sábado, 31 de outubro de 2009

Estudando a função cerebral

Scientists create entirely new way to study brain function
Cientistas criam maneira inteiramente nova de estudar a função cerebral
July 15th, 2009

(PhysOrg.com) -- Cientistas da Duke University e da University of North Carolina descobriram uma técnica química que promete permitir aos neurocientistas descobrir a função de qualquer população de neurônios do cérebro animal e fornecer indícios de como tratar e evitar doenças cerebrais.
Com a técnica descrita na Neuron (online) de 15 de julho, os cientistas serão capazes de ativar não invasivamente populações inteiras de tipos individuais de neurônios do interior de uma estrutura cerebral.
'Descobrimos um método no qual a administração sistêmica em um rato mutante de uma substância química, inerte em outro contexto, ativa seletivamente um grupo distinto de neurônios', disse James McNamara, M.D., diretor do Duke Department of Neurobiology e coautor desse estudo. 'Diversificações desse método permitirão que os cientistas trabalhem com diferentes tipos de ratos mutantes nos quais grupos distintos de neurônios serão ativados por essa substância química, para que os cientistas possam entender os comportamentos mediados por cada um desses grupos'.
No momento, a maioria dos cientistas aprendem sobre função cerebral correlacionando a atividade cerebral a certos comportamentos; conectando uma área danificada do cérebro com uma perda observada de função; ou ativando estruturas inteiras do cérebro invasivamente e observando o comportamento resultante.
'Saber o que é que faz um tipo particular de neurônio de uma região cerebral específica ajudará os pesquisadors a encontrar a raiz de certas doenças, para que possam ser efetivamente tratadas', disse McNamara, que é especialista em epilepsia. Ele lembrou que o cérebro humano contém bilhões de neurônios que são organizados em milhares de grupos diferentes que precisam ser estudados.
Há quatro anos, o coautor Bryan Roth, M.D., Ph.D. e colegas da UNC dispuseram-se a criar um receptor celular ativado por uma droga inerte, mas não por nada mais. 'Basicamente, queríamos criar um interruptor químico', disse Roth, que é o Michael Hooker Distinguished Professor de Farmacologia da UNC-Chapel Hill.
'Queríamos colocar esse interruptor em neurônios para que pudéssemos ligá-los para estudar o cérebro', disse Roth, que teve formação em psiquiatria. 'Na época, a idéia era como ficção científica'.
Eles utilizaram a genética do fermento para desenvolver o receptor específico que pudesse reagir com uma substância química específica, porque o fermento produz novas gerações rapidamente. 'Se a teoria da evolução não fosse verdadeira, esse experimento não teria funcionado', acrescentou Roth.
O laboratório, então, trabalhou para criar um receptor similar em ratos. Na tentativa inicial para criar ratos que expressassem o receptor, o laboratório posicionou a expressão do receptor em neurônios do hipocampo e do córtex do cérebro. O receptor foi projetado para ser ativado pela droga clozapine-N-oxide (CNO), que não tem outros efeitos em ratos e nenhum efeito em neurônios normais, aqueles sem o receptor.
Roth pediu a um aluno que injetasse CNO nos ratos. Eles esperavam registrar algum tipo de modificação da atividade neuronal, mas surpreenderam-se ao ver que os ratos tinham convulsões. Repentinamente, tinham um modelo para estudar a epilepsia.
Roth imediatamente procurou a colaboração de especialistas em epilepsia, e entrou em contato com McNamara na Duke. Juntos, trabalharam nesse sistema que lhes permitia regular a atividade neuronal de ratos com o CNO injetado e cruzar a blood-brain barrier para acessar neurônios cerebrais profundos. Com esse modelo, os cientistas foram capazes de examinar a atividade neuronal que levava a convulsões e a atividade que ocorria durante essas convulsões.
Este receptor foi projetado para uso experimental em animais. 'Com base naquilo que aprendêssemos com o modelo animal da doença, poderíamos conseguir melhores tratamentos localizados para seres humanos', disse Georgia Alexander, Ph.D., pósdoutoranda na Duke Neurobiology e coautora. 'O melhor desses receptores ativados por drogas é que podiam ser aplicados para se estudar qualquer estado mórbido, não apenas a epilepsia. Com isso, você poderia tentar ativar seletivamente outras populações de neurônios, por exemplo, em um modelo animal da doença de Parkinson'. Roth disse que a técnica não está limitada a neurônios e cérebros, e está sendo usada também para outras células do corpo.
Alexander disse que agora os pesquisadores podem investigar que áreas do cérebro são mais susceptíveis e críticas quanto ao aparecimento de convulsões, 'porque também podemos utilizar técnicas semelhantes para desativar ou silenciar neurônios'.
Por exemplo, algumas pessoas que têm convulsões têm uma porção de seu lobo temporal removida do cérebro. 'Agora podemos indagar se existe uma parte do cérebro ou uma população de neurônios que poderíamos silenciar seletivamente, o que seria uma maneira melhor de tratar pacientes com epilepsia?' perguntou Alexander".
Source: Duke University Medical Center
http://www.physorg.com/news166882069.html

Agora que está explicadinho, pode-se ler o abstract/resumo do artigo original e entender melhor:

Abstract
Examining the behavioral consequences of selective CNS neuronal activation is a powerful tool for elucidating mammalian brain function in health and disease. Newly developed genetic, pharmacological, and optical tools allow activation of neurons with exquisite spatiotemporal resolution; however, the inaccessibility to light of widely distributed neuronal populations and the invasiveness required for activation by light or infused ligands limit the utility of these methods. To overcome these barriers, we created transgenic mice expressing an evolved G protein-coupled receptor (hM3Dq) selectively activated by the pharmacologically inert, orally bioavailable drug clozapine-N-oxide (CNO). Here, we expressed hM3Dq in forebrain principal neurons. Local field potential and single-neuron recordings revealed that peripheral administration of CNO activated hippocampal neurons selectively in hM3Dq-expressing mice. Behavioral correlates of neuronal activation included increased locomotion, stereotypy, and limbic seizures. These results demonstrate a powerful chemical-genetic tool for remotely controlling the activity of discrete populations of neurons in vivo.

Remote Control of Neuronal Activity in Transgenic Mice Expressing Evolved G Protein-Coupled Receptors
Neuron, Volume 63, Issue 1, 16 July 2009, Pages 27-39
Georgia M. Alexander, Sarah C. Rogan, Atheir I. Abbas, Blaine N. Armbruster, Ying Pei, John A. Allen, Randal J. Nonneman, John Hartmann, Sheryl S. Moy, Miguel A. Nicolelis, James O. McNamara, Bryan L. Roth

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A procura pela certeza


This volume represents a radical departure from the current philosophical duopoly in the area of foundations of probability, that is, the frequency and subjective theories. One of the main new ideas is a set of scientific laws of probability. The new laws are simple, intuitive and, last but not least, they agree well with the contents of current textbooks on probability. Another major new claim is that the "frequency statistics" has nothing in common with the "frequency philosophy of probability," contrary to popular belief. Similarly, contrary to the general perception, the "Bayesian statistics" shares nothing in common with the "subjective philosophy of probability." The book is non-partisan on the scientific side -- it is supportive of both frequency statistics and Bayesian statistics. On the other hand, it contains well-documented and thoroughly-explained criticisms of the frequency and subjective philosophies of probability. Short reviews of other philosophical theories of probability and basic mathematical methods of probability and statistics are incorporated. The book includes substantial chapters on decision theory and teaching probability, and it is easily accessible to the general audience.


Contents:
# Main Philosophies of Probability
# The Science of Probability
# Decision Making
# The Frequency Philosophy of Probability
# Classical Statistics
# The Subjective Philosophy of Probability
# Bayesian Statistics
# Teaching Probability
# Abuse of Language
# What is Science?
# What is Philosophy?
# Concluding Remarks
# Mathematical Methods of Probability and Statistics
# Literature Review

Krzysztof Burdzy
The Search for Certainty: On the Clash of Science and Philosophy of Probability

Dylan - só o suco


Tecnicamente (eletrônica & acústica), fala-se tudo de bom dessa gravação. Musicalmente, ainda não sei: como sói ocorrer, mal a encontrei, já estou colocando aqui para delírio dos aficcionados. Na lista das músicas, só o suco.
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Tracklisting:
01: The Times They Are A-Changin' (4:09)
02: The Ballad Of Hollis Brown (7:42)
03: Who Killed Davey Moore (3:38)
04: Boots Of Spanish Leather (5:41)
05: Talkin' John Birch Society Blues (4:47)
06: Lay Down Your Weary Tune (5:01)
07: Blowin' In The Wind (5:53)
08: Percy's Song (9:11)
09: Seven Curses (4:12)
10: Walls Of Red Wing (5:22)
11: North Country Blues (4:52)
12: A Hard Rain's A-Gonna Fall (7:58)
13: Talkin' World War III Blues (5:11)
14: Don't Think Twice, It's Alright (10:37)
15: With God On Our Side (7:35)
16: Only A Pawn In Their Game (4:28)
17: Masters Of War (3:36)
18: The Lonesome Death Of Hattie Carroll (6:34)
19: When The Ship Comes In (4:05)

Remastered from what appear to be the master tapes, this recent edition of Bob Dylan's 1963 Carnegie Hall performance has to be heard to be believed. While the bulk of this show has appeared gradually over the last few years, a little bit here and a little bit there, this release features not only the five songs that have not circulated previously but the whole concert in the correct playing order with all of the many introductions and stories complete and in the best ever sound quality. Not to be missed.

Bob Dylan - Unravelled Tales, Carnegie Hall NY 26 Oct 1963 (2008)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A estruturação da mente humana


"A Pré-história, um audiobook da obra de Andrew Renfrew, examina a pré-história enquanto disciplina, detalhando como as descobertas da datação por radiocarbono e a análise do DNA nos ajudaram a definir o passado da humanidade - e como as coisas se modificaram - com muito mais clareza do que era possível há apenas meio século. Quanto à razão das coisas terem mudado, Renfrew acentua algumas das questões atuais e passadas que desafiam o estudo da pré-história e seus pesquisadores. Oferece ainda um resumo da pré-história humana - desde os primeiros hominídios até o surgimento da civilização aculturada - livre da 'sabedoria convencional' e de grandes teorias 'unificadas'." O audiobook traz o texto completo da obra original.

Andrew Colin Renfrew, Baron Renfrew of Kaimsthorn (b. July 25, 1937) is a British archaeologist, noted for his work on radiocarbon dating, the prehistory of languages, archaeogenetics, and the prevention of looting at archaeological sites. He developed the Renfrew Hypothesis, which argues that Proto-Indo-Europeans lived 2,000 years before the Kurgans, in Anatolia, later diffusing throughout the Mediterranean and into Central and Northern Europe. Along with fellow Archaeologist Paul Bahn, Renfrew has come up with the 'Renfew and Bahns indicator of Religion and Ritual', a definition to determine whether the actions or conducts of Archaeological civilizations were a religious ritual.

Prehistory - The Making of the Human Mind
Colin Renfrew
(2007)
Narrador - Robert Ian MacKenzie MP3 90kbps 8 CDs 350 MB
Quatro partes, listadas em http://rapidshare.com/users/ZB2TZ7

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Wolfmother


Sócrates é humano.
Todo humano é mortal.
Logo, Sócrates é mortal.
Eu sou humano.
Eu gosto de Wolfmother.
Logo, todo humano gosta de Wolfmother.

La vie est simple.

Artist: Wolfmother
Album: Cosmic Egg Deluxe Edition
Released: 2009 Style: Hard Rock
Format: MP3 Size: 111 Mb

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Estruturando percepção e consciência


Excelente artigo da revista eletrônica NewScientist (veja a versão print aqui), escrito por Douglas Fox, começa abordando o timing dos processos perceptivos humanos e pergunta se nossa percepção do mundo é contínua ou discreta. O neurocientista Rufin VanRullen, da University of Toulouse (França), afirma depois de efetuar experimentos: "A continuidade de nossa percepção é uma ilusão". O artigo descreve:

"O experimento fornece até um número para nossa taxa de quadros visuais - uns 13 quadros por segundo. Mas o que, dentro de nossos cérebros, estabelece essa taxa particular? Quando VanRullen mediu as ondas cerebrais dos sujeitos através de eletrodos de EEG no escalpo, descobriu um ritmo específico no lobo parietal inferior direito (RPL) - que normalmente é associado à nossa percepção de localização visual - que cresce e decresce na frequência certa. Pareceu plausível que à medida que essa onda de 13 hertz oscila, a receptividade do RLP à nova informação visual também oscila para cima e para baixo, levando a algo assemelhado a quadros visuais discretos".

Depois de algumas controvérsias apoiadas por diferentes experimentos, Douglas Fox prossegue:

"Isto implica que não há um rolo único de 'filme' no cérebro, mas diversos fluxos distintos, cada um registrando uma informação distinta. O que é mais, esta maneira de lidar com a informação recebida pode não se aplicar apenas à percepção de movimento. Outros processos cerebrais, como reconhecimento de objetos ou de sons, também podem ocorrer como se fossem pacotes discretos.

Para investigar isso, VanRullen examinou outra função neural, chamada de detecção de luminância limite. Ele expôs seus sujeitos a flashes de luz que mal podiam ser vistos, e descobriu que a probabilidade de que os sujeitos vissem a luz dependia da fase de outra onda na parte frontal do cérebro, que ascende e descende umas 7 vezes por segundo. Verificou-se que era mais provável que os sujeitos detectassem o flash quando a onda estivesse perto de sua cava (NT - oscilação mais baixa) e deixassem de vê-lo quando a onda estivesse em seu pico. O trabalho foi publicado no The Journal of Neuroscience no início desse ano. 'Há uma sucessão de períodos de percepção ON e OFF, A atenção coleta informações através de snapshots (NT - instantâneos fotográficos)', diz VanRullen".

A seguir vem uma das partes mais interessantes do artigo:

"Parece, então, que cada processo neural distinto que comanda nossa percepção pode ser registrado em seu próprio fluxo de quadros discretos. Mas como esses fluxos se reuniriam para nos fornecer uma visão consistente do mundo? Ernst Pöppel, neurocientista da Ludwig Maxmilian University, de Munich (Alemanha), sugere que todos os snapshots distintos dos sentidos podem criar blocos de informação em um fluxo superior de processamento. Ele chama esses blocos de 'building blocks of consciousness' (blocos estruturadores da consciência) e admite que eles são o fundamento de nossa percepção do tempo (Philosophical Transactions of the Royal Society B, vol 364, p 1887).

É uma idéia atraente, já que montar uma ordem cronológica dos eventos que atingem nossos sentidos não é uma tarefa simples. Os sons tendem a ser processados mais depressa do que as imagens, e sem algum tipo de sistema de agrupamento nós poderíamos, digamos, ouvir um vaso se despedaçando antes víssemos isso acontecer. Os blocos estruturadores de Pöppel resolveriam direitinho esse problema: se dois eventos acabassem no mesmo bloco estruturante, seriam vistos como simultâneos; se acabassem em blocos estruturantes consecutivos, pareceriam sucessivos. 'A percepção não pode ser contínua por causa dos limites do processamento neural. Um intervalo de 30 a 50 milissegundos é necessário para reunir em um quadro temporal a atividade distribuída do sistema neural', diz Pöppel".

O artigo ainda prossegue abordando outros focos e experimentos, incluindo distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Muito bom.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Opening Up Brain Surgery


"Abrindo uma brecha na cirurgia cerebral" é o nome do artigo da revista eletrônica Nature, de 15 de outubro de 2009 (escrito por Alison Abbott). Essa "brecha" é aproveitar que um cérebro humano já está aberto e usar a oportunidade para pesquisas de neurociência, necessárias tanto para os próprios cirurgiões, que precisam evitar danos em áreas cognitivas importantes (por exemplo), como para pesquisadores, que passam a ter uma oportunidade única para mapear e interrelacionar áreas cerebrais que dão singularidade ao ser humano e suas habilidades especiais (por exemplo).

Não vou traduzir o artigo inteiro aqui no CL&M por três motivos: preguiça, não tenho permissão da Nature, e porque os destaques que pretendo expor a seguir já são o suficiente para esse humilde blog.


"Há dois anos, um importante vendedor de uma das principais empresas italianas de engenharia foi ao setor de emergências do Hospital San Matteo, em Pavia. Ele estava assustado. Podia pensar com clareza e podia mover sua mão normalmente, mas durante os últimos dias não tinha conseguido escrever. Os e-mails profissionais que ele tinha redigido, com total confiança, em seu computador não faziam qualquer sentido quando ele os relia. E descobriu que não conseguia escrever uma só palavra à mão.

Alguns testes feitos no hospital revelaram que ele estava aparentemente bem. Podia se expressar sem problemas, podia ler, soletrar palavras oralmente, letra por letra - e podia até desenhar objetos simples. Os médicos começaram a achar que deveriam chamar um psiquiatra. Mas quando uma tomografia do cérebro apresentou o que parecia ser um perqueno tumor, chamaram o neurocirurgião Lorenzo Magrassi. Ele imediatamente receitou alguns remédios para diminuir o inchaço, que pressionava áreas cerebrais vizinhas, e em alguns dias o paciente já podia escrever de novo.

Magrassi ficou intrigado. Ele nunca tinha ouvido falar de um caso semelhante de agrafia - a incapacidade de escrever. Desse modo, quando fez uma operação na semana seguinte para remover o tumor, fez também uma pequena pesquisa. O paciente, que estava totalmente de acordo, foi solicitado a falar enquanto Magrassi estimulava seu cérebro com um eletrodo. Também lhe deram papel e lápis para que escrevesse frases ditadas até que o cirurgião encontrasse o ponto exato que controlava a escrita.

As técnicas de Magrassi não eram novas: os neurocirurgiões frequentemente fazem estimulações em torno de um tumor ou de outros tecidos doentes que eles planejam remover, enquanto o paciente está alerta e é capaz de responder perguntas. Esse 'mapeamento cerebral funcional' lhes permite identificar as áreas, envolvidas na fala e em outras funções, que eles preferem não explorar com o bisturi. A novidade é a maneira como os neurocirurgiões estão utilizando essas técnicas para um mapeamento cerebral exploratório mais ousado, quase sempre em colaboração com cientistas de pesquisa básica. Em resumo, os cirurgiões têm uma oportunidade única para acessar e estimular o cérebro humano e, à medida que as tecnologias melhoram, mais cirurgiões começam a fazer uso delas.

'A neurocirurgia pode contribuir para a neurociência ao deixar entrever a mente, o que é uma rara brecha para o funcionamento do cérebro', diz o cirurgião Itzhak Fried, da University of California, Los Angeles. 'Podemos começar a investigar habilidades unicamente humanas'. Algumas dessas parcerias que estão surgindo investigam aspectos do ser humano - como a consciência ou a linguagem - que há muito tempo são do interesse dos neurocientistas e têm relevância prática para os neurocirgiões. Magrassi enfatiza que sua pesquisa não foi puramente experimental, e que tem aplicações em cirurgias futuras. 'Frequentemente é clinicamente importante preservar a escrita após uma cirurgia, como é importante preservar a fala, e precisamos entender quais as áreas que devem ser evitadas', diz ele. Ainda, a ciência do cérebro foi beneficiada".

Notamos imediatamente que Magrassi é um pragmático: se a escrita não estiver preservada após a cirurgia, quem vai assinar o cheque? O artigo segue informando que Magrassi vem pesquisando bastante e publicará oportunamente seus resultados, que se ocupam de teorias sobre o circuito neural da escrita (considerada por ele como a atividade humana por excelência): ela parece cooptar estruturas cerebrais de áreas envolvidas em linguagem, processamento visual e facilitação do movimento.

Depois disso o artigo descreve como são utilizados eletrodos implantados no cérebro para estudos e sondagens anteriores a implantações de estimuladores neurais e para tratamento da doença de Parkinson. Estende-se também acerca das pesquisas do neurocirurgião alemão Volker Sturm, que deseja tratar depressão, distúrbios obsessivocompulsivos e alcoolismo em associação com DBS (deep brain stimulation - estimulação cerebral profunda), um procedimento que envolve a colocação de eletrodos em uma pequena área do nucleus accumbens. Também são feitas pesquisas na região do córtex , e o artigo explica que "algumas formas particularmente brutais de epilepsia, que não respondem a tratamento com drogas, originam-se no córtex temporal medial e podem ser curadas através de remoção cirúrgica da área responsável. Os neurocirurgiões identificam o foco exato com a implantação de um punhado de eletrodos em volta do córtex temporal medial, e esperam que o paciente tenha um ataque espontâneo, quando então determinam a origem da atividade epilética".

Transcrevo agora mais uma parte interessante do final do artigo:

"Fried vem usando sistemas de eletrodos desde a década de 1970, e é reconhecidamente o pioneiro dessa técnica de pesquisa. Nos últimos cinco ou seis anos, avanços na análise dos dados permitiram que sinais frágeis e infrequentes fossem extraídos do ruído de neurônios individuais: esses são o tipo de sinal que animam aqueles interessados na consciência humana, porque refletem eventos raros ou sutís - tais como reconhecer o rosto de uma celebridade.

Rodrigo Quian Quiroga, um físico transformado em neurocientista, e um dos colaboradores de Fried, chegou às manchetes em 2005 ao anunciar que ele e seus colegas tinham descoberto o conceito do 'neurônio de Jennifer Anniston'. Quiroga veio para o California Institute of Technology (Caltech), em Pasadena, como estudante de pós-doutorado em 2001, principalmente pela oportunidade de fazer registros a partir de um só neurônio em pacientes com epilepsia que estavam sendo operados por Fried. Ele estava particularmente interessado em como o hipocampo humano, uma parte do lobo temporal medial, está envolvido no reconhecimento de pessoas ou objetos. O registro de 64 eletrodos individuais no cérebro pode gerar centenas de gigabytes de informação por dia, então Quiroga instituiu como sua primeira tarefa encontrar uma maneira melhor de fazer a escolha em meio a toneladas de dados. Ter uma formação em física foi bastante útil, e em 2003 ele tinha elaborado um elegante algoritmo que podia pesquisar em meio aos sinais elétricos misturados e identificar sem ambiguidade a ativação de neurônios individuais. Com uma só jogada, ele virou a mesa.

Ele pesquisou a questão do reconhecimento seguindo a atividade de neurônios individuais enquanto os pacientes observavam centenas de fotografias em seu laptop - da atriz Jennifer Anniston à Sydney Opera House. Tipicamente, cada neurônio se ativava para cada conceito, mas era de maneira bastante flexível: o neurônio de Jennifer Anniston disparava para diferentes fotografias da atriz, mas não de outras celebridades. Em alguns pacientes, neurônios de Jennifer Anniston disparavam também para outras atrizes de Friends, a popular série de televisão estrelada por ela. Mas eles nunca disparavam para outras atrizes de aparência similar mas com conexões diferentes. Quian Quiroga, agora na University of Leicester, UK, lembra-se de sua surpresa ao descobrir um neurônio individual de um paciente disparando em reação a ele (Quiroga), apesar de terem se visto pela primeira vez apenas alguns dias antes. Ele acabou demonstrando que esses neurônios se ativam apenas se os pacientes reconhecem conscientemente as fotografias, e que também se ativam se a pessoa ouvir o nome de alguém ou de um objeto.

'Esses neurônios do hipocampo codificam as informações de maneira bem abstrata, seja qual for o tipo de informação sensorial que leve a isso', diz Quiroga. 'Faz sentido, já que memórias de longo prazo são armazenadas como abstrações - Jennifer Anniston enquanto conceito - e temos tendência a não lembrar de detalhes, como a aparência de seu cabelo'. "

Depois de mais algumas considerações sobre epilepsia, o artigo retorna com Fried falando sobre memória:

"Fried diz que sua colaboração com Quiroga e outros permitiu que ele seguisse uma linha de pesquisa da memória. 'Tudo do que você se lembra conscientemente terá que ser processado no hipocampo', diz ele, acrescentando que tais estudos eventualmente poderão ser o guia de cirurgia de epilepsia no lobo temporal médio, 'onde as redes de memória às vezes se sobrepõem às redes de epilepsia'. Fried afirma que alguns neurocirurgiões imaginam se não seria pouco ético não fazer experiências, já que o pouco que se sabe sobre o cérebro está em suas mãos e dado que a oportunidade existe. O potencial para se aprender sobre a base neural do que é ser humano - para que isso possa ser preservado - é uma oportunidade que poucos querem deixar passar".

sábado, 24 de outubro de 2009

Ouvir música dá arrepios...


Fig. 1 Emotional arousal was assessed through psychophysiological measurements of galvanic skin response (GSR), temperature, heart rate, blood volume pulse (BVP) amplitude, and respiration rate. Pleasure states were continuously obtained through subjective ratings of “neutral”, “low pleasure”, and “high pleasure” using a button box. Chills were also indicated through button presses. Psychophysiological correlates of each pleasure state were analyzed to determine systematic relationships between increases in pleasure and emotional arousal.

The Rewarding Aspects of Music Listening Are Related to Degree of Emotional Arousal é o estudo/experimento que eu gostaria de ter como assunto de hoje. Suas premissas, sua redação, montagem, as notas feitas durante a coisa toda, os cuidados que foram tomados em sua execução, as conclusões finais, tudo aponta para um final feliz: o experimento é um sucesso e os autores ficam satisfeitos. Aqui está parte da introdução:

"Por que a música é prazerosa? É simplesmente uma sequência de sons. Ainda assim, a música tem estado presente em todas as culturas conhecidas desde que existe história. Apesar de haver diversas teorias sobre por que a música teria se desenvolvido, o intenso grau de prazer associado a ouvir música permanece um mistério. O enigma está no fato de que não há quaisquer similaridades funcionais diretas entre a a música e outros estímulos que produzem prazer: não tem valor biológico claramente estabelecido (cf. alimento, amor e sexo), nenhuma base tangível (cf. drogas farmacológicas e recompensas monetárias) ou propriedades conhecidas que promovam um vício (cf. jogo e nicotina). A despeito disso, a música é consistentemente colocada entre as principais dez coisas que os indivíduos consideram altamente prazerosas, e tem um papel onipresente e importante na vida da maioria das pessoas".

Pouco depois, os autores batem na mesma tecla: "O objetivo desse estudo é testar essa teoria examinando sistematicamente a relação entre a estimulação emocional e o prazer durante a audição de música. O prazer é um constructo que se refere a um estado subjetivo, e implica que o comportamento a ele associado é recompensador e provavelmente se repetirá. A implicação mais ampla desse experimento é entender por que os humanos sentem prazer ao ouvir música, e por que esse comportamento continua a se repetir a despeito de não apresentar qualquer importância funcional".

Mas, como dizem os ingleses, o enredo se complica.

Se o sol não fosse uma alucinação coletiva, não seria uma unanimidade. Quer dizer, ao ler a lista das músicas que davam arrepios (registrados em sofisticada aparelhagem) nos sujeitos dos experimentos, quem acabou ficando arrepiado fui eu. Veja só algumas:

Lamb toca Angelica (gênero: electronic)
Steve Vai toca Beethoven's Fifth Symphony (gênero: heavy metal)
Jimmy Swift Band toca 80's Runaway Model (gênero: electronic rock)
Transiberian Orchestra toca Nutcracker Suite (gênero: progressive rock)

E assim por diante. Mas não tinha o Hino do Flamengo, Für Elise, Strangers in the Night ou Havah Nagilah. Nem o Bolero, de Ravel. Tem um rato morto aí...

Citation: Salimpoor VN, Benovoy M, Longo G, Cooperstock JR, Zatorre RJ (2009) The Rewarding Aspects of Music Listening Are Related to Degree of Emotional Arousal. PLoS ONE 4(10): e7487. doi:10.1371/journal.pone.0007487 Em
http://www.plosone.org/article/info:doi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0007487

Vivaldi (1678-1741)


Contemporâneo de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Vivaldi é um dos grandes nomes da música pré-romântica. Seus numerosos concertos (mais ou menos 500) incluem 350 deles para um instrumento solo e cordas, dos quais 230 para violino (o principal instrumento em sua vida de músico). Uma das partes mais interessantes do New Grove Dictionary of Music and Musicians ref. a Vivaldi é a seguinte:

7. Points of style.
Vivaldi's musical language is so distinctive that it is worth mentioning a few of its peculiarities. His melody shows a penchant for Lombardic rhythms (which, according to Quantz, he was the first to introduce) and for syncopation – betraying, perhaps, Venice's connections with Dalmatia and the Slavonic hinterland. His treatment of the variable sixth and seventh degrees of the minor scale was amazingly flexible, admitting the augmented 2nd as a melodic interval even in an ascending line. Compound intervals, including the octave, could assume an expressive melodic value hitherto barely exploited. He transported ideas from the major into the minor mode (and vice versa) with almost Schubertian freedom. He formed melodies from mere cadential fragments (a phenomenon well described by Kolneder as ‘Kadenzmelodik’). His harmony abounds in 7th chords, and he used the higher dominant discords (9th, 11th, 13th) over pedals with near recklessness. He can modulate extremely abruptly, often through a VII–I rather than V–I progression. Juxtapositions of very slow and very fast harmonic rhythms are frequent. His phrasing often includes irregular groups (e.g. of one and a half bars' length). His two violins frequently toss a pair of contrapuntally contrasted motifs back and forth over several bars, either at one pitch (producing a quasi-canonic effect) or at different pitches in a sequential pattern; sequence, incidentally, was a device whose attractiveness to Vivaldi could be dangerous in his more facile moments. Ostinato phrases in one part which contradict the changing harmonies of the other parts are typical.
It is rare that such an individualist attracts many followers. Yet during the period 1710–30 Vivaldi's influence on the concerto was so strong that some established composers older than him like Dall'Abaco and Albinoni felt obliged to modify their style in mid-career. In most of Italy, and in France after about 1725, the Vivaldian model was enthusiastically adopted. Only in conservative Rome and certain other parts of Europe (notably England) where the Corellian style had taken firm root was its hegemony resisted, and even then a Vivaldian spirit informs many concertos whose form is more Corellian than Vivaldian. Because the influence of the concerto permeated all forms of composition Vivaldi can legitimately be regarded as a most important precursor of G.B. Sammartini and the Bach sons in the evolution of the Classical symphony. Equally, he can be seen as a harbinger of musical Romanticism, not just on account of the pictorialism of certain programmatic concertos, but in more general terms because of the higher value he placed on expression than on perfection of detail.

Está na hora de colocar as Quatro Estações na vitrola/no cd player/no ipod e ler esse interessante livro.

Vivaldi: Genius of the Baroque
Marc Pincherle
W. W. Norton & Company 1957 278 pages PDF 1,1 MB
http://depositfiles.com/files/gfckcahyj

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Fazendo pão...


Esta é minha segunda postagem que nada tem a ver com cognição, linguagem ou música. A primeira foi sobre eletricidade, em maio de 2008, divulgando um livro sensacional sobre o assunto. E o assunto de hoje é o livro de Daniel T. DiMuzio, Cozinhando Pão: A Perspectiva de um Artesão. Como as notas da editoria são precisas e econômicas, aí vão:


" Bread Baking: An Artisan's Perspective inclui instruções passo-a-passo sobre mistura de ingredientes, fermentação, forma, proofing e retarding (ver abaixo), e cozimento. Escrito tanto para padeiros experientes como principiantes, o livro traz mais de 150 fotos e desenhos úteis que ilustram as técnicas e demonstram belos produtos artesanais de pão. Ele trata do negócio de fazer pão e traz conselhos práticos de padeiros artesãos bem sucedidos, assim como mais de 40 receitas artesanais de pão já testadas, incluindo ciabatta, pain au levain (ver abaixo), bagels, honey whole wheat, croissants e muitos outros. O padeiro artesão e professor Dan DiMuzio fornece valiosas informações sobre solução de problemas, ingredientes, massa laminada (folheada - ver abaixo) e sobre a criação de fórmulas de massas".

Proofing is defined as the period of fermentation between the shaping of bread loaves and the loading of the loaves into the oven. It differs from bulk fermentation because the main goal during proofing is simply to inflate the shaped dough. During the proofing phase of bread production, we increase the dough’s volume just enough that when the loaves are placed in the oven, they gradually achieve close to their maximum potential in height.

Retarding might be defined as the use of refrigeration to delay the process of proofing. It can take the simple form of covering a few trays of raw loaves and placing them in a reach-in refrigerator, or it may be as elaborate as using computerized proofers or proofer-retarders to hold entire racks of loaves waiting to be baked.

Definição de Lamination

When we say that we want to laminate bread dough, we mean we want to encase a large amount of butter in bread dough and put it through a series of folds that yield distinct alternating layers of dough and butter. You are probably familiar with some common applications of dough laminates, such as croissants and Danish pastries.

Pain au levain

The French use the term levain to identify a sourdough process, and that is the one we

use here. While the precise fl ours used may differ and the names vary even more

among nations, the underlying process is essentially the same, and the principles applied

are more similar than they are different.

As partes mais importantes e interessantes do índice:


A Brief History of Bread Making 2

Bread’s Impact on Basic Survival 2

A Cornerstone of Civilization 2

How Bread Began 3

Bread: An Accidental Creation 3

Ingredients for Baking Bread 14

The Most Important Ingredient: Flour 14

Other Grains 18

Water 19

Salt 20

Yeast 21

Sweeteners 23

Fats and Oils 23

Milk Products 24

Eggs 24

Nuts, Seeds, Grains, and Dried Fruits 25

The First 10,000 Years: Hand Mixing 42

Fermentation: A Process of Transformation 62

Does Fermentation Create or Destroy? 62

Giving Form to Dough 78

Baking Transforms Raw Dough 122

Recognizing When Loaves Are Ready to Be Baked 122

Baking Temperature 125

Using Steam 127

How to Judge the Doneness of Bread 130

Formulation: How Can We Design Our Own Reliable

Bread Dough? 156

Choose Your Ingredients 157

Create a Formula, Not Just a Recipe 159


Bread Baking: An Artisan's Perspective
Publisher: Wiley Pages: 272 2009 PDF 10 MB

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aprender línguas


O site All Providings (em Tutorials and Misc....) disponibiliza alguns cursos que parecem muito bons para se aprender japonês, chinês, francês, alemão, árabe, espanhol e inglês. São da coleção Tell Me More, e pela descrição de cada um é só acrescentar a perseverança do aluno, uma pitada de boa vontade e levar ao cérebro.

Neste mesmo site (na verdade, um blog) encontrei uma versão do melhor dicionário da língua francesa, o Grand Robert, mas como são ~790 MB divididos em 16 arquivos Rapidshare, vou deixar de molho enquanto vejo se encontro outras opções.

E esse mesmo site tem filmes infantis imperdíveis, como Tom & Jerry (completo), muitos Disney originais (Bambi, Lion King, Corcunda de Notre Dame, etc.), além de outros mais modernos como Ice Age, Toy Story, e demais atavios.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Butchering The Beatles


Nome do CD "tributo" que nada tem a ver com esses rip-offs que assolam o planeta. É uma oferta do generoso blog Sanus Caelitus (muita coisa boa lá), e só a listagem das músicas e dos músicos já deixa o leitor de cabelo em pé:

1. "Hey Bulldog" - Alice Cooper, vox; Steve Vai, guitars; Duff McKagen (Velvet Revolver / Guns N Roses), bass; Mikkey Dee (Motörhead), drums

2. "Back In The USSR" - Lemmy Kilmister (Motörhead), vox/bass; John5 (Marilyn Manson / Rob Zombie), guitars; Eric Singer (Kiss / Alice Cooper), drums

3. "Lucy In The Sky With Diamonds" - Geoff Tate (Queensrÿche), vox; Michael Wilton (Queensryche), guitar; Craig Goldy (Dio), guitar; Rudy Sarzo (Dio), bass; Simon Wright (Dio), drums; Scott Warren (Dio), keys

4. "Tomorrow Never Knows" - Billy Idol, vox; Steve Stevens (Billy Idol, BLS), guitars; Blasko (Ozzy Osbourne), bass; Brian Tichy (Billy Idol), drums
(BLS é a banda Bozzio, Levin & Stevens)

5. "Magical Mystery Tour" - Jeff Scott Soto (Yngwie Malmsteen / Soul Sirkus), vox; Yngwie Malmsteen (Rising Force / Alcatrazz), incredible lead guitar; Bob Kulick, (Meat Loaf / Paul Stanley Band), rhythm guitar; Jeff Pilson (Dokken / Foreigner), bass; Frankie Banali (Wasp / Quiet Riot), drums

6. "Revolution" - Billy Gibbons (ZZ Top), vox / guitar; Vivian Campbell (Def Leppard), guitar; Mike Porcaro (Toto), bass; Gregg Bisonnette (David Lee Roth / Ringo Starr Band), drums; Joseph Fazzio (Superjoint Ritual), drums

7. "Day Tripper" - Jack Blades (Night Ranger / Damn Yankees), vox; Tommy Shaw (Styx / Damn Yankees), vox; Doug Aldrich (Whitesnake / Dio), guitars; Marco Mendoza (Whitesnake / Thin Lizzy), bass; Virgil Donati (Steve Vai / Soul Sirkus / Planet X), drums

8. "I Feel Fine" - John Bush (Anthrax), vox; Stephen Carpenter (Deftones), guitar; Mike Inez (Ozzy Osbourne / Alice In Chains), bass; John Tempesta (The Cult / Testament), drums

9. "Taxman" - Doug Pinnick (King's X), vox; Steve Lukather (Toto), guitar; Tony Levin (John Lennon / Peter Gabriel, BLS, King Crimson), bass; Steve Ferrone (Eric Clapton / Tom Petty), drums

10. "I Saw Her Standing There" - John Corabi (Motley Crue), vox; Phil Campbell (Motörhead), guitar; C.C. Deville (Poison), guitar; Chris Chaney (Jane's Addiction), bass; Kenny Aronoff (Smashing Pumpkins / Jon Bon Jovi), drums

11. "Hey Jude" - Tim "Ripper" Owens (Judas Priest / Iced Earth), vox; George Lynch (Dokken / Lynch Mob), guitar; Bob Kulick (Meat Loaf / Paul Stanley Band), rhythm guitar; Tim Bogert (Vanilla Fudge / Beck / Bogert & Appice), bass; Chris Slade (AC/DC), drums

12. "Drive My Car" - Kip Winger (Winger), vox; Bruce Kulick (Kiss / Grand Funk), guitar; Tony Franklin (The Firm / Whitesnake), bass; Aynsley Dunbar (Whitesnake / Journey), drums

Link: http://rapidshare.com/files/266291946/Butchering_The_Beatles.rar

Essential Sources in the Scientific Study of Consciousness


Este é o título do livro abordado hoje. É de 2003 (The MIT Press), e foi editado por Bernard J. Baars, William P. Banks e James B. Newman. A capa é tão horripilante que nem vou usá-la como ilustração dessa postagem. Uma foto de Baars já resolve o assunto.

Em seu artigo/capítulo Consciousness and Complexity, Giulio Tononi e Gerald M. Edelman perguntam: "Qual é o substrato neural da experiência consciente? Enquanto William James concluiu que é o cérebro todo, recentes abordagens tentaram concentrar o foco: existem neurônios dotados de localização especial ou propriedade intrínseca que sejam necessários e suficientes para a experiência consciente?" (p. 993) Eu fico com James, ou melhor, com Luiz Alfredo Garcia-Roza: nossa consciência é todo o nosso corpo (como ele nos disse em aula do curso pré-vestibular Miguel Couto-Vetor, em 1969).

O livro é composto de artigos/capítulos publicados em datas e locais diversos. Ao invés de tecer comentários, uma tarefa herculana e desnecessária, o melhor é mostrar o índice (que só encontrei completo desse jeito tirando da edição japonesa):

目次
Preface p.ix
Sources p.xi
1. Introduction: Treating Consciousness as a Variable: The Fading Taboo p.1 Bernard J. Baars
I. OVERVIEW
2. Consciousness: Respectable, Useful, and Probably Necessary p.15 George Mandler
3. Consciousness and Neuroscience p.35 Francis Crick and Christof Koch
II. CONSCIOUSNESS IN VISION
4. Feature Binding, Attention, and Object Perception p.63 Anne M. Treisman
5. Effects of Sleep and Arousal on the Processing of Visual Information in the Cat p.85 Margaret S. Livingstone and David H. Hubel
6. The Role of Temporal Cortical Areas in Perceptual Organization p.101 D.L. Sheinberg and Nikos K. Logothetis
7. Investigating Neural Correlates of Conscious Perception by Frequency-Tagged Neuromagnetic Responses p.113 Guilio Tononi, Ramesh Srinivasan, D. Patrick Russell and Gerald M. Edelman
8. Temporal Binding, Binocular Rivalry, and Consciousness p.125 Andreas K. Engel, Pascal Fries, Pieter R. Roelfsema, Peter König, Michael Brecht and Wolf Singer
9. Disconnected Awareness for Detecting, Processing, and Remembering in Neurological Patients p.147 Larry Weiskrantz
10. Blindsight in Monkeys p.155 Alan Cowey and Petra Stoerig
11. Hemisphere Deconnection and Unity in Conscious Awareness p.161 R.W. Sperry
12. Separate Visual Pathways for Perception and Action p.175 Melvyn A. Goodale and A. D. Milner
13. Consciousness and Isomorphism: Can the Color Spectrum Really Be Inverted? p.185 Stephen E. Palmer
III. ATTENTION: SELECTING ONE CONSCIOUS STREAM AMONG MANY
14. Strategies and Models of Selective Attention p.207 Anne M. Treisman
15. Inattentional Blindness versus Inattentional Amnesia for Fixated but Ignored Words p.227 Geraint Rees, Charlotte Russell, Christopher D. Frith and Jon Driver
16. Aspects of a Theory of Comprehension, Memory, and Attention p.235 Donald G. MacKay
17. To See or Not to See: The Need for Attention to Perceive Changes in Scenes p.251 Ronald A. Rensink, J. Kevin O'Regan and James J. Clark
18. Function of the Thalamic Reticular Complex: The Searchlight Hypothesis p.263 Francis Crick
19. Selective Attention Gates Visual Processing in the Extrastriate Cortex p.273 Jeffrey Moran and Robert Desimone
20. Attention: The Mechanisms of Consciousness p.279 Michael I. Posner
21. Attention, Awareness, and the Triangular Circuit p.291David LaBerge
IV. IMMEDIATE MEMORY: THE FLEETING CONSCIOUS PRESENT
22. The Information Available in Brief Visual Presentations p.325 George Sperling
23. The Magical Number Seven, Plus or Minus Two: Some Limits on Our Capacity for Processing Information p.357 George A. Miller
24. The Control of Short-Term Memory p.373 Richard C. Atkinson and Richard M. Shiffrin
25. Verbal and Visual Subsystems of Working Memory p.389 Alan D. Baddeley
26. The Prefrontal Landscape: Implications of Functional Architecture for Understanding Human Mentation and the Central Executive p.395 P. S. Goldman-Rakic
27. Storage and Executive Processes in the Frontal Lobes p.409 Edward E. Smith and John Jonides
28. Consciousness and Cognition May Be Mediated by Multiple Independent Coherent Ensembles p.419 E. Roy John, Paul Easton and Robert Isenhart
V. INTERNAL SOURCES: VISUAL IMAGES, AND INNER SPEECH
29. Aspects of a Cognitive Neuroscience of Mental Imagery p.457 Stephen M. Kosslyn
30. The Neural Basis of Mental Imagery p.469 Martha J. Farah
31. Experimental Studies of Ongoing Conscious Experience p.479 Jerome L. Singer
32. Verbal Reports on Thinking p.493 K. Anders Ericsson and Herbert A. Simon
VI. BELOW THE THRESHOLD OF SENSORY CONSCIOUSNESS
33. Distinguishing Conscious from Unconscious Perceptual Processes p.519 Jim Cheesman and Philip M. Merikle
34. The Psychological Unconscious: A Necessary Assumption for All Psychological Theory? p.541 Howard Shevrin and Scott Dickman
35. Brain Stimulation in the Study of Neuronal Functions for Conscious Sensory Experiences p.559 B. Libet
VII. CONSCIOUSNESS AND MEMORY
36. Memory and Consciousness p.579 Endel Tulving
37. Conscious Recollection and the Human Hippocampal Formation: Evidence from Positron Emission Tomography p.593 Daniel L. Schachter, Nathaniel M. Alpert, Cary R. Savage, Scott L. Rauch and Marilyn S. Albert
38. Implicit Learning and Tacit Knowledge p.603 Arthur S. Reber
39. Attention, Automatism, and Consciousness p.631 Richard M. Shiffrin
40. When Practice Makes Imperfect: Debilitating Effects of Overlearning p.643 Ellen J. Langer and Lois G. Imber
41. The Neural Correlates of Consciousness: An Analysis of Cognitive Skill Learning p.655 Marcus E. Raichle
42. Availability: A Heuristic for Judging Frequency and Probability p.677 Amos Tversky and Daniel Kahneman
43. Experiences of Remembering, Knowing, and Guessing p.697 John M. Gardiner, Cristina Ramponi and Alan Richardson-Klavehn
44. Measuring Recollection: Strategic versus Automatic Influences of Associative Context p.721 Larry L. Jacoby
VIII. UNCONSCIOUS AND "FRINGE" PROCESSES
45. The Conscious "Fringe": Bringing William James Up to Date p.741 Bruce Mangan
46. The Fundamental Role of Context: Unconscious Shaping of Conscious Information p.761 Bernard J. Baars
47. The Cognitive Unconscious p.777 Richard Kihlstrom
48. Pain and Dissociation in the Cold Pressor Test: A Study of Hypnotic Analgesia with "Hidden Reports" through Automatic Key Pressing and Automatic Talking p.793 Ernest Hilgard, Arlene H. Morgan and Hugh Macdonald
49. Anosognosia in Parietal Lobe Syndrome p.805 V.S. Ramachandran
50. Implications for Psychiatry of Left and Right Cerebral Specialization: A Neurophysiological Context for Unconscious Processes p.831 David Galin
IX. CONSCIOUSNESS AS A STATE: WAKING, DEEP SLEEP, COMA, ANESTHESIA, AND DREAMING
51. Brain Stem Reticular Formation and Activation of the EEG p.859 G. Moruzzi and H.W. Magoun
52. Anatomical and Physiological Substrates of Arousal p.881 Arnold B. Scheibel
53. On the Neurophysiology of Consciousness: An Overview p.891 Joseph E. Bogen
54. An Information Processing Theory of Anaesthesia p.901 H. Flohr
55. Toward a Unified Theory of Narcosis: Brain Imaging Evidence for a Thalamocortical Switch as the Neurophysiologic Basis of Anesthetic-Induced Unconsciousness p.913 M.T. Alkire, R.J. Haier and J.H. Fallon
56. The Relation of Eye Movements during Sleep to Dream Activity: An Objective Method for the Study of Dreaming p.929 William C. Dement and Nathaniel Kleitman
57. The Brain as a Dream State Generator: An Activation-Synthesis Hypothesis of the Dream Process p.937 J. Allan Hobson and Robert W. McCarley
58. Lucid Dreaming Verified by Volitional Communication during REM Sleep p.959 Stephen P. LaBerge, Lynn E. Nagel, William C. Dement and Vincent P. Zarcone, Jr.
59. Commentary: Of Dreaming and Wakefulness p.965 Rodolfo R. Llinás and D. ParéX.
THEORY
60. Consciousness and Complexity p.993 Guilio Tononi and Gerald M. Edelman
61. Brain Learning, Attention, and Consciousness p.1007 Stephen Grossberg
62. A Global Competitive Network for Attention p.1035 John G. Taylor and F.N. Alavi
63. Time-Locked Multiregional Retroactivation: A Systems-Level Proposal for the Neural Substrates of Recall and Recognition p.1059 Antonio R. Damasio
64. Visual Feature Integration and the Temporal Correlation Hypothesis p.1087 Wolf Singer and Charles M. Gray
65. Metaphors of Consciousness and Attention in the Brain p.1113 Bernard J. Baars
66. How Does a Serial, Integrated, and Very Limited Stream of Consciousness Emerge from a Nervous System That Is Mostly Unconscious, Distributed, Parallel, and of Enormous Capacity? p.1123 Bernard J. Baars
67. A Neural Global Workspace Model for Conscious Attention p.1131 James B. Newman, Bernard J. Baars and Sung-Bae Cho
68. A Software Agent Model of Consciousness p.1149 Stan Franklin and Art Graesser
Index p.1165

Anyways, aqui estão as abobrinhas da editoria: Consciousness is at the very core of the human condition. Yet only in recent decades has it become a major focus in the brain and behavioral sciences. Scientists now know that consciousness involves many levels of brain functioning, from brainstem to cortex. The almost seventy articles in this book reflect the breadth and depth of this burgeoning field. The many topics covered include consciousness in vision and inner speech, immediate memory and attention, waking, dreaming, coma, the effects of brain damage, fringe consciousness, hypnosis, and dissociation. Underlying all the selections are the questions, What difference does consciousness make? What are its properties? What role does it play in the nervous system? How do conscious brain functions differ from unconscious ones? The focus of the book is on scientific evidence and theory. The editors have also chosen introductory articles by leading scientists to allow a wide variety of new readers to gain insight into the field.
Essential Sources in the Scientific Study of Consciousness

domingo, 18 de outubro de 2009

Área de Broca e Processamento de Linguagem

O site Neurophilosophy publicou o artigo abaixo, simplezinho mas bem interessante, que tira a área de Broca (pronuncia-se 'brrô-cá', onde a primeira sílaba é fraca e a segunda forte) do limbo em que esteve nos últimos anos.

"Cirurgia em Pacientes Conscientes Revela Sequência e Timing do Processamento de Linguagem
Posted on: October 16, 2009 3:50 PM, by Mo

Pensar em uma palavra e dizê-la é algo que a maioria de nós faz sem esforço muitas vezes por dia. Isso envolve diversos estágios - temos que selecionar a palavra certa, decidir a conjugação apropriada e também pronunciá-la corretamente. As computações neurais básicas dessas tarefas são altamente complexas, e debatia-se se o cérebro executava todas ao mesmo tempo ou uma após a outra.

Esta discussão parece ter sido resolvida por uma equipe de pesquisadores americanos, que tiveram a rara oportunidade de estudar o processamento da linguagem em pacientes epiléticos conscientes durante cirurgia. No exemplar de hoje da revista Science, os pesquisadores relatam que o cérebro processa informações lexicais, gramaticais e fonológicas em uma sequência bem definida que dura menos de meio segundo, e que um centro único de linguagem conhecido como área de Broca está envolvido em todas essas tarefas.

A área de Broca tem esse nome devido ao médico francês Pierre-Paul Broca, que identificou essa região do cérebro durante exames post mortem de dois pacientes que tinham perdido a capacidade de falar depois de sofrerem lesões. Esses pacientes ainda eram capazes de entender a fala dos outros perfeitamente bem, e descobriu-se mais tarde que a área de Broca identificada - que se localiza no giro frontal inferior do hemisfério esquerdo - controla os músculos da garganta e da língua necessários para a produção de fala. Portanto, há muito tempo supõe-se que ela está envolvida apenas na produção de fala.

Hoje se sabe que a área de Broca também está envolvida em outros aspectos da fala. Mas a faculdade da fala não pode ser estudada em animais, e a resolução das técnicas utilizadas para se estudar o cérebro humano vivo, como a neuroimagem funcional, é muito baixa para que se possa examinar a atividade cerebral detalhadamente. Assim, desde que foi descoberta, pouco progresso foi obtido na compreensão do papel dessa parte do cérebro na linguagem. Os neurocirurgiões podem sondar o cérebro utilizando eletrodos colocados na superfície do córtex cerebral, mas as cirurgias que exigem esse procedimento não são executadas com muita frequência.

Utilizando uma variação da técnica pioneira de Wilder Penfield, da década de 1930, Ned Sahin e colegas implantaram sequências de eletrodos nos cérebros de três pacientes epiléticos que passavam por uma avaliação pré-cirúrgica. Durante o procedimento, mostrava-se aos pacientes palavras em uma tela de computador e era solicitado a eles que as repetissem silenciosamente ou que fizessem algumas inflexões. Por exemplo, se vissem a frase 'Ontem eles _____' seguida de 'andar', o paciente diria mentalmente 'Ontem eles andaram', e então apertaria um botão para indicar que a tarefa estava completa.

Os eletrodos foram implantados na área de Broca e em suas proximidades, permitindo que os pesquisadores registrassem a atividade neural associada ao processamento de linguagem, com alta resolução espacial e temporal. Isto revelou que a assinatura neural da tarefa de linguagem consistia de três componentes diferentes, que eram distintas em espaço e tempo e foram encontradas sistematicamente em todos os três pacientes.

As três fases de atividade elétrica foram registradas exclusivamente a partir da área de Broca, mas foram registradas em tempos diferentes e em subregiões distintas separadas umas das outras por diversos milímetros. A primeira componente ocorreu por volta de 200 ms após a apresentação de cada palavra. Foi verificado que o tempo era maior para palavras pouco usadas do que para palavras frequentes, mas não era sensível ao comprimento da palavra, sugerindo que corresponde à identificação da palavra. A área de Broca não está associada à identificação de palavras, mas demonstrou-se anteriormente que ela se ativa nessa escala de tempo em resposta a informações lexicais enviadas a ela de outras áreas de linguagem.

A segunda componente da assinatura foi registrada 320 ms após a apresentação da palavra, em uma região por trás da área de Broca. Descobriu-se que a atividade registrada nessa região era modulada durante experimentos que exigiam que os pacientes produzissem subvocalmente o pretérito de verbos ou convertesse substantivos entre o singular e o plural, mas não durante os experimentos nos quais a palavra era apenas repetida. Parece, portanto, estar envolvida no processamento de aspectos gramaticais mas não lexicais da linguagem.

A componente final foi registrada em torno de 450 ms, em uma subregião diferente. Este sinal era o mesmo que aqueles dos experimentos nos quais os pacientes liam a palavra como era apresentada, ou a repetiam uma frase que a contivesse no presente (para verbos) ou no singular (para substantivos). Entretanto, diferia em experimentos envolvendo envolvendo a conversão de um verbo para o pretérito, ou de um substantivo para seu plural. Estas inflexões geram resultados que soam diferentes dos outros - para o pretérito, deve ser selecionado um sufixo apropriado, como '_ed', e decidir como é pronunciado (por exemplo, o 'd' de 'handed' e o de 'walked' têm som diferente), assim como se o verbo é regular ('played') ou irregular ('bought'). Essas diferenças levaram os pesquisadores a concluir que essa terceira componente corresponde ao processamento das informações fonológicas.

De acordo com o modelo neurológico clássico da linguagem, a área de Broca está envolvida na produção da fala e a área de Wernicke, que se localiza no lobo temporal, é necessária para a compreensão da fala. Este estudo mostra que a área de Broca é subdividida em regiões funcionalmente distintas que estão envolvidas no processamento sequencial de diferentes aspectos da linguagem, e que seu papel na linguagem é muito mais extenso do que se pensava anteriormente. Vem somar-se a evidências anteriores que a área de Broca está envolvida tanto na produção da fala com em sua compreensão. Trabalhos futuros que utilizarem essas técnicas poderão revelar mais de sua estrutura sutil e fornecer outros indícios sobre seu desenvolvimento na fala".

sábado, 17 de outubro de 2009

OXFORD ENGLISH DICTIONARY


Finalmente... Quem estiver interessado, é melhor fazer o download agora mesmo. Há boas probabilidades dos arquivos serem retirados rapidamente (questão de horas ou poucos dias, eu acho). Veja só:

The Oxford English Dictionary is the internationally recognized authority on the English Language, defining more than 500,000 words and tracing their usage through 2.5 million quotations from a wide range of literary and other sources. The text on the CD-ROM comprises the full text of the OED 2nd Edition , plus the three Additions volumes, as well as 7,000 new entries from the OED's continuing research.


Most importantly, OED v4.0 on CD-ROM boasts superb search-and-retrieval software, designed specifically for the electronic version, enabling you to investigate the Dictionary in ways not possible with the print edition. Questions which might have taken years of patient research can now be answered in seconds.
Existing functionality retained from earlier versions includes:
Installation to the hard drive, so the CD is not required during use of the Dictionary
Options to customize the entry display and show or hide pronunciations, spellings, etymology, and quotation text
Flexible full text search options, with search filters and an option to rank entries and search results alphabetically or by date

Agora só falta The Cambridge Grammar of the English Language, de Huddlestone & Pullum. (Ah, e o Grand Robert)

Oxford English Dictionary, 2nd Edition, Version 4.0

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A neuroquímica da informação

Aqui está a tradução de um artigo razoavelmente interessante da revista Scientific American. Como o original não tinha uma ilustração legalzinha, e me recuso a colocar um cérebro tchan só para figuração, bon apetit.

Scientific American - Mind Matters - October 13, 2009

A química do vício em informações
Um novo experimento revela porque sempre queremos saber a resposta
Chadrick Lane

Minha mãe é hoje um ser humano mais paciente, depois de ter criado uma criança que perguntava incessantemente: "Já chegamos?" Essa informação, quase sempre fora do alcance de uma criança pequena e frustrada, traz consigo uma sensação de recompensa. A maioria de nós tem bastante familiaridade com o desejo de saber mais sobre o futuro, seja acerca de um exame escolar, o resultado de um experimento ou a situação de um novo emprego. O conhecimento antecipado frequentemente não tem qualquer efeito sobre o resultado real do evento - vamos receber a mesma nota a despeito disso - mas ainda assim queremos desesperadamente saber. Isto leva ao que os cientistas chamam de "comportamento de procura por informações" - nossa mente tem intenso desejo por informações relevantes. A base neural por trás desse desejo aparentemente universal esteve oculta dos cientistas por algum tempo, mas a espera terminou.

As teorias contemporâneas de aprendizagem por reforço estão baseadas no sistema dopaminérgico de recompensa. Neurônios de dopamina, em algumas partes do mesencéfalo tais como a área tegumental ventral e a substantia nigra pars compacta, desempenham papel vital na expectativa da recompensa. A maior parte do que se sabe sobre esses neurônios vem do experimentos de registros com eletrodos feitos com macacos rhesus. Não surpreendentemente, estes neurônios reagem a recompensas primitivas, tais como água e alimento. Eles assinalam a expectativa de recompensa do macaco, mas o que não se sabia até agora é se estes mesmos neurônios também poderiam sinalizar a expectativa por informações. Para testar esta preferência por informações, que são uma recompensa cognitiva, um novo paradigma precisava ser estabelecido. Ethan Bromberg-Martin e Okihide Hikosaka, ambos do National Eye Institute, desenvolveram uma brilhante tarefa comportamental que abriu as portas.

No projeto experimental, macacos foram colocados em frente a uma tela de computador e foram treinados para executar uma tarefa de sacada na qual aprendiam a dirigir o olhar para áreas específicas. Primeiro os macacos receberam a opção de escolher um entre dois alvos coloridos. Um desses alvos daria ao macaco informações antecipadas sobre sua futura recompensa. A informação antecipada vinha na forma de indícios visuais, um representando uma grande recompensa e outro uma pequena recompensa. A escolha do outro alvo inicial colorido revelava indícios que estavam aleatoriamente associados ao tamanho da recompensa, não tendo assim qualquer valor informativo. Depois de apenas alguns dias de treinamento, os macacos demonstraram uma clara preferência pela escolha do alvo colorido mais informativo.

Os pesquisadores, então, fizeram testes para ver quando os macacos desejavam as informações. Neste cenário, inicialmente eram apresentados aos macacos dois alvos coloridos. Um deles tinha valor informativo, ao passo que o outro não. A diferença era que os macacos sempre recebiam indícios informativos perto do momento de receber a recompensa. A escolha que cada macaco tinha que fazer era ver um indício informativo anterior. A despeito de sempre obterem um indício informativo retardado, independentemente do alvo inicial que selecionassem, os macacos preferiam ter uma informação anterior assim que possível. Como os alunos do segundo grau que esperam seus resultados do vestibular, os macacos queriam saber, e queriam saber agora mesmo.

Enquanto humanos que experimentam antecipação quase que diariamente, nós podemos entender porque os macacos preferiam a informação imediata. Entretanto, o que exatamente em nosso cérebros poderia ser responsável por tal comportamento? Trabalhando a partir do palpite de que os neurônios de dopamina do mesencéfalo estão tremendamente envolvidos na expectativa da recompensa, tal como a chegada de um jato de suco, os pesquisadores hipotetizaram que os mesmos neurônios também poderiam estar sinalizando a expecativa das informações. Acontece que quando os alvos coloridos eram apresentados individualmente, os neurônios de dopamina reagiam mais fortemente ao alvo informativo do que ao alvo aleatório. Este resultado sustenta a noção de que os neurônios de dopamina do mesencéfalo estão codificando com referência a recompensas tanto primitivas como cognitivas.

Então, por que os neurônios de dopamina tratam a informação como recompensa? É fácil ver-se como tratar a informação dessa maneira pode ser uma adaptação evolutiva útil. Para muitos animais, cada dia consiste de numerosas decisões pertinenetes a comer, reproduzir-se e ter vida social. Obviamente, ter acesso às informações mais relevantes - como saber onde o alimento está localizado - permite que o animal tome melhores decisões. Além do mais, ter acesso a tais informações pode nos dar um melhor controle sobre nosso ambiente, aumentando assim nossas chances de sobrevivência.

Quando indaguei se seu trabalho poderia ter aplicações clínicas, os Drs. Bromberg-Martin e Hikosaka destacaram que decifrar o código neural por trás desses sistemas fornece informações sobre distúrbios dos gânglios basais. A doença de Parkinson é caracterizada pela morte de neurônios dopaminérgicos em áreas do mesencéfalo. Ainda que a doença esteja mais frequentemente associada a disfunções motoras, em alguns casos existem também danos cognitivos. Um desses danos é a perda gradual de motivação pelo paciente, e de sua capacidade de aprender através de recompensas. Já que os mesmos neurônios de dopamina codificam recompensas e informações, a morte desses neurônios pode também reduzir o impulso para procurar informações.

O Dr. Hikosaka também está bastante animado com o futuro destino da pesquisa. Há muito tempo pensa-se que há dois níveis de tomada de decisões: um nível consciente, que ocorre no córtex cerebral, e um nível inconsciente, nos gânglios basais. A história não é tão simples, diz ele, porque esses dois sistemas estão conectados através dos neurônios de dopamina do mesencéfalo. Talvez um trabalho futuro revele como nossas decisões conscientes e inconscientes estão exercendo influência entre si, tudo isso devido a uma população bastante ativa de neurônios de dopamina.

Afirma-se frequentemente que "a ignorância traz felicidade". Entretanto, quando você olha a ignorância a partir da perspectiva do cérebro, surge um quadro bastante diferente. Nossos cérebros, e os cérebros de outros animais, evoluiram para considerar as informações como recompensadoras. De fato, não saber é estressante, e é por isso que procuramos diminuir essa incerteza sempre que possível. Nós queremos a informação, e queremos agora!

www.scientificamerican.com/article.cfm?id=are-we-addicted-to-inform&print=true

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Blues-Rock du Bão


Ainda não ouvi esse disco, mas resolvi colocar aqui de qualquer modo porque faço a maior fé na sinergia entre Collins, James e Walsh. Melhor dizendo: se Joe Walsh não estivesse presente, nem tocaria no assunto. Como ele está, fica a sugestão.

Tracks
1. Walk Away
2. Going Down
3. I Feel My Love Coming Down
4. Sweet Little Angel
5. Rock Me Baby
6. If Trouble Was Money
7. Baby What You Want Time To Do
8. The Blues Don't Care About You
9. Rocky Mountain Way

Line Up

Albert Collins: vocals, guitar
Etta James: vocals
Joe Walsh: vocals and guitar
Josh Sklair: guitar
Gip Noble: piano
Jerry Peterson: harmonic
Ed Sanford: organ
Rick Rosas: bass

domingo, 11 de outubro de 2009

Filosofia da Mente


Para o público atual, que se alimenta de ciências cognitivas e de neurociência, Jon Miller, o editor do volume, escreve uma elegante introdução onde fica patente como os pensadores do período (1600-1700) já estavam investigando problemas (como o da relação mente-cérebro) que até hoje ocupam pesquisadores de diversas disciplinas. Aqui está o início dessa introdução.

“Os comentaristas há muito vêm se surpreendendo com as ligações entre as descrições contemporâneas da mente e aquelas articuladas pelos filósofos dos séculos 17 e 18 – a era comumente chamada de ‘filosofia moderna inicial’. Por exemplo, em seu influente livro, Language and Mind, Noam Chomsky identifica duas maneiras abrangentes pelas quais a ciência cognitiva do século 20, sem o saber, revisita temas muito discutidos durante a ‘revolução cognitiva original’, como ele descreve o período inicial moderno: em primeiro lugar, a ciência cognitiva do século 20 se enamorou da ‘visão que vinha se cristalizando através do século 18, de que as propriedades denominadas ‘mentais’ são o resultado de uma estrutura orgânica tal como o cérebro’. Em segundo lugar, a ciência cognitiva recente concorda com a tese da modernidade inicial de que o mundo denominado mental pode envolver capacidades ilimitadas de um órgão finito e limitado’. Escrevendo enquanto cientista cognitivo preocupado em divulgar sua visão sobre como o campo deveria ser modificado, Chomsky restringe o âmbito de suas afirmativas apenas até as congruências entre os conceitos modernos iniciais da mente e os de sua disciplina. Se deixarmos esta limitação, muitas outras ligações entre os primeiros modernos e nós estão bem à mão.

Por exemplo, Hilary Putnam crê que os modernos iniciais foram os primeiros a compreender que ‘havia um sério problema sobre a relação da mente com o corpo material’. Ao mesmo tempo em que essa relação era confessadamente um problema para os primeiros pensadores, Putnam argumenta que por causa do surgimento da física moderna nos anos 1600, o problema se intensificou e adquiriu a forma que possui hoje. O desenvolvimento relevante em física, sugere Putnam, foi o disseminado reconhecimento de que o mundo é causalmente fechado. Como ‘nenhum corpo se move exceto como resultado de alguma força’, então como a força é um fenômeno puramente físico, todo movimento corporal parecia totalmente devido à interação entre os corpos. Se este for o caso, e quanto à mente? Não só os primeiros modernos formularam pela primeira vez nossa versão do problema da relação mente-corpo, como propuseram duas soluções que comprovaram ter uma atratividade poderosa. Primeiro, diz Putnam, eles afirmaram que os eventos ‘poderiam acompanhar os eventos físicos, isto é, os eventos do cérebro’. Quanto a essa hipótese, que Putnam credita a Spinoza, entre outros, ‘os eventos mentais poderiam na realidade ser idênticos aos eventos cerebrais e aos outros eventos físicos’. Em segundo lugar, outros modernos iniciais insistiam que independentemente da dúvida que pudesse ser lançada sobre essa possibilidade pela nova física, os eventos mentais poderiam interagir com com os eventos físicos. Os eventos mentais poderiam até estar causando eventos cerebrais, e vice-versa. Os proponentes mais sofisticados dessa posição, como Descartes, consideravam a mente e o cérebro como sendo ‘uma unidade essencial’. É certo que Putnam acha que a recente filosofia da mente tenha refinado muito esse problema, assim como as soluções inicialmente descobertas pelos modernos iniciais. Entretanto, argumenta Putnam, boa parte da agenda da filosofia contemporânea da mente foi estabelecida nos anos 1600 e 1700”.

Jon Miller (Ed.) - Topics in Early Modern Philosophy of Mind
Springer 2009 PDF 200 pages 2.25 MB
http://depositfiles.com/files/r5f1sen8x