O livro é Robot Brains: Circuits and Systems for Conscious Machines (Cérebros Robóticos: Circuitos e Sistemas para Máquinas Conscientes), de Pentti O. Haikonen, editado pela Wiley-Interscience (2007), 224 pgs. PDF de 3,4 MB. Está em http://depositfiles.com/files/8397011 A editoria comenta: “Haikonen prevê robôs autônomos que percebem e entendem o mundo diretamente, agindo nele de maneira natural parecida com a maneira humana, sem necessidade de programas e de representação numérica de informações. Desenvolvendo funções cognitivas de nível superior através do poder de arquiteturas neuronais artificiais associativas, o autor aborda o problema de máquinas conscientes. Robot Brains delineia com conhecimento de causa uma abordagem sistêmica completa de máquinas cognitivas, oferecendo orientações práticas de projetos para a criação de máquinas criativas autônomas não-numéricas. Detalha tópicos como as partes componentes e os princípios de realização, de modo que diferentes partes podem ser implementadas em hardware ou software. São fornecidos exemplos do mundo real, incluindo exemplos de circuitos e sistemas que poucos livros sobre esse tópico têm fornecido”.
Wlodislaw Duch, do departamento de informática da Universidade Nicolaus Copernicus (Polônia), não concorda: “O que, de acordo com Haikonen, tornará um robô consciente? Resumindo, ele deve se parecer mais com os humanos, deve ser provido de algum tipo de mente, ser auto-motivado e entender emoções e linguagem, usando esta última para uma comunicação natural. Deve ser capaz de reagir de maneira emocional, ser auto-consciente e perceber que seu conteúdo mental é imaterial. Ainda que os filósofos possam objetar que isso tudo ainda não é suficiente, construir tais robôs pode ajudar muito na compreensão dos problemas da consciência humana”. E Duch prossegue: “O livro deve ser interessante para pessoas que trabalham com inteligência computacional e robótica cognitiva, e sem dúvida merece uma leitura cuidadosa. Pesquisadores de neurociência computacional, que frequentemente enfatizam detalhes, também podem se beneficiar com a abordagem integrativa apresentada em Robot Brains. Mas isso resolve o problema? Podemos ler na contracapa do livro: ‘Os métodos apresentados nesse livro têm importantes implicações para a visão computacional, o processamento de sinais, reconhecimento de fala e para outros campos da tecnologia da informação’. Certamente o livro introduz diversos pontos de vista interessantes, mas a prova do pudim está em comê-lo. Nós já sabíamos que memória, controle, linguagem e emoções são importantes, e que os circuitos neurais são a maneira de implementar tudo isso. Nenhuma tecnologia nova foi proposta, nem fornecida nenhuma demonstração de software ou de hardware. Visão, linguagem e cognição no nível humano de competência ainda continuam a ser um grande desafio, e não está claro até onde se pode ir sem detalhadas inspirações a partir do cérebro. Por exemplo, o papel do tronco encefálico ou do complicado sistema de recompensa e motivação precisa ser abordado. No prefácio o autor escreve que ‘é bastante fácil implementar esses princípios à maneira dos programas de computador’. Mas ainda é necessário ver-se como isso é fácil e até onde os métodos descritos no livro podem ser capazes de nos levar a robôs autônomos e conscientes”.
No verbete Machine Consciousness, da Scholarpedia (artigo bem interessante, por sinal), diz Igor Aleksander (2008), do Imperial College (UK): “Investigando sistemas que não robôs, uma substancial contribuição para o estudo da consciência de máquinas foi feita pelo engenheiro finlandês Pennti Haikonen. Ele trabalha para a compania Nokia, em Helsinki, e está desenvolvendo uma abordagem de rede neural para expressar importantes características da consciência, como processos de sinal em uma arquitetura multi-canal (2003). Ele se remete a questões como percepção, visão interior, fala interior e emoções. Em comum com outros que abordam a consciência como um processo de projeto de engenharia, Haikonen chega à conclusão que dada uma decomposição apropriada do conceito em suas partes cognitivas, muitos mistérios serão esclarecidos. Em sua obra recente (2007), Haikonen confirma e aprofunda a noção de que sua estrutura neural leva a uma discussão fundamentada sobre significado e representação. É claro que, com sua abordagem de engenheiro, pode-se adiantar a crítica de que tudo isso aborda apenas o ‘problema fácil’ do funcionamento necessário de substratos para que sejam criadas representações cognitivas, deixando o ‘problema difícil’ desse elo para qualias experienciadas ou sensações intocadas. A principal oposição a seu argumento é a noção ‘virtual’ de que as qualias e as sensações podem ser discutidas enquanto conceitos virtuais que não dependem de elos com os substratos físicos e mesmo assim podem ser abordadas na linguagem dos sistemas informacionais”.
L. Andrew Coward e Tamas O. Gedeon, do departamento de computação da Australian National University, escrevem sobre o modelo de Haikonen em seu artigo Implications of Resource Limitations for a Conscious Machine, Neurocomputing vol. 72, issue 4-6, janeiro de 2009, p. 767-788 (por sinal, um artigo muito bom): “Os problemas com esse modelo são, em primeiro lugar, que ele supõe um conjunto completo de perceptos pré-definidos que não exigem qualquer evolução, a despeito do caráter de novidade da experiência, e em segundo lugar, que não há nenhuma indicação sobre como o sistema pode identificar que os perceptos ‘importantes’ estejam associados a longo prazo através do processo de ensaio”. O item 8.1 do artigo, A Arquitetura Neural de Haikonen, está em geral redigido na mesma veia. Esse mesmo número (vol. 72, issue 4-6) da Neurocomputing tem boa parte de seu conteúdo dedicada a Brain Inspired Cognitive Systems (sistemas cognitivos inspirados no cérebro) e traz 10 artigos correspondentes, e também à Interplay Between Natural and Artificial Computation (interação entre computação natural e artificial), com 16 artigos, além dos (muitos) artigos regulares. Para quem transita nessa área, imperdível.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Mente e Mecanismo
“Em Mind and Mechanism (The MIT Press), Drew McDermott faz uma abordagem computacional ao problema mente-corpo (como é que uma entidade puramente física, o cérebro, pode ter experiências). Ele inicia demonstrando a falsidade das abordagens dualistas, que separam os domínios físico e mental. Investiga então o que foi realizado em inteligência artificial, diferenciando claramente aquilo que sabemos construir daquilo que podemos imaginar construir. McDermott então detalha uma teoria computacional da consciência – afirmando que a mente pode ser modelada inteiramente em termos computacionais – e trata das diversas objeções possíveis. Ele também discute as consequências culturais da teoria, incluindo seu impacto sobre a religião e a ética”. (Texto da editoria Bradford Books)
Em http://depositfiles.com/files/1210489
Em http://depositfiles.com/files/1210489
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Acelere radicalmente seu PC
Nada a ver com Cognição, Linguagem ou Música, mas temos que dispor de um computador legalzinho, daí que recomendo a leitura de 99 ways to make your computer blazingly fast . Na verdade são cem maneiras, porque é só trocar para Linux que seus problemas acabam – como acentuou um comentarista do artigo. Além disso, a 99ª maneira não conta: “Compre um computador novo”. A leitura dos comentários é importante: os geeks/nerds et caterva também dão dicas, fazem reclamações e dizem besteira. Uma festa... Mas algumas dicas implicam em fuçar coisas que um leigo não deveria, como o Registry. Procure fazer apenas aquilo que lhe parecer seguro.
Raciocínio Humano e Ciência Cognitiva
A descrição da editoria, Bradford Books: “Em Human Reasoning and Cognitive Science (The MTI Press), Keith Stenning e Michiel van Lambalgen – um cientista cognitivo e um logicista – defendem a indispensabilidade da moderna lógica matemática para o estudo do raciocínio humano. Lógica e cognição já foram estreitamente ligadas, escrevem eles, mas ‘divorciaram-se’ no século passado; a psicologia da dedução passou de uma posição importante na revolução cognitiva para ser o assunto de um disseminado ceticismo sobre se o raciocínio humano ocorre realmente fora das instituições de ensino. Stenning e van Lambalgen defendem o ponto de vista de que a lógica e o raciocínio foram separados por causa de uma série de suposições infundadas sobre lógica.
Stenning e van Lambalgen argumentam que a psicologia não pode ignorar os processos de interpretação nos quais as pessoas, querendo ou não, enquadram os problemas para raciocinar subsequentemente sobre eles. Os autores empregam uma lógica invalidável neuralmente implementável (neurally implementable defeasible logic no original; minha tradução não está boa, mas vai ficar assim mesmo por enquanto - PLG) para modelar parte desse processo de enquadramento, e mostram como ele pode ser usado para guiar o projeto de experimentos e a interpretação de resultados. Apresentam exemplos de raciocínio dedutivo, do desenvolvimento infantil quanto a entendimentos de sua mente, da análise de um distúrbio psiquiátrico (autismo), e da pesquisa sobre as origens evolutivas dos processos mentais superiores humanos”. Publicação: 2008, 392 páginas, em PDF.
Em http://depositfiles.com/files/bc515bfek
Stenning e van Lambalgen argumentam que a psicologia não pode ignorar os processos de interpretação nos quais as pessoas, querendo ou não, enquadram os problemas para raciocinar subsequentemente sobre eles. Os autores empregam uma lógica invalidável neuralmente implementável (neurally implementable defeasible logic no original; minha tradução não está boa, mas vai ficar assim mesmo por enquanto - PLG) para modelar parte desse processo de enquadramento, e mostram como ele pode ser usado para guiar o projeto de experimentos e a interpretação de resultados. Apresentam exemplos de raciocínio dedutivo, do desenvolvimento infantil quanto a entendimentos de sua mente, da análise de um distúrbio psiquiátrico (autismo), e da pesquisa sobre as origens evolutivas dos processos mentais superiores humanos”. Publicação: 2008, 392 páginas, em PDF.
Em http://depositfiles.com/files/bc515bfek
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Happy Birthday, Mr. Darwin
Hoje comemora-se o ducentésimo aniversário de nascimento do grande naturalista inglês Charles Darwin. Aquilo de mais básico que temos é a vida, e Darwin levantou o véu que ocultava o conhecimento da origem e da evolução da árvore da vida. Muitos cientistas aperfeiçoaram suas idéias nesses últimos 150 anos, desde a publicação da Origin, mas o mérito do pontapé inicial dessa visão revolucionária (e que Darwin hesitou bastante antes de publicar) é dele. Para nossa atualidade, fala Mark Pagel (que Greg Laden, em seu excelente blog, chama de teórico evolutivo extraordinaire) em seu artigo na revista Nature de hoje:
Nature 457, 808-811 (12 February 2009)
Natural selection 150 years on
Mark Pagel
School of Biological Sciences, University of Reading, Reading RG6 6AJ, UK. The Santa Fe Institute, 1399 Hyde Park Road, Santa Fe, New Mexico 87501, USA.
Abstract/Resumo
The theory of evolution by natural selection has prospered in its first 150 years and provides a consistent account of species as highly adapted and rare survivors in the struggle for existence. It now faces the challenge of finding order in the evolution of complex systems, including human society.
A teoria da evolução através da seleção natural prosperou em seus primeiros cento e cinquenta anos e fornece uma descrição consistente das espécies como sobreviventes muito adaptados e raros da luta pela existência.Ela agora enfrenta o desafio de descobrir ordem na evolução de sistemas complexos, incluindo a sociedade humana.
Nature 457, 808-811 (12 February 2009)
Natural selection 150 years on
Mark Pagel
School of Biological Sciences, University of Reading, Reading RG6 6AJ, UK. The Santa Fe Institute, 1399 Hyde Park Road, Santa Fe, New Mexico 87501, USA.
Abstract/Resumo
The theory of evolution by natural selection has prospered in its first 150 years and provides a consistent account of species as highly adapted and rare survivors in the struggle for existence. It now faces the challenge of finding order in the evolution of complex systems, including human society.
A teoria da evolução através da seleção natural prosperou em seus primeiros cento e cinquenta anos e fornece uma descrição consistente das espécies como sobreviventes muito adaptados e raros da luta pela existência.Ela agora enfrenta o desafio de descobrir ordem na evolução de sistemas complexos, incluindo a sociedade humana.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Lynyrd Skynyrd Songbook
Para quem gosta de cantar a letra certa e ainda por cima toca violão ou guitarra, a dica é o songbook do Lynyrd Skynyrd, Southern rock de primeira qualidade. Em http://w18easy-share.com/1702565537.html
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