos verbetes de Cosma são as indicações da literatura pertinente e seus comentários sobre ela. No caso da Complexidade, desencavei dois livros que ele recomenda e coloquei cada um deles numa postagem (para aproveitar o design de suas capas - acho que Cosma não aprovaria...)

Bigger than Chaos: Understanding Complexity through Probability
Michael Strevens


Complexity: A Guided Tour
Melanie Mitchell

Complexity - A Guided Tour


Da editoria: O que permite que insetos individualmente simples como formigas ajam com tal precisão e propósito enquanto grupo? Como é que trilhões de neurônios individuais produzem uma coisa tão extraordinariamente complexa como a consciência? O que é que guia estruturas que se auto-organizam, como o sistema imune, a World Wide Web, a economia global e o genoma humano? Estas são apenas algumas das perguntas fascinantes e complicadas que a ciência da complexidade procura responder.
*************

Complexity: A Guided Tour
Melanie Mitchell

Bigger than Chaos


O livro é complexo (sorry).
Strevens até coloca à disposição um site para ler outras explicações: www.stanford.edu/~strevens/bigger. Mas Ned Hall, professor de filosofia do Massachusetts Institute of Technology, diz que o "livro é um modelo de clareza, nos níveis 'macro' e 'micro'". Já Alan Hajek, professor de filosofia do California Institute of Technology, aponta para sua finalidade: "Este impressionante livro faz uma pergunta importante: como é que sistemas de muitas partes interatuantes, e que desse modo apresentam uma complexidade de baixo nível, fazem surgir uma simplicidade de alto nível?" Anyways, o o próprio autor explica nas primeiras páginas:

"Um ecossistema é um emaranhado de milhares de vidas, cada uma delas traçando seu caminho intrincado por vezes ao longo do caminho de outras vidas, às vezes através desse caminho. Cada movimento de uma criatura depende do comportamento de outras criaturas à sua volta - aquelas que podem comê-la, que podem comer seu alimento e aquelas com as quais pode se acasalar. Esse comportamento, por sua vez, depende dos comportamentos das outras criaturas, e assim por diante, com a desordem geral do clima e do resto do mundo adicionando outras convoluções. Reunindo tudo, essas histórias entrelaçadas, e futuras histórias, fabricam uma filigrana fantasticamente irregular das trajetórias da vida.

Agora dê um passo atrás. Os caminhos individuais ficam imprecisos, misturam-se uns com os outros até que tudo que pode ser apreendido são os padrões gerais da existência, os altos e baixos populacionais, e pouco mais do que isso. Nesse nível de observação, agora surge algo bastante novo: a simplicidade. As súbitas voltas e reviravoltas da vida individual se vão, deixando apenas - em muitos casos - um padrão populacional estável ou levemente cíclico. (...)
O fenômeno é bastante disseminado: sistemas de muitas partes, não importando de que são feitas essas partes ou como elas interagem, frequentemente comportam-se de maneira simples. É quase como se alguma coisa da complexidade de baixo nível e o próprio caos fosse responsável pela simplicidade de alto nível. O que poderia ser isso? Este é o assunto desse livro
".

Bigger than Chaos: Understanding Complexity through Probability
Michael Strevens
Harvard University Press 2003 432 pages PDF 3 MB
http://depositfiles.com/files/mmbj237bs ou
http://www.megaupload.com/?d=FQVIH2A3

segunda-feira, 15 de março de 2010

Computação, Cognição, e Zenon Pylyshyn


Deve ser um excelente livro. Vou traduzir um pedaço da Introdução e deixar que as senhoras e os senhores julguem por si mesmos.

Introdução: Então, o que há de tão bom sobre Pylyshyn?
Introduction: So What’s So Good about Pylyshyn?
Jerry Fodor

Boa pergunta. Vou tentar explicar.

Acho que existem quatro questões básicas para as quais uma ciência cognitiva viável deve fornecer as repostas (básicas no sentido de que surgem em todos os departamentos de ciência cognitiva; de [como deveria ser] percepção a solução de problemas, a desenvolvimento cognitivo, e assim por diante, por todo o catálogo). São elas:

i. Qual é a natureza dos processos mentais?
ii. Que tipos de coisas são as representações mentais?
iii. Como é que as representações mentais têm conteúdo?
iv. Como é que as representações mentais se ligam ao mundo?

A ciência cognitiva 'clássica', à qual Zenon deu sua lealdade irrestrita por toda sua carreira, começou com a sugestão de Turing para solucionar a questão (i): Os processos mentais são computações. Em particular, eles são mais computações do que associações. Muita alegria; grande alívio. Para a tradição associacionista, que vinha sendo o coração do empirismo britânico desde Aristóteles (eu sei, eu sei), gradual mas inequivocamente revelou-se um estado de dissolução. E, até que a 'analogia com o computador' aparecesse no horizonte, não parecia haver nada que fizesse a substituição: não é de admirar que tantos psicólogos desistiram e se tornaram behavioristas.

Eu mesmo não estou convencido de que a teoria computacional da mente (CTM - computational theory of mind) vai dar conta do recado a longo prazo (e por que não estou, veja Fodor, 1983, 2000). Mas estou bastante certo (entre outras coisas, por razões que adiantamos em Fodor & Pylyshyn 1988), que o associacionismo está morto. As tentativas infrutíferas dos conexionistas para ressuscitar o cadáver deixaram isso bem claro
".

Computation, Cognition, and Pylyshyn

Bohlen-Pierce - A escala musical de 13 notas


(acima: Stredici, by David Lieberman and his architecture class, 2009)
Lendo o artigo de Carolyn Y. Johnson (Symphony in J flat), v. é apresentada(o) à música baseada na escala Bohlen-Pierce. Como esse artigo é meio pobrinho, vou usar apenas uns trechos, mas v. pode lê-lo no endereço indicado. Diz Johnson, depois de visitar a clarinetista Amy Advocat e ouvir a escala Bohlen-Pierce pela primeira vez: "(Ela) levou o clarinete aos lábios e tocou uma nota grave, seguida pela nota seguinte mais alta, e depois a próxima. Isoladamente, cada uma delas teria soado normal - como o tom levemente rouco de um clarinete por sobre o ruído do tráfego que vinha da rua. Mas juntas, as notas ascendentes criaram uma sensação esquisita e fora do comum que tornava difícil predizer o que viria a seguir. Mesmo assim, quando Amy alcançou a última nota deu-se uma estranha sensação de closura. Era o mesmo aposento bem arrumado, enfeitado com duas guitarras em paredes opostas - e ainda assim, uma sensação surreal e misteriosa pairava no ar". Visivelmente exagerada nesse início, ela termina um pouco melhor: "Quando seu clarinete Bohlen-Pierce - um dos poucos do mundo - chegou pelo correio há poucos meses, ela abriu o pacote ansiosamente e começou a tocar. Sua colega de quarto escutou, e comentou que soava como um clarinete de uma cultura diferente - as notas soavam bem, mas não não faziam muito sentido. Nos últimos meses, entretanto, Advocat começou a ouvir mais do que notas estranhas - agora ela ouve possibilidades".

Symphony in J flat
Carolyn Y. Johnson

Dito isso, fui ouvir (e ver - no YouTube) Love Song, de Elaine Walker, e Solemn Song, do Dr. Richard Boulanger (que toca um instrumento eletrônico na música de Walker). Quer dizer, ouvi também umas outras coisas, mas essas duas são o que consegui de mais próximo à estrutura do que conheço. Mesmo assim, é diferentão. E não dá para curtir, de jeito nenhum. Não que seja música 'alienígena', como descreve Jeff Bond em seu artigo The Music from Star Trek, aqui, e que acaba sendo diversão naquele contexto.

Para conhecer os detalhes técnicos da música Bohlen-Pierce, é só fazer uma pesquisa no Google. Mas esse site aqui (The Bohlen-Pierce Site) pode tirar muitas dúvidas. No artigo de Carolyn Y. Johnson há um trecho pragmático sobre o assunto, nomeando quem poderia se beneficiar com esse sistema musical: "Para os músicos, o crescente panteão dos instrumentos Bohlen-Pierce - clarinetes, uma flauta de Pan e um instrumento de cordas com 4 metros de comprimento - forma uma nova fronteira. Para os neurocientistas, a música exótica oferece um perfeito teste de caso para se entender como o cérebro das pessoas aprendem um sistema musical desconhecido. Para os compositores, o sistema Bohlen-Pierce oferece outro mundo, no qual uma simples linha melódica pode ter uma inesperada capacidade expressiva. E para uma platéia de ouvintes bombardeados diariamente com uma música que preenche certas expectativas básicas, os estranhos sons oferecem novos desafios, novas provocações e, talvez, beleza".

Um dos comentaristas (john-borstlap) do artigo dela, porém, demonstrando grande erudição e excelente poder explanatório (além de ser educado e contido), resume tudo o que há para ser dito:

"A ingenuidade abissal desse 'novo sistema' mostra como mesmo em nível acadêmico existe muita confusão sobre o que é música e o que é tonalidade. Os sistemas tonais de todo o mundo permanecem íntegros por causa da forte relação da oitava, que é a simples divisão de uma corda em dois. Divida a corda em três, e v. tem a quinta. Todos os outros intervalos dessa amplitude podem ser relacionados de um modo ou de outro a esses pontos de orientação, como as culturas não européias fizeram de diferentes maneiras. O sistema europeu é singular, no sentido de que ao ajustar os intervalos menores (smaller) do jeito como faz, os pontos de orientação (as oitavas, que designam tons/tonalidades) podem ser posicionados em diferentes alturas enquanto a música está se desenvolvendo; em outras palavras, a música pode 'viajar' de uma área tonal para outra, e todas as notas podem formar todo tipo de diferentes relações com outras notas. A força que torna isso possível ainda é a força natural que cria a óbvia relação da oitava, o 'primeiro harmônico', e o sistema europeu abriu o rico território de diferentes coisas acontecendo ao mesmo tempo mas ainda assim se ajustando: a polifonia. Em outras culturas isso é bem menos possível, porque os intervalos são utilizados como matizes, não como tonalidades funcionais que possam mudar de significado em diferentes contextos tonais. Os harmônicos são um dado físico da natureza, não um sistema. Os sistemas tonais das diferentes culturas, incluindo a européia, são ajustes desse fato natural; eles são um constructo sobre a base de um fenômeno natural. O sistema, como está descrito nesse artigo, não faz essa distinção, e o resultado é - como se pode ouvir nas amostras musicais, apenas 'música moderna' tosca e sem imaginação, com ocasionais notas fora do tom. Que esse sistema vá abrir 'novas possibilidades' na música artística é algo que não deve ser esperado".

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Algumas outras leituras pertinentes:

A Generalized Mechanism for Perception of Pitch Patterns
Psyche Loui, Elaine H. Wu, David L. Wessel and Robert T. Knight
The Journal of Neuroscience, January 14, 2009 • 29(2):454–459


In his later years, he (Pierce) was particularly interested in what he eventually termed ‘‘the Bohlen-Pierce scale’’ (after learning of its earlier description by Heinz Bohlen): a division of the frequency ratio 3:1 into 13 equal parts, modeled after traditional equal temperament’s division of the 2:1 octave into 12 equal parts. The system includes a subset, analogous to the traditional diatonic scale, and a ‘‘triad’’ that approximates within 7 cents the frequency ratios 3:5:7 (whereas the traditional major triad approximates 4:5:6). Mr. Pierce was intrigued by the notion that music built on such scales could exhibit consonance and dissonance analogous to those of traditional music, and that the 3:1 ratio could even be perceived as an identity relationship in place of the traditional octave. Owing substantially to his and Max Mathews’s influence, computer music composers such as Jon Appleton, Richard Boulanger, Curtis Roads, Georg Hajdu, and Juan Reyes have employed the Bohlen-Pierce scale. Mr. Pierce himself wrote one or two short studies in the scale. AQUI

Music: A Mathematical Offering
Dave Benson
2008 AQUI