quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Projeto de Pesquisa e Metodologia


"Domine as habilidades essenciais para projetar e realizar um projeto de pesquisa bem sucedido. Este livro traz informações práticas sobre como projetar e realizar pesuisas científicas nas ciências sociais e do comportamento. Ele cobre dos conceitos básicos aos avançados em linguagem clara e estilo concreto e legível. O texto oferece aos alunos e aos profissionais importantes idéias para a identificação de tópicos de pesquisa, variáveis e abordagens metodológicas. A coleta de dados e as estratégias de avaliação, os métodos de interpretação e importantes considerações éticas também recebem siginificativa atenção nesse guia. O livro é a única fonte disponível para se condensar os tópicos tão genéricos desse campo num formato conciso e acessível para referência rápida".

Essentials of Research Design and Methodology
Geoffrey R. Marczyk, David DeMatteo, & David FestingerJoh
n Wiley & Sons 2005 PDF 2.56 MB 290 Pages
http://www.megaupload.com/?d=G79NUOQK ou
http://depositfiles.com/files/2d72ingvk

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Kevin Kelly

Kevin Kelly é uma dessas pessoas que transformam a Internet numa força cultural, um pólo de idéias, um eixo de criatividade. Seu site é um manancial de coisas importantes e interessantes. Eu costumo ler a seção The Technium, de onde veio o artigo abaixo (de cujo início coloco uma tradução):

Mentes Inevitáveis
A formiga da pedra é minúscula, mesmo para uma formiga. Individualmente, cada uma é do tamanho de uma vírgula nessa página. Suas colônias também são pequenas. Chegando normalmente a cem operárias, mais uma rainha, normalmente elas se abrigam entre as rachaduras de rochas, daí seu nome genérico. Sua sociedade inteira pode caber no mostrador de vidro de um relógio, ou entre as bordas milimétricas de uma capa de slide, que é onde normalmente são criadas em laboratórios. O cérebro de uma formiga da rocha contém menos de 100.000 nurônios, e é tão pequeno que chega a ser invisível.
Ainda assim, a mente de uma formiga da rocha pode realizar uma incrível façanha de cálculo. Para estimar o potencial de um novo local para seu ninho, essas formigas costumam medir as dimensões do aposento em total escuridão, e então calculam - e esta é a palavra apropriada - o volume e seu grau de conveniência. Por muitos milhões de anos, as formigas da pedra usaram um truque matemático que só foi descoberto pelos humanos em 1733. Elas podem estimar o volume de um espaço, mesmo que seja um espaço de forma irregular, deixando uma trilha odorífera aleatória por todo o solo do aposento, "registrando" o comprimento dessa linha e então contando o número de vezes que ela encontra essa linha odorizada durante as vezes em que cruza diagonalmente o solo. A área calculada é inversamente proporcional à frequência de intercessões vezes o comprimento. Em outras palavras, as formigas descobriram um valor aproximado de Π (Pi) através da intercessão das diagonais. A altura é medida pelas formigas com seus corpos, e depois "multiplicada" pela área para fornecer o volume aproximado de seu nicho.

Mas essas incríveis mentes das formigas fazem mais do que isso. Elas medem a largura e o número de entradas, a quantidade de luz, a proximidade de vizinhos e o grau de higiene do aposento. Então cotejam essas variáveis e calculam o grau de conveniência do ninho potencial através de um processo que se parece com uma fórmula "aditiva ponderada" da lógica fuzzy das ciências da computação. Tudo isso com 100.000 neurônios.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Core Syntax


Acerca desse livro, ver: Symptomatic imperfections, uma avaliação crítica de 28 páginas escrita por Ash Asudeh & Ida Toivonen, da Carleton University, que no mesmo trabalho também analisam Minimalist syntax: exploring the structure of English, de Andrew Radford (apresentado aqui no CL&M em 22 de novembro de 2009). A resposta de Adger a essa crítica está aqui.
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O CV de Adger pode ser lido aqui.
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Outra crítica: Review."Adger truly manages to achieve a good balance between a formal theoretical model and its empirical coverage. Each chapter includes excellent problem sets and a list of further readings... The author takes a lot of time to illustrate each derivation step by step, thus helping students to see the workings of a formal syntactic system. Another very positive characteristic is the approach to crosslinguistic variation, which is given consistently in terms of features. ... I would definitely recommend this book to anyone who wants a text that presents minimalist syntax in a clear way and with data from a vast array of languages."--Language

Core Syntax: A Minimalist Approach
David Adger
Oxford University Press 2003 440 pages PDF 1,1 MB
http://www.megaupload.com/?d=ZA9XMT8F ou
http://depositfiles.com/files/fcpew3szo
Para aqueles momentos em que não há nenhum instrumento por perto e precisamos fazer soar uma sequência de acordes, ainda que modesta, só para sentir a progressão.

Está em Do Maior (C), mas sempre ajuda.
http://www.tarleton.edu/~boucher/chord_keyboard_major%5b1%5d.swf

Em Do Menor (Cm), se necessário:
http://www.tarleton.edu/~boucher/chord_keyboard_minor%5b1%5d.swf

Melhor ainda: abra os dois, minimize para caberem juntos na tela e divirta-se!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Degrammaticalization


Não faço a menor idéia do que esse livro representa, utilitariamente falando. Mas a conversa da editoria impressiona:

Grammaticalization is a well-attested process of linguistic change in which a lexical item becomes a function word, which may be further reduced to a clitic or affix. Proponents of the universality of grammaticalization have usually argued that it is unidirectional and have thus found it a useful tool in linguistic reconstruction. In this book Professor Norde shows that change is reversible on all levels: semantic, morphological, syntactic, and phonological. As a consequence, the alleged unidirectionality of grammaticalization is not a reliable reconstructional tool, even if degrammaticalization is a rare phenomenon.

Degrammaticalization, she argues, is essentially different from grammaticalization: it usually comprises a single change, examples being shifts from affix to clitic, or from function word to lexical item. And where grammaticalization can be seen as a process, degrammaticalization is often the by-product of other changes. Nevertheless, she shows that it can be described, like grammaticalization, in a principled way, in order to establish whether a change in a word has been from more to less grammatical or vice versa, and the stages by which it has become so. Using data from different languages she constructs a typology of degrammaticalization changes. She explains why degrammaticalization is so rare and why some linguists have such strongly negative feelings about the possibility of its existence. She adds to the understanding of grammaticalization and makes a significant contribution to methods of linguistic reconstruction and the study of language change. She writes clearly, aiming to be understood by advanced undergraduate students as well as appealing to scholars and graduate researchers in historical linguistics.

Degrammaticalization
Muriel Norde
Oxford University Press 2009 256 pages PDF 1.2 Mbhttp://rapidshare.com/files/329562469/degram.rar

Alison Gopnik fala de Stanislas Dehaene


No New York Times de 3 de janeiro, Alison Gopnik escreve sobre o livro de Stanislas Dehaene, Reading in the Brain. É uma daquelas críticas/resenhas tão boas que ganham status de artigo e vida própria. Vou traduzir alguns trechos, e o original pode ser lido aqui.

"Neste exato momento, v. está movendo seus olhos sobre uma página branca cheia de marcas pretas. Ainda assim, v. sente que está devaneando no universo da The New York Times Book Review, alerta para o sedutor perfume de um novo e promissor romance e para a mordida amarga de um malévolo ataque crítico. A transformação dessas marcas arbitrárias em experiência vívida é um dos grandes mistérios da mente humana. É especialmente misterioso porque a leitura é uma invenção relativamente recente, datando de uns cinco ou dez mil anos. Nossos cérebros não evoluiram para ler.

Stanislas Dehaene, proeminente cientista cognitivo francês, ajudou a solucionar esse mistério. (...) Dehaene começa descrevendo o circuito neural notavelmente complicado que se devota a ir das marcas aos pensamentos. Ele então explica como a leitura se desenvolveu historicamente (das inscrições sumerianas e dos hieróglifos egípcios até os alfabetos gregos e romanos, e os caracteres chineses), como aprendemos a ler quando crianças e porque a dislexia torna a leitura tão difícil.

Cada vez que v. completa um teste de segurança da Web, de reconhecer palavras (CLM: também conhecido como 'captcha'), está prestando uma homenagem inconsciente à sofisticação e à sutileza do cérebro leitor. Os mais avançados programas de pirataria de invasão (spambots) não podem reconhecer as letras como podemos, e muito menos reconhecer o significado por trás delas. A ciência cognitiva mostrou que as experiências mais simples - conversar, ver, lembrar - são o resultado de computações diabolicamente complexas. O trabalho de Dehaene, juntamente com o de outros, coloca a leitura nessa lista.

Mas Dehaene também discute o que está para além da leitura, uma discussão sobre a própria natureza humana. Em "Reading in the Brain", ele adota a retórica do inatismo, um complexo de idéias desenvolvidas por Noam Chomsky há 50 anos e popularizada por psicólogos evolutivos como Steven Pinker. Ele argumenta que a leitura é limitada por estruturas cerebrais inatas, fixas, com pouca flexibilidade, apenas o suficiente para permitir o surgimento dessa habilidade sem precedentes.

Mas existem dois tipos diferentes de inatismo. Chomsky propôs que nascemos com estruturas neurais e cognitivas específicas, geneticamente determinadas, estruturas que estão muito além de alguns poucos mecanismos gerais de aprendizagem. Esse tipo de inatismo tornou-se o conhecimento padrão em ciência cognitiva. O cérebro não é uma página em branco. Entretanto, o outro e mais significativo tipo de inatismo trata não da história da mente, mas de seu futuro. Chomsky também argumentou que a estrutura inata estabelece limitações muito fortes sobre a mente humana. Os psicólogos evolutivos que defendem Chomsky dizem que estamos presos ao mesmo cérebro dos nossos ancestrais caçadores-coletores, com apenas algumas melhoras nas bordas. Muitos cientistas sociais rejeitam essa segunda afirmativa. Uma nova geração de cientistas cognitivos e de neurocientistas também começa a rejeitá-la. Nos últimos anos, os cientistas da computação desenvolveram novas técnicas de aprendizagem de máquina que permitem que computadores façam descobertas genuinamente novas, e os cientistas cognitivos começaram a descobrir que as mentes das crianças muito pequenas aprendem quase da mesma maneira. Ao mesmo tempo, os neurocientistas descobriram que o cérebro é muito mais plástico - mais influenciado pela experiência - do que pensávamos. O cérebero é altamente estruturado, mas também é extremamente flexível. Não é uma página em branco, mas também não está gravado em uma rocha.

Estamos testemunhando uma nova geração de cérebros plásticos de bebês reformatados pelo novo ambiente digital. Hippies da geração boomer ouviam Pink Floyd enquanto tentavam criar quadrinhos interativos em computadores. Seus filhos da geração Y cresceram tendo aqueles quadrinhos como segunda natureza, tão parte de sua experiência como a linguagem ou a palavra impressa. Há toda razão para acreditar que seus cérebros serão notavelmente diferentes, como o cérebro que lê é diferente do cérebro analfabeto.

Isso deveria inspirar tristeza, ou esperança? Sócrates temia que a leitura iria sabotar o diálogo interativo. E, é claro, ele tinha razão: a leitura é diferente da conversa. Os antigos meios de comunicação formados por fala, música e teatro foram radicalmente reformatados pela escrita, ainda que nunca tenham sido suplantados, o que talvez seja um conforto para aqueles de nós que ainda se emocionam com o cheiro de uma biblioteca.

Mas a dança, através do tempo, entre cérebros novos e antigos, pais e filhos, tradição e inovação, já é parte profunda da natureza humana, talvez a parte mais profunda. Tem um lado trágico. Orfeu observou sua querida morta esgueirar-se irrecuperavelmente para o passado. Nós, pais, temos que observar nossos filhos passarem inapelavelmente para um futuro que nunca alcançaremos. Mas, é certo, no final a história da leitura, da aprendizagem e da conexão cibernética religando interminavelmente o cérebro traz mais esperança do que tristeza".

Alison Gopnik é autora de “The Philosophical Baby: What Children’s Minds Tell Us About Truth, Love, and the Meaning of Life.”

domingo, 3 de janeiro de 2010

Um filminho


Minha epifania materialista foi assim: quando vi este filme, percebi difusamente que lembranças filogenéticas de terrível pureza ontológica, desde sempre impressas de alguma maneira na estrutura viva onde habito, estavam aflorando. Como se fosse alguém gritando desesperadamente por nós a longuíssima distância, não posso jamais saber o que dizem. Mas sou tomado pela urgência do chamado, e algo agita partes de mim que não conheço, algo que não posso e não quero classificar, por inútil fazê-lo. É algo inebriante que não turva a clareza, algo remoto que hoje está vivo, algo do que sempre fui, e não sabia. Meu universo agora é dispersão inexplorável.

Moods of the Sea is a non-narrative visual(1941) film by Slavko Vorkapich and John Hoffman (1904-1980), set to the music of Felix Mendelssohn known as the Hebrides (or Fingal's Cave) Overture. This 10-minute-long film has become well known as an early example of American avant-garde and independent film.

http://www.ubuweb.com/film/vorkapich_moods.html
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