sexta-feira, 25 de junho de 2010

Primatas não-humanos lidam com afixos

Evidence of an evolutionary precursor to human language affixation in a non-human primate
Ansgar D. Endress, Donal Cahill, Stefanie Block, J. Watumull and Marc D. Hauser 2009
Royal Society - Biology Letters, 2009.0445

Abstract. A linguagem humana, e em particular a competência gramatical, baseia-se em um conjunto de operações computacionais que, em seu todo, não são encontradas em outros animais. Tal singularidade deixa aberta a possibilidade de que os componentes da competência linguística são compartilhados com outros animais, tendo evoluido (neles) para funções não-linguísticas. Aqui, nós investigamos esse problema a aprtir de uma perspectiva comparativa, indagando se os macacos tamarin cotton-top (Saguinus oedipus) podem adquirir espontaneamente (sem treinamento) uma regra de afixação que compartilhe importantes propriedades com nossa morfologia de inflexão (por exemplo, a regra que adiciona -ed para criar o tempo passado, como na transformação de walk para walked). Utilizando experimentos de playback, nós demonstramos que os tamarins discriminam entre itens dissílabos que começam com uma sílaba 'prefixo' e aqueles que terminam com a mesma sílaba como 'sufixo'. Esses resultados sugerem que alguns dos mecanismos computacionais básicos da afixação, em uma grande variedade de línguas, são compartilhados com outros animais, valendo-se das primitivas perceptuais básicas ou de memória que evoluiram para funções não-linguísticas.