quarta-feira, 14 de abril de 2010

De que são feitas as memórias?

Picking our brains: What are memories made of?
Emma Young

30 March 2010 Issue 2754.

Artigo da revista New Scientist. Breve, mas trazendo novidades da neurofisiologia da memória. Leia a tradução completa.

Memórias são a matéria básica do pensamento. Nós acessamos nosso estoque de conhecimento sempre que executamos uma tarefa, nos comunicamos através da fala ou formulamos o mais simples dos conceitos. Mas a forma física da memória sempre foi misteriosa. Que mudanças ocorrem no cérebro quando uma nova memória é codificada?

Uma coisa que sabemos é que a formação da memória envolve o fortalecimento de conexões sinápticas entre neurônios. Utilizando lesmas do mar, que têm um sistema nervoso relativamente simples, uma equipe liderada por Kelsey Martin, da University of California, Los Angeles, tornou-se no ano passado a primeira a observar as memórias sendo fabricadas, sob a forma de novas proteinas aparecendo nas sinapses.

Entretanto, onde é que o conhecimento é armazenado nos cérebros complexos dos mamíferos? As memórias de curto prazo, como um número de telefone a ser utilizado, parecem ser armazenadas em duas pequenas estruturas aneladas chamadas de hipocampos, situadas nas profundezas dos dois hemisférios do cérebro. Em 2008, Courtney Miller e David Sweatt, da University of Alabama em Tuscaloosa, demonstraram em ratos que durante a primeira hora após um evento memorável tínhamos modificações químicas no DNA dos neurônios dessa área, alterando as proteinas produzidas. Na semana subsequente, sobrevieram mudanças similares nos genes de neurônios do córtex.

Essas modificações pareciam ser permanentes, indicando que as memórias de longo prazo são armazenadas ali. A dupla de cientistas achou que estavam vendo memórias de curto prazo formando-se no hipocampo, que então se tornavam memórias de longo prazo no córtex. O cérebra presta especial atenção em coisas que nos atemorizam, já que lembrá-las pode significar a diferença entre vida e morte. Sabe-se que uma estrutura próxima ao hipocampo, chamada amigdala. desempenha um papel na estampagem dessa marca indelével. No último ano, uma equipe liderada por Sheena Josselyn no Hospital for Sick Children em Toronto, Canada, descobriu que podiam apagar, em ratos, uma memória atemorizante de um ruído eliminando neurônios da amigdala cujas sinapses tinham sido reforçadas recentemente, depois de uma exposição ao ruído. Foi a primeira vez que uma memória específica pôde ser localizada nas células nervosas que as tinham codificado. Mas ainda estamos longe de observar uma memória de um ser humano.
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Esse é o primeiro de uma série de nove artigos da revista New Scientist dedicados ao cérebro. São eles: (1) What are memories made of? , (2) Will we ever be able to regenerate the brain? , (3) What are mirror neurons? , (4) How many states of consciousness are there? , (5) How powerful is the mind-body connection? , (6) Why are some people smarter than others? , (7) Can mental illness make you creative? , (8) How powerful is the subconscious? e (9) Will we ever create a conscious machine?